<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822</id><updated>2012-01-16T17:51:46.104-08:00</updated><category term='violência'/><category term='escrever'/><category term='política'/><category term='novela'/><category term='direito'/><category term='antropologia'/><category term='rpg'/><category term='culinária'/><category term='internet'/><category term='desastre'/><category term='comida'/><category term='usp'/><category term='Saberes em Jogo'/><category term='música'/><category term='diálogos'/><category term='filmes'/><category term='experimentos pseudo-biográficos'/><category term='cotidiano'/><category term='passeios'/><category term='jogos'/><category term='mestrado'/><title type='text'>Novos palimpsestos</title><subtitle type='html'>Um manuscrito estranho, desbotado, cheio de elipses, incoerências, emendas suspeitas e comentários tendenciosos, escrito nos labirintos do hipertexto com fragmentos transitórios do meu espírito.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>122</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-6514742528586207076</id><published>2011-10-26T07:08:00.000-07:00</published><updated>2011-10-26T07:21:11.891-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>Livros e rastros</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava aqui pensando na minha infância. Eu fui uma criança de apartamento, embora de apartamentos grandes, diferente dos que são construídos em São Paulo nos últimos 20 anos. Hoje existem condomínios de vários torres com diversos equipamentos de lazer em espaços comuns, mas nos prédios em que eu morei haviam apenas salões de festas tristonhos ocupados por reuniões de condomínios e estacionamentos que desafiavam nossa capacidade de jogar bola e andar de patins no meio dos carros. Brincávamos principalmente dentro de casa e meus pais nos davam liberdade de nos espalharmos pela casa, com nossos amigos e brinquedos, ainda que a bagunça gerasse muita reclamação (e uma ocasional surra).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não éramos apenas nós que criávamos um cenário mutante nos cômodos da casa, tão diferentes dos ambientes de novela e revistas de decoração. Na minha casa os livros andavam, deslocavam-se das estantes para a mesa de centro da sala, para cima do cesto de vime que guardava cartolinas e tralhas de papelaria que usávamos em trabalhos escolares, para o sofá, para debaixo do copo de whisky onipresente ao lado da ponta do sofá que pertencia ao meu pai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nunca via meu pai estudando e trabalhando. Via apenas esses livros circulando pela casa e folhas de papel manuscrita brotando de seus rastros. Os livros eram como lesmas deixando uma trilha viscosa em forma de anotações quase ilegíveis da letra do meu pai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje quando eu chego em casa encontro meus próprios rastros. Os livros e xerox que eu vou largando pela casa, muitas vezes não mais onde os deixei, posto que as pessoas tem prioridade para ocupar o sofá e as cadeiras. quando eles voltam para a estante, raramente voltam para os mesmos lugares. Ainda bem, porque eu tenho certeza que os soldadinhos das letras do Foucault saem no meio da noite para bater boca com os soldadinhos do Bourdieu. E talvez os soldadinhos de Tolkien não gostem muito de conviver com os soldadinhos de Lovecraft.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Estou lendo Benjamin... sempre fico sonhadora e verborrágica)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-6514742528586207076?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/6514742528586207076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=6514742528586207076' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6514742528586207076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6514742528586207076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/10/livros-e-rastros.html' title='Livros e rastros'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2350910910924401791</id><published>2011-10-22T11:35:00.000-07:00</published><updated>2011-10-22T11:38:56.576-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>CARTA AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO</title><content type='html'>Para o dia do ENEM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align: right;text-indent: 35.4pt; "&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;i&gt;Crônica primeiramente publicada em 1968&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;Em primeiro lugar queríamos saber se as verbas destinadas para a educação são distribuídas pelo senhor. Se não, esta carta deveria se dirigir ao Presidente da República. A este não me dirijo por uma espécie de pudor, enquanto sinto-me com mais direito de falar como o Ministro da Educação por já ter sido estudante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;O senhor há de estranhar que uma simples escritora escreva sobre um assunto tão complexo como o de verbas para a educação – o que no caso significa abrir vagas para os excedentes. Mas o problema é tão grave e por vezes patético que mesmo a mim, não tendo ainda filhos em idade universitária, me toca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;O MEC, visando evitar o problema do grande número de candidatos para poucas vagas, resolveu fazer constar nos editais de vestibular que os concursos seriam classificatórios, considerando aprovados apenas os primeiros colocados dentro do número de vagas existentes. Esta medida impede qualquer ação judicial por parte dos que não são aproveitados, não impedindo no entanto que os alunos tenham o impulso de ir às ruas reivindicar as vagas que lhes são negadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Senhor ministro ou senhor presidente: "excedentes" num país que ainda está em construção?! E que precisa com urgência de homens e mulheres que o construam? Só deixar entrar nas Faculdades os que tiram melhores notas é fugir completamente ao problema. O senhor já foi estudante e sabe que nem sempre os alunos que tiram as melhores notas terminam sendo os melhores profissionais, os mais capacitados para resolverem na vida real os grandes problemas que existem. E nem sempre quem tira as melhores notas e ocupa uma vaga tem pleno direito a ela. Eu mesma fui universitária e no vestibular classificaram-me entre os primeiros candidatos. No entanto, por motivos que aqui não importam, nem sempre segui a profissão. Na verdade eu não tinha direito à vaga. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Não estou de modo algum entrando na seara alheia. Esta seara é de todos nós. E estou falando em nome de tantos que, simbolicamente, é como se o senhor chegasse à janela de seu gabinete de trabalho e visse embaixo uma multidão de rapazes e moças esperando seu veredicto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;Ser estudante é algo muito sério. É quando os ideais se formam, é quando mais se pensa num meio de ajudar o Brasil. Senhor ministro ou Presidente da República, impedir que jovens entrem em universidades é um crime. Perdoe a violência da palavra. Mas é a palavra certa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;Se a verba para universidades é curta, obrigando a diminuir o número de vagas, por que não submetem os estudantes, alguns meses antes do vestibular, a exames psicotécnicos, a testes vocacionais? Isso não só serviria de eliminatória para as faculdades, como ajudaria aos estudantes que estivessem em caminho errado de vocação. Esta idéia partiu de uma estudante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;Se o senhor soubesse do sacrifício que na maioria das vezes a família inteira faz para que um rapaz realize o seu sonho, o de estudar. Se soubesse da profunda e muitas vezes irreparável desilusão quando entra a palavra "excedente". Falei com uma jovem que foi excedente, perguntei-lhe como se sentira. Respondeu que de repente se sentiu desorientada e vazia, enquanto ao seu lado rapazes e moças, ao se saberem excedentes, ali mesmo começaram a chorar. E nem poderiam sair à rua para uma passeata de protesto porque sabem que a polícia poderia espancá-los.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;O senhor sabe o preço dos livros para pré-vestibulares? São caríssimos, comprados à custa de grandes dificuldades, pagos em prestações. Para no fim terem sido inúteis? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;Que estas páginas simbolizem uma passeata de protesto de rapazes e moças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoSubtitle" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;i&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size:11.0pt; line-height:115%;font-family:Calibri;mso-fareast-font-family:Calibri; mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language: EN-US;mso-bidi-language:AR-SA"&gt;LISPECTOR, Clarice. &lt;u&gt;A descoberta do mundo&lt;/u&gt;. Rio de Janeiro, Rocco, 1999&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2350910910924401791?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2350910910924401791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2350910910924401791' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2350910910924401791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2350910910924401791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/10/carta-ao-ministro-da-educacao.html' title='CARTA AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-5003185540287468358</id><published>2011-08-20T11:42:00.000-07:00</published><updated>2011-08-20T11:43:59.196-07:00</updated><title type='text'>Derrapagens</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A insatisfação cultivada torna-se rapidamente cegueira. Não sei, talvez seja preciso vomitar algum fel para poder se livrar dele e percebe-lo como algo danoso e sujo, mas isso deve ser feito sem mirar os outros, sem encarrega-los de pesos que não lhes cabem. Mas também devem existir formas de purificação que não sejam excretórias, mas que possam transformar essa matéria ruim em coisas menos turvas, mais generosas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem fui ao psicólogo e passeei em meio a representações ruins de “como as coisas funcionam”. Acho que isso em parte se deve a uma certa raiva acumulada, que encontra pouca expressão. Sinto tristeza, impotência, esperança, dor, em relação ao que aconteceu à minha prima. Mas não consigo pensar em seu agressor, e é provável que eu esteja com muita raiva dele. Só não consigo senti-la. E assim, acho que minha visão de mundo vai se negativando, e essa raiva perdida vai encontrando suporte em matrizes discursivas que perpetuam violências. É um processo sutil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu psicólogo me perguntou se eu achava que os homens eram idiotas porque eram todos iguais (estávamos falando sobre atração, conquista, relacionamentos, etc.), e eu respondi que eram todos idiotas, mas não porque eram todos iguais. Claro que eu não acho isso, e não sei direito porque o disse. Ao dizer, contrariava a mim mesma pensando com muita ternura nos meus amigos homens, que são pessoas maravilhosas. Eu estava sendo idiota. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que nos últimos tempos estou mais tensa em relação aos relatos de amigas reclamando de seus namoros, rolos, etc. e menos compreensiva com os relatos de amigos. É uma questão de afinação do ouvido, que simplifica relações muito variáveis. É horrível falar – como eu estava falando - em “mercado afetivo e sexual”, que classifica relações tão atomizadas e ao mesmo tempo nulas, fazendo de todos tábulas rasas de “padrões culturais” (em uma formulação rasa). Visões de mundo machistas facilitam comportamentos insensíveis de ambos os lados, e fazem com que ambos os lados sofram. Eu sei disso, percebo e vivo isso diariamente. O problema é que às vezes isso nos inunda também. Estamos correndo o risco de derrapar o tempo todo. Como sempre, estou rememorando a última sessão. Estou bem envergonhada das coisas que disse ao psicólogo, porque elas denotam que eu andei pensando e agindo por meio desses entendimentos, mesmo sem perceber. Vômito feito, bola pra frente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-5003185540287468358?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/5003185540287468358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=5003185540287468358' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5003185540287468358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5003185540287468358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/08/derrapagens.html' title='Derrapagens'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1141620846985541645</id><published>2011-08-17T18:21:00.000-07:00</published><updated>2011-08-17T18:23:47.698-07:00</updated><title type='text'>Violência ou a esperança de regeneração</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A violência para mim sempre terá algo de imponderável, de inexplicável. Sempre me alcança como um choque, como uma ruptura de sentidos. Pensando na minha pesquisa, nos temas que sempre me tomam, fica claro que eu busco entender como a violência produz sentidos também, ou como coloniza sentidos outros, revira significantes e se autopropaga. Mas enquanto experiência vivida, a violência tem algo de ruído mudo, como um zumbido que resta nos ouvidos após uma explosão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dois meses minha prima foi brutalmente atacada por seu marido. Ela mora longe, em outro continente. Sabíamos pouco sobre seu cotidiano e o casamento que tinha, embora minha mãe e avó tivessem por duas vezes passado um tempo lá. Além de casados, ele e ela trabalhavam juntos com turismo, viviam perto de uma reserva ambiental. Ele, no entanto, em determinadas épocas a deixava por causa de drogas, sumia por uns tempos. Parecia-nos que ela o amava muito, e ele era meio indiferente. Apenas isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nossa prima passou o Natal e o Ano Novo aqui no ano passado. Trazia consigo todo o tipo de paranoia que se espalha lá fora sobre o Brasil, a ameaça em cada esquina, o risco de esconderem drogas em sua bagagem no aeroporto, etc. Nós a avisamos dos cuidados que todos temos com aquela certa indiferença paulistana. Ela por fim odiou o trânsito e o barulho de São Paulo, mas curtiu uma praia no Rio de Janeiro, bem na época da invasão policial no Morro do Alemão. Foi com minha mãe para Foz do Iguaçu e descansou dos problemas na calmaria de Rio Pardinho. Havia algo que fazia com quiséssemos que ela ficasse, que deixasse o marido e viesse para o Brasil. Talvez uma mágoa contida em sua discrição. Mas construir uma nova vida do zero no Brasil parecia completamente inverossímil para ela, e para nós todos. E ela foi-se embora para longe, para o trabalho e para o marido, tentando estabelecer contato com as agências daqui para montar pacotes de viagens. Então, o ataque. A vida interrompida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De longe, as notícias chegam a conta-gotas. Os cachorros impediram que ele a matasse. Porém, nossa prima esteve em coma por um mês e, ao acordar, está completamente paralisada. Não sabemos se o quadro dela tem perspectiva de melhora ou não. Outros primos mandam emails breves, e minha mãe me traz as notícias, que infelizmente não mudam muito. Do cara, sei apenas que está preso. Não preciso saber mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A tristeza lateja. Vem em ecos. Vem em imagens-memórias da minha prima na sala de casa, xingando o preço dos hostels no Rio; brincando com o cãozinho da minha avó; lendo um livro com o óculos na ponta do nariz. O coração aperta diante da impotência, da inevitabilidade do imprevisível. Era assim tão imprevisível? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Correm as lágrimas, e como correm, incapazes de limpar a dor e a violência. Resta a esperança rasgada de que ela possa se recuperar o máximo possível. Às vezes eu me pego pensando que queria ter fé, e rezar pra algum poder superior intervir nesse absurdo. Minha esperança não tem a ver com fé, e acho que não precisa. É apenas o que solda sentidos tão partidos pela violência, tentando regenerá-los por meio dessa força vital que é a família.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1141620846985541645?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1141620846985541645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1141620846985541645' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1141620846985541645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1141620846985541645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/08/violencia-ou-esperanca-de-regeneracao.html' title='Violência ou a esperança de regeneração'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2520867854294772526</id><published>2011-07-17T07:45:00.000-07:00</published><updated>2011-07-17T09:30:33.645-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rpg'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>Começo de campanha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tive a ideia de fazer um merchan básico para o jogo que eu quero mestrar. Então vou passar a postar aqui e no facebook uns minicontos, prelúdios de NPCs.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela acordou com a luz do sol ainda incomodando os olhos. Tentou se virar para um lado, para outro, e desistiu, jogando o braço por cima do rosto para garantir um pouco mais de noite na sua vida. Sua outra mão passou pelo elástico da calcinha e se pôs a masturbar-se. Todos os dias se masturbava por horas antes de se levantar. Não adiantava, quando estava sozinha acabava sempre fantasiando com cenas de violência e a agonia a fazia gozar. Era importante gozar antes de começar a noite de trabalho, seria a única gozada do dia, no sossego de seu quarto. Depois, jogou-se em cima do vaso sanitário para mijar, sentindo escorrer sua boceta molhada. No banheiro estava pendurado um mural de cortiça, com fotos de várias épocas, mostrando rostos bonitos e felizes. Todos já tinham gozado com ela de uma noite de sexo, uma garrafa de cerveja ou uma fogueira na praia. Chamava aquele mural de Albergue de Juventude. Também chamava sua boceta de Albergue da Juventude, certificada internacionalmente. Tomou banho sem molhar a mão esquerda, porque queria continuar sentindo seu cheiro durante o expediente, se vestiu para a calçada e saiu. Esqueceu o celular do lado da cafeteira ligada. Parou na esquina de sempre e ficou acompanhando o movimento dos carros, vez em quando retocando o batom. O vento frio ressecava seus lábios, e os clientes podiam reclamar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do outro lado da rua ele caminhava, passos ritmados, buscando os pontos iluminados pelos postes. A cidade ainda preservava na noite o aroma dos últimos raios de sol do entardecer, que ele sorvia faminto, aguçando os sentidos. Sentia também o cheiro dos trabalhadores, apinhados dentro dos ônibus, voltando para suas casas e suas famílias, para o jantar e a novela. Ele os amava a todos. Hoje não ia passar futebol na tv, as pessoas tinham menos assunto. Ele suspirou, tristonho. Ao menos encontraria seus irmãos, e poderia conversar com eles, e tocá-los com a palavra do Senhor. Teve uma enorme consciência da Bíblia que carregava nas mãos. Pensava em falar esta noite sobre Daniel na cova dos leões, uma mensagem tão cheia de esperanças. Passou pela mulher do ramo na esquina e sentiu o cheiro do seu sangue. Era doce e repleto de humanidade e pureza. Ele se deteve, olhando para o outro lado da rua. Consultou o relógio, havia tempo. Os fiéis sentiam o cheiro da humanidade, sentiam-se compelidos e confortados por ele. Aproximou-se da moça com generosidade e recebeu com paciência o olhar desconfiado que ela lhe lançara. Trocaram algumas palavras e se afastaram para o recuo escuro de um estacionamento. Gentilmente, ele a puxou pelos cabelos e mordeu seu pescoço, tomando o cuidado de não sujar a camisa social branca que escolhera para a pregação de hoje. Deixando-a caída ali, onde os moradores de rua não a roubariam, ele atravessou o Viaduto do Chá e caminhou até a Praça da Sé. Logo formou-se um quadrado de ouvintes ao seu redor, atraídos por aquele cheiro que emanava, de humanidade e pureza. Aos poucos, mais transeuntes paravam e se comoviam, sentindo que a palavra do Senhor os alcançara e que Jesus os salvaria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2520867854294772526?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2520867854294772526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2520867854294772526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2520867854294772526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2520867854294772526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/07/tive-ideia-de-fazer-um-merchan-basico.html' title='Começo de campanha'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-4156940451935819203</id><published>2011-06-26T19:38:00.000-07:00</published><updated>2011-06-26T19:54:55.943-07:00</updated><title type='text'>Promessas de semestre novo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou querendo reintroduzir a literatura na minha vida. Como fazer isso? É simples. Vou escrever aqui uma pequena lista de tipos de livros que eu quero ler até o final do ano. Quais livros? Depende. Como estabelecer cotas de leitura é algo tosco e improdutivo, resolvi começar a pensar em modalidades de livros, para depois escolher os títulos e ir atrás deles (antes que o meu exíguo cartão de crédito perca sua validade e eu pare de me deslumbrar com os sebos virtuais...).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1) Um livro de fantasia/sci-fi/terror ou afins brasileiro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero mapear um pouco o que anda sendo feito aí. Eu não sou uma insider do fandom mas tenho ouvido falar de vários lançamentos. No ano passado dei um parecer para uma editora, e não recomendei a publicação de um livro de fantasia que eu achei terrível. Quero ver se há coisa melhor por aqui. Como livro número zero da minha busca, já começado:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://editoradraco.com/2011/03/30/o-baronato-de-shoah-a-cancao-do-silencio-de-jose-roberto-vieira/"&gt;José Roberto Vieira - O Baronato de Shoah&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2) Um livro de fantasia/sci-fi/terror ou afins gringo, de autor nunca lido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque afinal de contas, nem só de Tolkien se vive nesse mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3) Um livro de fantasia/sci-fi/terror ou afins clássico&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Duna? Wheel of Time? Neuromancer? Tem vários clássicos que é uma vergonha eu ainda não ter lido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4) Um grande livro da literatura mundial&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para eu exercitar meu pedantismo nos bares. Faz tempo que eu abandonei a ambição de mostrar erudição em minha biblioteca. Mas eu não me perdoo por exemplo por ter largado o Dom Quixote no meio. Eu estava de fato gostando. Mas acho que vou pegar algo novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5) Um livro que tenha sido publicado depois de 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Up to date, man. Gente antenada é assim. \o/&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;6) Um livro de poesias de alguém que eu ainda não conheço&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;7) Um livro de contos brasileiro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gosto dos e das contistas do Brasil. Meu parco conhecimento faz com que goste mais de contistas que de romancistas daqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;8) Um livro da Virgínia Woolf que eu ainda não tenha lido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Orlando, por exemplo. Estou devendo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero ver se terei cumprido minha meta até 31 de dezembro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-4156940451935819203?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/4156940451935819203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=4156940451935819203' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4156940451935819203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4156940451935819203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/06/promessas-de-semestre-novo.html' title='Promessas de semestre novo'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2283330754131271115</id><published>2011-06-04T14:05:00.000-07:00</published><updated>2011-06-04T15:10:52.030-07:00</updated><title type='text'>Peitos de vadia, peitos de mãe, falas de peitos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje está rolando também a &lt;a href="http://www.luluzinhacamp.com/a-marcha-das-vadias/"&gt;Marcha das Vadias&lt;/a&gt;. Eu gostaria de ter ido, mas esta maldita gripe reduz meu feminismo ao sofá e à internet. Na internet então, a bola da vez são as consequências de uma má conduta do Itaú Cultural ao proibir uma mãe de amamentar no espaço da exposição. Isto rendeu um tipo de protesto chamado &lt;a href="http://www.ciadasmaes.com.br/blog/2011/06/ciadasmaes-apoia-o-grande-mamaco-nacional/"&gt;mamaço&lt;/a&gt;, e piadas infelizes de toda sorte, inclusive as p&lt;a href="http://cqc.band.com.br/videos7.asp?v=2c9f94b530439b9f01304436c059006e"&gt;iadas do CQC&lt;/a&gt; que a &lt;a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/06/cqc-anti-amamentacao-vai-pra-pqp.html"&gt;Lola criticou&lt;/a&gt; e que fez com que ela fosse &lt;a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/06/liberdade-relativa-marcelo-tas-quer-me.html"&gt;ameaçada de processo&lt;/a&gt;. Vári@s coleguinhas repassaram os links pelo facebook e afins. Achei muito interessante a sobreposição das reivindicações de vadia e mãe, já que são papeis que costumam ser opostos para o pensamento machista tradicional, mas que se referem intimamente à autodeterminação das mulheres sobre seus corpos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabadão a tarde. Eu em casa no sofá, gripada e escrevendo a qualificação. Alguns livros abertos em volta e a tv ligada para fazer barulho de fundo. Está na Globo porque depois começaria o jogo Brasil X Holanda. Antes, Luciano Huck diz fazer uma homenagem à tv japonesa e coloca três marmanjos da produção do programa para deslizar numa espécie de plataforma. O desafio é dar o impulso certo para ir de cara nos seios de uma das assistentes de palco, sem tocar nela. A moça está de kimono, com o decote à mostra das câmeras, esperando para ser atingida e avisando que pode socar o participante que exagerar, mas quando o primeiro candidato tromba com ela, ela apenas retorna à sua posição, esperando o próximo. Luciano Huck ainda faz questão de salientar que os homens estão atrás do que Deus lhe deu e o cirurgião complementou, chamando o corpo da moça de Vale do Silício. Peitos comprados. Peitos artificiais. Peitos mercadoria. Peitos bem de capital. Peitos bem de consumo. Peitos na mídia. Peitos como alvo. Peitos à mostra como ferramenta de trabalho da assistente de palco. Os homens garantem que participam do jogo pelo prêmio (uma tv de plasma), mas suas expressões denunciam que o constrangimento pelo qual passam tem um quê de tara, a mesma tara que a moça emula (como emula todos os sábados a tarde). O ganhador para rente aos peitos, fazendo biquinho. Luciano se diverte com o atrapalhamento da coisa toda. Ele está tranquilo. Ele acaba de exibir uma reportagem em que premia a família de uma das vítimas de Realengo com tantos mil reais. Ele tem a consciência de um homem bom.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No twitter ouço comentários masculinos, concordando comigo que o programa é degradante, acrescentando que não deveria passar num horário em que crianças assistem tv. Mas que eles adoraram ver os peitos. Belos peitos. Qual é o problema de exibir isto às crianças se os homens gostam? A classificação indicativa visa conteúdos de sexo e violência. É sexo usar o corpo de uma mulher como alvo de trombadas? É violência? Qual a idade certa de desenvolvimento do discernimento para isso? Afinal de contas, os homens gostaram. E se as crianças aprenderem a buscar este tipo de aprovação e de asseguração de seu valor? E se as crianças aprenderem a desejar assim? A serem assim desejadas? Os homens gostaram. Eles não estão também em formação? Não estamos o tempo todo, até morrer? Não estamos formando prazeres e taras, reforçando estímulos, ao retratarmos ou estarmos expostos a este tipo de coisa? Estamos. Ensinando a crianças e adultos algo sobre quem é sujeito e quem é objeto de desejo. Ensinando sobre os peitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou será que a brincadeira do Huck é um exercício da autodeterminação? Está a assistente fazendo o que quer quando se coloca na posição de reforçar desejos masculinos que tratam mulheres como objetos? Não pode ela ver vantagens nisso, seja pelo salário ou talvez por outras recompensas e prazeres que terá aprendido em seu trabalho? Será também sua tara esse pseudo gang bang televisionado de caras nos seus peitos, apesar de dizer que iria socá-los? É possível esta releitura individual frente a conteúdos socialmente cristalizados? Não sabemos porque a assistente não fala. Só sabemos o que ela diz com seu sorriso, sua dança, sua gestualidade. E essas três formas de enunciação se relacionam com o seu trabalho. Ela está no papel de meio, não de emissor. Pode escapar disso? Quer escapar disso? Escapar dos frutos de seus peitos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fala-se sobre sem falar-se de. A estratégia de reforçar dicotomias sem provocar polêmicas. O Caldeirão do Huck recoloca os peitos onde eles devem estar. Em exibição, para a diversão e o deleite de marmanjos que neles trombam ou sonham em trombar. Peitos na sociedade de escassez. Ele não fala de mamaço, não fala de vadias. Não fala de autodeterminação. Fala dos peitos e do que os homens podem fazer por eles e por meio deles. Talvez mulheres da produção também quisessem tvs de plasma. Talvez mulheres da produção também quisessem os peitos da assistente. Talvez quisessem o corpo de um homem. Não sabemos. Não se fala sobre isso. Os caçadores de peito são homens. Os peitos são o objeto alvo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(A propósito. O jogo foi chatérrimo. Ando cada vez mais desanimada com futebol...)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2283330754131271115?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2283330754131271115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2283330754131271115' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2283330754131271115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2283330754131271115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/06/peitos-de-vadia-peitos-de-mae-falas-de.html' title='Peitos de vadia, peitos de mãe, falas de peitos'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-8698646604857367350</id><published>2011-05-25T16:21:00.000-07:00</published><updated>2011-05-25T16:23:15.509-07:00</updated><title type='text'>Dia da Toalha</title><content type='html'>Afinal de contas, o Dia da Toalha não pode passar em branco. Especialmente porque durante a escrita da qualificação o meu mantra tem sido: DON'T PANIC!&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2s_cBMNX3I0/Td2PCGc8tJI/AAAAAAAAAQo/1Ojp2KNfBgk/s1600/toalha2011.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-2s_cBMNX3I0/Td2PCGc8tJI/AAAAAAAAAQo/1Ojp2KNfBgk/s400/toalha2011.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5610797977028048018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Pros não nerds, a referência é o Guia do Mochileiro das Galáxias)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-8698646604857367350?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/8698646604857367350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=8698646604857367350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8698646604857367350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8698646604857367350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/05/dia-da-toalha.html' title='Dia da Toalha'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-2s_cBMNX3I0/Td2PCGc8tJI/AAAAAAAAAQo/1Ojp2KNfBgk/s72-c/toalha2011.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-539777803000976022</id><published>2011-05-21T17:39:00.000-07:00</published><updated>2011-05-21T17:45:12.990-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='usp'/><title type='text'>Argumentos requentados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu queria postar isso ontem de manhã, mas meu computador pifou e só resolvi o problema bem depois. Mas são coisas que eu queria comentar em cima de uns argumentos mumificados sobre a segurança na Cidade Universitária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Ah, quem é contra a polícia no campus é comunista com a cabeça nos anos 70, pensa que ainda existe ditadura no Brasil.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa é clássica. Os motivos para temer a polícia infelizmente não terminaram com a redemocratização. Infelizmente, apesar de termos a DP 93, o DENARC perto do Instituto Butantã e um batalhão na Av. Corifeu, ao lado da USP, a única interação que temos com as polícias é no confronto e repressão de manifestações. Já que se fala tanto em polícia cidadã, deveríamos pensar primeiramente em estreitar o diálogo com as corporações, que são compostas de trabalhadores e trabalhadoras que enfrentam problemas às vezes análogos aos nossos. Porque continuamos a ter que temer a polícia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As câmeras de vigilância que muitos propõem trazem problemas pela incerteza que geram quanto aos usos da imagem captada, não porque protegem bandidos ou porque vão flagrar gente usando drogas. um contexto de mobilização política passem a captar imagens dos alunos, funcionários e professores para usar em processos administrativos, o que de antemão já inibe muita coisa. Só para ilustrar, um garoto que foi ao HU porque sofreu um corte na ocupação da reitoria teve o prontuário resgatado e sofreu processo de jubilamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Esse discurso de Território Livre é coisa de maconheiro.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como nosso reitor lembrou, não é possível vetar completamente a polícia no campus. Território Livre é uma ideia poderosa, todavia. Tem a ver com a concepção da universidade como um espaço de produção livre do debate, do conhecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se teme é o uso frequente e intimidador da força policial contra manifestações, passeatas e outras formas - maios ou menos meritosas, mais ou menos bem sucedidas - de reivindicação, especialmente em uma conjuntura em que o reitor acha que diálogo é entupir nossa caixa de email. Como fazer assembleia na frente da reitoria se, por uma alegação qualquer, vier a Tática ou o Choque “desobstruir a passagem”? Por que as forças coercivas tem sido usadas arbitrariamente contra manifestantes? quem determina qual divisão da PM é chamada em cada ocasião? A Tática e o Choque não são treinadas para proteção ou vigilância, servem para dispersar mobilizações, invadir lugares. Empurram, batem, atiram, jogam bombas de gás. Não é esta a força policial de que precisamos. A PM não é homogênea, lembrem-se!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além disso, quem conhece minimamente o campus sabe que a presença policial será muito pouco efetiva para coibir o uso de qualquer substância. Mato alto, arbusto, as pedras da Praça do Relógio, o vão dos prédios, são lugares discretos que nem câmeras nem mil homens vão dar conta de fiscalizar. E se tem gente fumando à luz do dia na Praça Ramos, imagina na USP? Por que, aliás, este é um assunto que demanda tanta atenção, se são “crimes” que não produzem vítimas per se? A Universidade está aí também para debater a razão da proibição do consumo de maconha. Especialmente por estarmos vendo o&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/919065-pm-usa-bombas-de-gas-para-dispersar-manifestacao-na-paulista.shtml"&gt; esforço do governo estadual em reprimir o debate público&lt;/a&gt;, conseguindo encontrar no Judiciário alguém suficientemente estreito que considere o questionamento das leis “apologia ao crime”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os portões não são fiscalizados, ficam abertos a noite toda pra quem quer que seja.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não são mesmo. O que os guardas das guaritas podem fazer na melhor das hipóteses é conferir a carteirinha de quem circula. Se fizerem isso no HU certamente diminuem as filas, mas condenam a população a procurar emergencialmente outros hospitais mais distantes. A lógica segregacionista da &lt;a href="http://www.edusp.com.br/detlivro.asp?ID=189453"&gt;Cidade dos Muros&lt;/a&gt; não é muito eficaz para combater e criminalidade, porém, pois no máximo a empurra para debaixo do tapete.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A USP quinze anos atrás era aberta para a população aos fins de semana, era utilizada como parque. Hoje o espaço está fechado ao público externo, mas tem sido comercializado para eventos promovidos por marcas de tênis e afins. Parece um contrasenso, não?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-539777803000976022?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/539777803000976022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=539777803000976022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/539777803000976022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/539777803000976022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/05/argumentos-requentados.html' title='Argumentos requentados'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-249124990481093714</id><published>2011-05-19T07:49:00.001-07:00</published><updated>2011-05-19T08:24:23.629-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violência'/><title type='text'>Pensar sem deixar de se chocar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrever sobre um assunto no calor dos acontecimentos sempre gera o risco de se fazer juízos prematuros e basear argumentos em informações pouco confiáveis. Mas às vezes se calar também é perder o momento em que dizer alguma coisa é relevante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Duvido que qualquer pessoa que pertença de alguma maneira à "comunidade USP" não esteja abalada com o assassinato de Felipe, aluno da FEA, no estacionamento. A morte choca por ser na USP, que parece tão apartada do mundo real dos noticiários policiais. Choca por ser um garoto jovem, esforçado, com um futuro pela frente, e não uma pessoa já "perdida para a criminalidade" nas periferias de São Paulo. Choca por ser tão próximo, pela possibilidade de ter sido qualquer um de nós ou das pessoas de quem gostamos, e não distante como um outro mundo desses que coexistem no nosso perímetro urbano. Por isso mesmo &lt;b&gt;é preciso, sem deixar de se chocar, pensar porque nos chocamos e o que isso pode despertar em termos de conclusões, sentimentos, gestos&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso é muito importante para que &lt;b&gt;não aparelhemos esta morte tão trágica e singular&lt;/b&gt; em uma série de dispositivos discursivos há muito presentes, que se municiam de palavras de ordem cristalizadas e independentes dos eventos. Nesse momento simplesmente gritar por mais segurança no campus, mais policiamento ostensivo, é conceder a própria capacidade de pensar e sentir empatia a uma lógica outra. E, mais do que tudo, é preciso pensar e sentir empatia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso questionar-se porque tem acontecido sequestros relâmpagos nas imediações dos bancos. Então, é preciso pensar que plano diretor da USP permitiu que se montasse uma Praça com uma dúzia de agências bancárias sem garantir segurança na circulação de seus funcionários e clientes. Porque se em 2011 estão acontecendo sequestros relâmpagos e a trágica morte de Felipe, em &lt;a href="http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2010/08/11/ladroes-que-fingiram-ser-estudantes-assaltam-banco-na-usp-de-sao-carlos-sp-917371684.asp"&gt;agosto de 2010 homens disfarçados de estudantes assaltaram a agência do BB no campus de São Carlos&lt;/a&gt;, e em dezembro foi a vez da &lt;a href="http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2010/12/15703-quadrilha+assalta+banco+do+brasil+da+usp+e+faz+25+refens.html"&gt;agência no campus de Bauru&lt;/a&gt;. Em 2008 agências daqui do Butantã foram assaltadas também, rendendo também uma amiga minha, bancária e na época cursando Letras. Em suma, a prevenção começa muito antes da constatação de que deveria haver mais polícia armada, mas a de pensar nos riscos potencializados pelo conglomerado de bancos em uma área grande, erma e com várias linhas de evasão para ataques organizados. Começa em discutir a real necessidade desses bancos estarem ali, e que contrapartida as instituições financeiras oferecem por construir suas agências em espaço público, gerando risco, além da grana (sic) que repassariam à USP. Antes de tirar soluções da cartola, como mais policiamento ostensivo e câmeras de segurança, sem examinar se isso seria suficiente para coibir atos criminosos e se isso não engendraria novos riscos (quem tem acesso às imagens das câmeras, com que finalidade? Que tipo de interação a polícia teria com quem circula no campus, como fazer com que eles não reproduzam os estereótipos que agridem a criminalizam os pobres e negros?). A presença dos bancos na USP não é algo dado, mas um processo razoavelmente recente, mal discutido e mal planejado. &lt;b&gt;É preciso discutir a USP em sua geografia, em sua manutenção, sua infraestrutura de locomoção, iluminação. Em suas escolhas na alocação dos espaços e terrenos.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso lembrar também que &lt;b&gt;a violência em qualquer parte não é apenas gerada de fora para dentro&lt;/b&gt;. é muito fácil fazer sempre do "outro" o inimigo, especialmente quando ele não tem cara e corpo, e qualquer "outro" pode se tornar suporte para acusações. Já começaram a apontar os dedos para a São Remo, favela que fica ao lado do campus e onde reside uma parte considerável dos funcionários da USP (dos cargos que ainda não foram terceirizados e precarizados). Esquecem-se que a USP não é feita só de professores e alunos, que existem diversas relações com a comunidade, seja pelos serviços oferecidos seja por uma questão de coexistência. Além disso, esquecem-se também de que, assim como assaltantes podem facilmente assumir a aparência de alunos, a "comunidade USP" pode praticar seus próprios crimes. Falo isso como alguém que já teve a carteira furtada de dentro da sala de aula por algum colega, mas também por saber com certa frequência de casos de ameaças, agressões e violência contra a mulher - casos que não envolvem ninguém de fora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma universidade que busca minimamente a pluralidade, ou que realisticamente enfrenta o fato de se massificar, precisa saber que &lt;b&gt;a fronteira da "comunidade USP" é intraçável, e que esta não é certamente a forma de tornar o &lt;i&gt;campus&lt;/i&gt; mais seguro&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-249124990481093714?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/249124990481093714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=249124990481093714' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/249124990481093714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/249124990481093714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/05/pensar-sem-deixar-de-se-chocar.html' title='Pensar sem deixar de se chocar'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2503084029844212660</id><published>2011-04-30T12:49:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T13:11:14.223-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='passeios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><title type='text'>Nascidas sem gps?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há um belo trecho do &lt;i&gt;Rua de Mão Única&lt;/i&gt; do Benjamin que diz:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;h3&gt;Primeiros Socorros&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um bairro extremamente confuso, uma rede de ruas, que anos a fio eu evitara, tornou-se para mim, de um só lance, abarcável numa visão de conjunto, quando um dia uma pessoa amada se mudou para lá. Era como se em sua janela um projetor estivesse instalado e decompusesse a região com feixes de luz.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quantas vezes não senti isso nos emaranhados paulistanos, quando passei a frequentar lugares que antes via só de passagem, por anos a fio muitas vezes. Penso que estou vivendo isso agora com o centro de São Paulo, já que estou estudando no Largo de São Francisco e as paisagens do Anhangabaú, Sé, República, tornaram-se cotidianas, diárias para mim. Falta-me talvez a pessoa amada no centro, pois muitas das pessoas que amo vivem nos arredores do Butantã. Mas já há um sentido vago de pertencimento formando-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu senso de direção sempre foi um sentido bastante prejudicado em mim. Reza o senso comum que meninas tem um péssimo senso de direção, em contraposição à sua capacidade de lidar com múltiplas tarefas simultaneamente. Eu acreditei nisso quando adolescente e via isso ser revelado na extrema habilidade do meu irmão em percorrer fases e telas imensas de jogos de videogame quando eu tinha sempre que acessar os mapas nos menus. Imbuída de um espírito hoje mais antropológico e feminista, pronta a suspeitar de todas as naturalizações apriorísticas de gênero, com fundamentações biológicas deveras questionáveis, eu fico me perguntando se o que não ocorre é um aleijamento de atributos que nos obrigamos a não utilizar por sermos mulheres e delegarmos a tarefa de se localizar aos XY. Uma mãe de classe média que é a motorista de sua família, tendo que levar crianças na escola, no médico, nas atividades extracurriculares e nas casas dos amigos provavelmente tem um domínio de ruas e caminhos invejável. Isso me lembra muito Hertz, em seu artigo sobre a preeminência da mão direita, examinando como culturalmente pegamos um leve traço anatômico e o exacerbamos, tornando nosso uso da mão esquerda fraco muito mais por conta de uma necessidade de categorização e hierarquização binária do que por inabilidade inata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andando pelas ruas de cidades europeias, calhou de eu me tornar constantemente a guia do meu grupo de amigos. Com o mapa de Lisboa, Barcelona, Paris e Roma nas mãos, escolhia caminhos a pé ou pela intrincada rede de metrôs dessas cidades para chegarmos aos pontos turísticos, ao hostel ou ao aeroporto. Consultava o mapa menos do que eu supunha e me&lt;/div&gt;&lt;img src="http://www.elite-view.com/art/Education/Map/aw1011~Le-Metro-de-Paris-Posters.jpg" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" border="0" alt="" /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; perdi muito pouco. Bem diferente da experiência de dois anos atrás, quando eu andei sozinha por Paris e Amsterdã. Obviamente houve treino acumulado, mas a maior mudança era a sensação confiante de certeza. E também o papel de mamãe ganso que me coube, enfileirando meus amigos e amigas atrás de mim, ciosa de não perder ninguém nos túneis fétidos do metrô parisiense ou nas ladeiras de Lisboa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses bloqueios que causamos a nós mesmos e/ou causados pelas relações socioculturais me intrigam. Parece que há uma libertação quando finalmente conseguimos estranhá-los e nos desenvolver num determinado sentido. Também quando superamos a noção de dom e talento para coisas que não exigem habilidades sobrehumanas. Espero um dia ter esse estalo quanto ao senso de ritmo, no qual eu também sou bem ruim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2503084029844212660?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2503084029844212660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2503084029844212660' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2503084029844212660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2503084029844212660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/04/nascidas-sem-gps.html' title='Nascidas sem gps?'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-8343549970695476743</id><published>2011-03-13T14:46:00.000-07:00</published><updated>2011-03-13T15:01:55.581-07:00</updated><title type='text'>Para o chá de bebê</title><content type='html'>Na farmácia do shopping. 3 perdidos.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por gentileza, onde é que eu acho chupetas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, alí no último corredor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma seção de chupetas e bicos de mamadeira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olha, tá escrito aqui. São ortodônticas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Qual é a diferença mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Acho que o bico delas é mais torto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah. Mas vocês tão vendo como a marcação de gênero já começa por aí? Só tem chupeta rosa ou azul.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Lá vai a antropóloga comprar chupeta...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas é verdade. Olha aí, só tem rosa e azul.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Qual você vai levar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Deixe-me ver. Qual você achou mais bonitinnha?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Essa aqui, de rodinhas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É azul.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas tem um detalhe vermelho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pois é. Mas é muito azul. Tem essa aqui, rosa de bolas vermelhas e verdes. Eu gostei dessa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tem que ver que essa daí é para mais de 6 meses.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nossa, ainda bem que você reparou. Tenho que levar uma de 0 a 6 meses.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Aqui do outro lado também tem chupetas. Olha, tem uma aqui com joaninhas, meio transparente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ai, essa aqui é uma graça. De cavalos marinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É azul.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que é ABS Free?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Deve ser American Babies Schizophrenia, ou qualquer coisa assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, tem uma aqui azul com um polvo vermelho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que da hora. Uma chupeta do Cthulhu!!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Agora você vai TER que levar essa chupeta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É azul.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas o que que tem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Se eu levar essa chupeta a mãe vai dizer "lá vem a antropóloga querendo desconstruir gênero". Vou ter que levar uma rosa mesmo. Depois, quando a menina crescer, eu levo ela prumas baladas LGBT. Aí sim que a mãe dela me mata.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bom, já que você não vai desconstruir gênero, qual você vai levar afinal de contas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dessas aqui, qual vocês acham mais bonita?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu gosto dessa de bolinha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu gosto dessa de rodinhas aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Acho que eu vou levar a dessa marca aqui, parece mais confortável. Eu não manjo de chupetas, nem eu nem o Leandro chupamos chupeta quando a gente era bebê.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sério? A minha irmã chupou bastante, até demorou mais para os dentes desse lado crescerem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A gente não chupou chupeta. Bom, vou lá pegar um pacote de fraldas e pagar. Eu acho que sou muito perdida para ser mãe...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-8343549970695476743?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/8343549970695476743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=8343549970695476743' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8343549970695476743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8343549970695476743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/03/para-o-cha-de-bebe.html' title='Para o chá de bebê'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-7572654460183869181</id><published>2011-03-08T13:56:00.001-08:00</published><updated>2011-03-08T15:36:51.207-08:00</updated><title type='text'>Vamos brincar de Análise do Discurso?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu ia fazer um clipping de posts, mas mudei de ideia. Vou propor um exercício, comparar dois textos relativos ao Dia Internacional da Mulher, divulgados por órgãos oficiais:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;A mensagem da presidenta Dilma Roussef, tal como &lt;a href="http://www.info.planalto.gov.br/"&gt;divulgada pela secretaria de imprensa&lt;/a&gt;. (&lt;a href="http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2011/03/08/dilma-escreve-mensagem-especial-para-dia-internacional-da-mulher/"&gt;Aqui&lt;/a&gt;, como publicada no Estadão)&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2011/relatorio/homenagem_mulher.pdf"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;A homenagem ao Dia das Mulheres do Conselho Nacional de Saúde.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo os links porque colar a mensagem inteira tornaria o post longo e ilegível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Para começar vamos falar da apresentação. A mensagem da presidenta é "&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Mensagem da Presidenta Dilma Rousseff &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;b&gt;por ocasião do Dia Internacional da Mulher"&lt;/b&gt; e &lt;/span&gt;vem em uma folha timbrada, oficial. Trata-se de um documento que institui uma &lt;b&gt;Carta de Intenções&lt;/b&gt;, um compromisso de Estado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O Conselho Nacional de Saúde tem um suave fundo azul e florido, com tulipas amarelas. Com a data (8 de março) e a legenda (Dia Internacional da Mulher) no topo, anuncia-se como &lt;b&gt;"Alma de Mulher"&lt;/b&gt;. Parece um cartão, daqueles que entregamos a alguém como um presente, uma &lt;b&gt;gentileza&lt;/b&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Entrando já no texto das mensagens, detenhamo-nos na &lt;b&gt;autoria&lt;/b&gt;. Podemos ver que a mensagem de Dilma é escrita por ela em &lt;b&gt;primeira pessoa&lt;/b&gt; e, sem se dirigir a ninguém em especial, nem mesmo às mulheres, a carta fala ao Brasil sobre o Brasil. Uma mulher expõe as suas visões e as assume como dela. A &lt;b&gt;objetividade&lt;/b&gt; da carta repousa justamente em ter a perspectiva de suas ideias definida de saída. "Meu objetivo fundamental...".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O texto do Conselho de Saúde é uma espécie de poema, sem rima nem métrica, descrevendo a mulher "que...". &lt;b&gt;É assinado apenas pelo órgão, mas não reflete o seu papel institucional&lt;/b&gt;. O poema não apresenta um "eu lírico". Suas palavras são como verdades eternas, boas e belas, universais. E nesse tom universalizante, de uma objetividade abstrata, contém palavras por quem &lt;b&gt;ninguém se responsabiliza&lt;/b&gt;. É uma homenagem, não é uma mulher falando e nem tampouco fala às mulheres. A mulher é um objeto, como os vasos gregos dos parnasianos, destinada a ter seus &lt;b&gt;atributos enumerados em terceira pessoa&lt;/b&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O texto da Dilma é marcadamente &lt;b&gt;histórico&lt;/b&gt;. Fala da pobreza do Brasil, com sua cara feminina. Fala de políticas que unem redistribuição e reconhecimento (ahá, Nancy Fraser!). Faz uma crítica do real por meio do possível, como nítido no final da carta. A cara feminina da pobreza não é eternizada, naturalizada, ou essencializada. É o locus de intervenção de uma política.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O texto do Conselho de Saúde, &lt;b&gt;essencialista&lt;/b&gt;, começa por &lt;b&gt;encerrar a mulher na contraditoriedade e na falta de racionalidade&lt;/b&gt;, como se isso fosse o seu destino. Depois prescreve a &lt;b&gt;indulgência&lt;/b&gt; com os erros alheios enquanto não pode admiti-los em si (e como todos erramos, encerra a mulher em suas faltas). Descreve a &lt;b&gt;maternidade e a vaidade&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; (vaidade para o leito, para os olhos daquele que não a notará!) &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;como marcas essenciais, e as dores que disso decorrem como algo a ser levado sem queixas (a mulher, este ser altruísta e passivo, que tudo suporta em prol dos outros). O Conselho de Saúde diz que &lt;b&gt;ninguém ouvirá&lt;/b&gt; as queixas das mulheres, embora ela deva ouvir a todos. E, depois de tantas definições e compreensões, ainda termina sublinhando que não podem compreender as mulheres. Em nenhum momento, perguntam-se se elas tem alguma compreensão a oferecer. Afinal, a &lt;b&gt;homenagem não é uma interlocução&lt;/b&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Por fim, acho que cabe ressaltar os &lt;b&gt;dispositivos inclusivos&lt;/b&gt; no texto de Dilma. A primeira pessoa do plural, a idéia da proteção como uma tarefa de todos e todas. A consciência de que há muito por fazer e o &lt;b&gt;caráter propositivo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;E o lado &lt;b&gt;idealizante&lt;/b&gt; da homenagem do Conselho Nacional. Homenagem que não homenageia, que prega a resignação. Que diz o que a &lt;b&gt;mulher (assim, no singular)&lt;/b&gt; é, e por consequência estabelece o que não deve ser, e traça uma &lt;b&gt;fronteira&lt;/b&gt; para aquelas que não são mulheres (aquelas que não são dóceis, aquelas que não podem ou não querem filhos, aquelas que não se enfeitam ou perfumam para o leito, aquelas que às vezes não são fortes para sustentar as lágrimas de outros).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro texto me dá forças, porque reconhece o que há por fazer ainda e afirma a vontade de fazê-lo. Embora na prática o poder público seja muitas vezes um obstáculo, acreditamos que ele não é estanque. Que podemos melhorá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O segundo texto me dá náuseas. Fico pensando que o Conselho Nacional de Saúde deveria ser o primeiro a afirmar compromissos, como vencer o desafio da violência de gênero que ocorre no cotidiano dos hospitais, muitas vezes intercruzada com preconceitos de classe e racismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Feliz Dia Internacional das Mulheres a tod@s aqueles/aquelas com boa vontade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-7572654460183869181?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/7572654460183869181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=7572654460183869181' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7572654460183869181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7572654460183869181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/03/vamos-brincar-de-analise-do-discurso.html' title='Vamos brincar de Análise do Discurso?'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-6301739951826302441</id><published>2011-03-07T15:12:00.000-08:00</published><updated>2011-03-07T15:54:26.787-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos pseudo-biográficos'/><title type='text'>Esta mulher gosta de rosas (na verdade, eu sou doida por lírios)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.flowerpicturegallery.com/d/9703-2/Peach+arrangement+with+lily_+peach+roses+and+white+flowers+with+glass+vase+picture.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 186px; height: 200px;" src="http://www.flowerpicturegallery.com/d/9703-2/Peach+arrangement+with+lily_+peach+roses+and+white+flowers+with+glass+vase+picture.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falei para o meu psicólogo hoje que eu estou nostálgica. Estou mesmo, na hora não percebi, mas tenho certeza que é por causa do carnaval. Porque eu sempre assistia os desfiles com o meu pai,  madrugada adentro. Não lembro se o resto da família curtia, acho que o Leandro assistia junto de vez em quando, e nós acompanhávamos na quarta feira de cinzas a apuração, ele torcendo para a Camisa, eu para a Vai Vai. Agora ponta firme mesmo na hora dos desfiles éramos eu e meu pai que como bom curintiano das antigas, torcia para a Vai Vai também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não comentei essa coisa de assistir desfiles com o meu pai para o psicólogo. Comentei ontem com o Jão, que eu até tinha escrito uns sambas-enredos aos 10 anos de idade, e ficava viajando em carros alegóricos e talz. CarnaNerd, pois é.&lt;/div&gt;&lt;img src="http://ecx.images-amazon.com/images/I/41iZwIbFPbL.jpg" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 230px; height: 252px;" border="0" alt="" /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre as nostalgias, lembrei que amanhã é Dia Internacional das Mulheres, que vai ter &lt;a href="http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/wp-content/uploads/protesto-bloco-Adeus-Am%C3%A9lia.jpg"&gt;bloco Adeus, Amélia&lt;/a&gt; para a mulherada, concentrando no final do Minhocão e talz. As feministas normalmente preparam posts caprichados para o 8 de Março, muitas vezes em um exercício de desconstrução de práticas de deslegitimação que operam de modo aparentemente inofensivo. Vamos aguardar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas enfim, como sujeito histórico, capaz de significar meus próprios gestos; ou pessoa "na teia de significados que ela mesma teceu" para ficar em termos mais weberianos; acho fino dar e receber flores do Dia das Mulheres. O esforço de desconstrução tem também que ser propositivo, e de preferência gostoso também. Celebrante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu era pequena meu pai enchia a casa de flores do Dia das Mulheres. Íamos comprá-las nas floriculturas do cemitério da Cardeal e fazíamos os arranjos em casa, nos vasos de estanho, antes da minha mãe chegar do banco. Ou seja, meu pai recebia a mulher vinda do serviço com flores (e uma janta legal, também). Ele fez isso até ficar doente. E por ser Dia das Mulheres eu também tinha direito ao meu vasinho. #significa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-6301739951826302441?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/6301739951826302441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=6301739951826302441' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6301739951826302441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6301739951826302441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/03/esta-mulher-gosta-de-rosas-na-verdade.html' title='Esta mulher gosta de rosas (na verdade, eu sou doida por lírios)'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-6369121575806857916</id><published>2011-03-06T08:29:00.000-08:00</published><updated>2011-03-06T12:14:27.276-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><title type='text'>Os habitantes não-humanos da minha casa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das coisas mais ingênuas do Ocidente é que, ao colocar o homem no centro de todas as coisas, passou-se a achar que só os humanos tem agência. E a vida nos prova cotidianamente que isto não é verdade, que somos o tempo todo atravessados por outras forças que podem não ter o mesmo tipo de volição que nós temos, mas que nos olham, agem e reagem à nossa presença, e também entre si.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda casa possui muitos habitantes além dos seres humanos. Aliás, a própria fronteira entre os humanos e a casa é muito porosa, uma vez que deixamos pela casa nossas velhas cascas, &lt;a href="http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/cientistas-descobrem-do-que-e-feita-a-poeira-domestica-20100219.html"&gt;pedacinhos de pele morta que compõem a poeira doméstica&lt;/a&gt;. Aqui em casa, uma república com um contínuo entra e sai de moradores e moradoras, hóspedes mais ou menos permanentes, namorad@s e peguetes, deve ser sempre possível encontrar uma amálgama de amostras de dna entre as frestas do piso, formando a matéria prima para algum tipo de magia simpática. E além da pele os fios de cabelo - de modo geral, minha casa tem sido uma casa de cabeludos - que conseguem ir se encontrando pelo chão e formando pequenos &lt;b&gt;tumbleweeds&lt;/b&gt;, como em um filme de faroeste, girando pelo chão da casa até encontrarem as fibras implacáveis de uma vassoura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas há os &lt;b&gt;habitantes não humanos&lt;/b&gt;, deixando rastros de sua presença que não são assim tão orgânicos, mas deveras materiais. Hoje, por exemplo, quando me levantei de manhã encontrei a pia da cozinha e a mesa cobertas de louça suja, muito mais louça do que dois ou três seres humanos são capazes de produzir. Uma mente cerceada pela racionalidade ocidental moderna olharia para aquilo, pensaria que é um trabalho de acúmulo, como um sítio arqueológico de sambaquis. Mas sabemos que isto não é verdade, porque a casuística me obriga a lembrar que ontem de manhã eu também lavei louça enquanto esquentava água para o café. Uma mente apavorada pelos demônios cotidianos que vem tentar homens e mulheres afastando-os do caminho do Senhor poderia pensar que a cozinha precisa é de um bom exorcismo e chamaria seu padre ou pastor. Mas sabemos que a entidade que suja a louça enquanto dormimos é inofensiva, mesmo que ecologicamente incorreta por nos fazer gastar mais água e sabão. &lt;b&gt;A louça que amanhece na pia é responsabilidade de um danado de um saci&lt;/b&gt;. Frustrado por não ter crinas de cavalo para dar nó, leite para talhar ou carvão em brasa para brincar, o saci vem de noite e suja a nossa louça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além do saci, minha casa é constantemente visitada por &lt;b&gt;São Longuinho, o santo mercenário&lt;/b&gt;. Eu demorei um pouco para perceber a presença de São Longuinho, porque o saci também tem a fama de esconder as coisas. Mas logo eu percebi que havia um conluio do saci com outra entidade, e que só podia ser São Longuinho. Coisas sumiam constantemente, mudavam de lugar - pen drives, chaves, isqueiros, abridor de latas, carregador de celular. Algumas delas reapareciam, mas só quando era tarde demais. Se fosse responsabilidade do saci, eu teria que jogar uma peneira em seu redemoinho e roubar sua carapuça. Mas São Longuinho é um santo capitalista, consegue entender um denominador comum, quantitativo e abstrato para as trocas. Sua moeda são os pulinhos que prometemos toda vez:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;São Longuinho, são Longuinho&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Se você devolver meu cartão do banco&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Eu dou 3 pulinhos&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São Longuinho se tornou ambicioso aqui em casa, um terreno perfeito para suas atividades comerciais. Começou a sumir sistematicamente com um monte de coisas. E só devolvia se eu aumentasse o número de pulinhos. Logo logo eu estaria até entrando em forma só para pagar São Longuinho. Decidi dar o calote nele e ele sumiu com o meu RG uns dias antes de eu viajar no Natal. Achei-o anteontem, junto com os meus alicates de unha. Nisso, já tinha tirado um novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra moradora daqui de casa é a&lt;b&gt; fantasma que mora no banheiro&lt;/b&gt;, na privada mais especificamente. Seu nome é &lt;b&gt;La Cantante&lt;/b&gt;, e ela é uma alma atormentada, constantemente em busca de atenção. Quando a gente puxa a descarga, ela nos dá alguns momentos de paz, mas basta a caixa da privada encher que ela começa o seu lamento agudo e estridente, parecido com uma chaleira amplificada. A mente ocidental obviamente já percebeu que se trata de ar escapando pela bóia. Mas nós sabemos que abrir a caixa e puxar a válvula da privada para ela silenciar é apenas uma maneira de confortar La Cantante, para que ela nos deixe em paz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um outro morador fantasmagórico não está mais entre nós. Trata-se do&lt;b&gt; espírito que assombrava o quarto de frente para o banheiro&lt;/b&gt;. Ele morava lá e exalava um cheiro meio forte, cheiro de roupa suada com mofo. O &lt;b&gt;espírito fedido&lt;/b&gt; esteve lá por sucessões de moradores, mas foi embora quando o Jão se mudou para cá. Ou então está escondido, esperando uma oportunidade de se manifestar novamente. Afinal de contas, ele é incômodo mas é como se fosse da família.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-6369121575806857916?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/6369121575806857916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=6369121575806857916' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6369121575806857916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6369121575806857916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/03/os-habitantes-nao-humanos-da-minha-casa.html' title='Os habitantes não-humanos da minha casa'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-3749751972441382108</id><published>2011-03-03T20:16:00.000-08:00</published><updated>2011-03-03T20:38:47.882-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='direito'/><title type='text'>Matutações fefelechentas sobre Direito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O professor de Direito Constitucional falou em aula uma coisa hoje que me fez pensar. Ele estava pincelando como os casos passam de uma instância a outra, até chegar ao STF, que trata supostamente apenas de matéria constitucional. E então ele comentou que, ao contrário de outros países, no Brasil o STF não simplesmente determina como a Constituição deve ser interpretada, mas acaba responsável por julgar os casos. E aí vem o &lt;a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-stf-entre-os-direitos-individuais-e-a-repressao-ao-crime?utm_source=twitterfeed&amp;amp;utm_medium=twitter"&gt;Jorge Hage&lt;/a&gt; e fala que o STF é conivente, porque é garantista demais, etc. Nem vou entrar no mérito dos habeas corpus que o Gilmar Mendes andou soltando por aí... como o dos acusados da morte do cacique Veron. É muito meandro aí no meio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque o que o professor falou que me chamou a atenção é que os casos que vão para o STF são julgados por todos os ministros (11) ou pela metade deles (5). E cada um deles produz um voto, elaborando aquelas justificativas de mais de cem páginas. E a resolução se dá pelo cômputo dos votos, considerando a posição de cada ministro, mas não se tem uma posição da instituição STF. E entre o sim e o não, cada ministro pode ter motivos e fundamentações muito diversos. Ou seja, segundo o professor, as resoluções do STF não fornecem um caminho que pode ser estendido para outros casos futuros, o que contribui para as incertezas jurídicas e para o afogamento de trabalho do STF, cujos 11 membros julgam por ano mais de cem mil casos. O professor era claramente contra esse método, e comentou en passant que as decisões da Suprema Corte americana, cujas funções não são análogas ao STF, nunca passavam das 40 páginas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu entendo a preocupação do professor com a eficácia. Ah, se entendo. Mas eu acho que ele está errado. O problema não são os votos individuais e suas longas páginas de fundamentação. Eles são o que há de mais evoluído no processo. Porque, afinal de contas, essas páginas supostamente derivam de estudos, de pesquisas, de consultas a atores sociais interessados na matéria. O erro é personalizar cada voto, achando que é apenas aquele ministro que fala por ele. Em cada um desses votos há um enorme conflito de forças, de práticas e discursos, quer o tema seja a Lei de Biossegurança ou o casamento homoafetivo. Posso estar dando aquela derrapada habermasiana/pollyanna aqui, mas esses longos votos meio esotéricos podem muito bem ser um locus de debate na esfera pública. E eu acho que o professor erra justamente por considerar que se trata apenas de julgar e operacionalizar julgamentos. Se a discussão não ajuda a julgar, não serve. O professor erra ao não considerar o debate público em uma instância legitimada. Ainda que ele tenha falado da tensão entre norma e moral em aula, parece que moral é uma escolha entre algumas dadas opções, e não um campo de disputas e coalizões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro, isso mereceria mais pesquisa e leitura da minha parte. Mais claro ainda, não terei tempo para fazer isso a curto prazo. Mas fiquei pensando...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-3749751972441382108?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/3749751972441382108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=3749751972441382108' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3749751972441382108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3749751972441382108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/03/matutacoes-fefelechentas-sobre-direito.html' title='Matutações fefelechentas sobre Direito'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-6832644045986967713</id><published>2011-02-28T07:53:00.001-08:00</published><updated>2011-03-01T08:41:24.341-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Juízos, Pondérações e Efeitos - um pouco de feminismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, pela primeira vez em mais de uma semana, eu consegui dormir bem. Tanto que deixei de fazer algumas coisas pela manhã para poder ficar na cama, para poder escrever com menos tempo mas com a cabeça mais fresca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei e recebi três links pelo facebook: um de um novo &lt;a href="http://luizfelipeponde.wordpress.com/2011/02/21/femmes-aux-hommes/"&gt;artigo&lt;/a&gt; do Pondé, uma &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI214409-15230,00.html"&gt;reportagem&lt;/a&gt; sobre o juiz que considera a lei Maria da Penha diabólica e uma &lt;a href="http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,imagens-da-discriminacao,684886,0.htm"&gt;entrevista&lt;/a&gt; com uma socióloga que avalia o caso da escrivã agredida pelos colegas em uma revista, à luz da violência de gênero. Achei a sequência muito significativa. As opiniões defendidas pelo filósofo Pondé e pelo juiz Rodrigues são de modo geral as mesmas. Ambas tem um relativo poder de estimular e endossar posições semelhantes às suas, poder calcado no capital simbólico acumulado pela posição do primeiro na academia e como colunista da Folha (sic) e do segundo como juiz, hermeneuta dos direitos de nossa sociedade. E o terceiro texto revela alguns dos efeitos dessas opiniões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O filósofo Pondé e o juiz Rodrigues reivindicam o direito de &lt;b&gt;falar em nome das mulheres&lt;/b&gt;. Eles alegam saber o que as mulheres querem, mais do que as próprias mulheres e principalmente mais do que as feministas, que de acordo com o primeiro "não entendem de mulher" e com o segundo promovem um movimento "socialmente perigoso" em um mundo que "é masculino e assim deve permanecer". Ambos alertam para o perigo do homem que é "emocionalmente frágil" (Rodrigues)  ou "covarde, ainda que seja covarde em nome dos direitos femininos" (Pondé), homem este que será rejeitado pelas mulheres por ser mole, tolo, incapaz de protegê-las (Rodrigues), frouxo, não corajoso e portanto pouco atraente (Pondé).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses jogos semânticos são bastante curiosos, em que pesem seus efeitos nefastos. Claro, é papel de todo discurso colonizador &lt;b&gt;negar a existência do outro&lt;/b&gt; por meio da inscrição de características nesse outro. E é também o grande terror do colonizador que o colonizado o substitua e se torne como ele, como tão bem admite Pondé quando afirma que os homens tem medo da mulher, "medo da infidelidade, da impotência, do ridículo" - medo que a mulher se torne senhora de suas escolhas. Este medo só permite que mulheres sejam entendidas à luz do próprio homem, e não da trajetória, das ambições e volições das mulheres.&lt;b&gt; Todo discurso colonizador polariza&lt;/b&gt;, nesse caso homens X mulheres. Polarizando, ele invisibiliza o que está entre, as relações, aquilo que constitui as imagens e identidades que estão nos polos, pois só se &lt;i&gt;é&lt;/i&gt; em contraposição a alguma coisa, ao ser reconhecido pelo outro. O discurso colonizador sabe disso, precisa desse outro desesperadamente para não desvanecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Lei Maria da Penha está &lt;b&gt;no meio&lt;/b&gt;, e não nas polarizações. É criada para defender as mulheres porque percebe que nas relações dadas há uma vulnerabilidade do lado das mulheres, e justamente por ser criada na sensibilidade das relações pode até mesmo ser aplicada a homens. A pesquisa da Fundação Perseu Abramo, que conclui que a cada dois minutos cinco mulheres são agredidas, detecta também agressão a homens, que podem a princípio buscar proteção judicial. Conheço pessoas que conduziram os questionários dessas pesquisas, muitas vezes com dificuldades enormes de poder ficar a sós com essas mulheres, que gesticulavam afirmativamente acerca das agressões enquanto negavam verbalmente, sob a sombra de seus maridos/companheiros. O discurso colonizador &lt;b&gt;retira as vozes&lt;/b&gt;, invisibiliza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jogos semânticos. Para Pondé e Rodrigues, os &lt;b&gt;homens emocionalmente frágeis&lt;/b&gt; são aqueles que não temem as mulheres como sujeitos de direitos, que não temem suas vozes e vontades. Que não temem sua inteligência. Porque o discurso de Pondé a Rodrigues só pode perceber uma relação como uma disputa pela supremacia, como uma situação colonial. Dominar ou ser submetido. O contra-discurso não é aquele que apenas inverte simetricamente a relação, embora o discurso colonizador seja demasiado míope para percebê-lo, entendendo-o apenas como um feminismo "que não nos deixa ser homens", pensando a categoria "homem" como dotada de uma &lt;b&gt;essência&lt;/b&gt;, de uma ontologia para além de qualquer conjuntura histórica, fora de qualquer relação "dialética" ou "complexa" ou "em redes".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O contra-discurso é algo utópico, o que ele busca é &lt;b&gt;a ação dentro das relações&lt;/b&gt;. É aquele que enxerga os homens agressivos, violentos, prepotentes, misóginos como emocionalmente frágeis, ainda que numa posição de supremacia. O contra-discurso é aquele que tenta oferecer a pluralidade no lugar dos essencialismos, as coalizões no lugar das disputas. O contra-discurso sabe que no tecido social é preciso políticas para o opressor tanto quanto para os oprimidos. É um contra-discurso que busca elaborar sistemas de justiça e mediação de conflitos que não sejam meramente punitivos, mas educativos e criadores. A Lei Maria da Penha não quer enfraquecer chefes de família, quer &lt;b&gt;fortalecer a família na pluralidade de suas manifestações&lt;/b&gt;. Quer mudar a cultura da polícia e dos órgãos do judiciário para que eles reconheçam as assimetrias existentes não como uma natureza, uma essência a ser reproduzida; mas como um fator suscetível à ação humana, à recomposição por sujeitos históricos em franco debate.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Pondé tem razão em uma coisa: mulheres erotizam a inteligência no homem. E por um milhão de motivos. Mulheres dentro do discurso colonizador podem se sentir protegidas, enquanto sofrem todo tipo de agressão dentro de casa. &lt;b&gt;Mulheres empoderadas&lt;/b&gt;, nas linhas de fuga do discurso, percebem na inteligência masculinas nós virtuais para o &lt;b&gt;exercício da liberdade&lt;/b&gt; nessas linhas. E para essas mulheres, a inteligência masculina é reconhecida especialmente pela capacidade de superar o discurso colonizador que os cobre de privilégios, mas que também corroe sua existência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-6832644045986967713?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/6832644045986967713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=6832644045986967713' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6832644045986967713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6832644045986967713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/02/juizos-ponderacoes-e-efeitos-um-pouco.html' title='Juízos, Pondérações e Efeitos - um pouco de feminismo'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-4282632086650790681</id><published>2011-02-27T20:04:00.000-08:00</published><updated>2011-02-27T20:05:42.800-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>Integrity</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Adrienne Rich&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;the quality of being complete; unbroken condition; entirety&lt;br /&gt;~ Webster&lt;br /&gt;A wild patience has taken me this far&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as if I had to bring to shore&lt;br /&gt;a boat with a spasmodic outboard motor&lt;br /&gt;old sweaters, nets, spray-mottled books&lt;br /&gt;tossed in the prow&lt;br /&gt;some kind of sun burning my shoulder-blades.&lt;br /&gt;Splashing the oarlocks. Burning through.&lt;br /&gt;Your fore-arms can get scalded, licked with pain&lt;br /&gt;in a sun blotted like unspoken anger&lt;br /&gt;behind a casual mist.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The length of daylight&lt;br /&gt;this far north, in this&lt;br /&gt;forty-ninth year of my life&lt;br /&gt;is critical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The light is critical: of me, of this&lt;br /&gt;long-dreamed, involuntary landing&lt;br /&gt;on the arm of an inland sea.&lt;br /&gt;The glitter of the shoal&lt;br /&gt;depleting into shadow&lt;br /&gt;I recognize: the stand of pines&lt;br /&gt;violet-black really, green in the old postcard&lt;br /&gt;but really I have nothing but myself&lt;br /&gt;to go by; nothing&lt;br /&gt;stands in the realm of pure necessity&lt;br /&gt;except what my hands can hold.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nothing but myself?....My selves.&lt;br /&gt;After so long, this answer.&lt;br /&gt;As if I had always known&lt;br /&gt;I steer the boat in, simply.&lt;br /&gt;The motor dying on the pebbles&lt;br /&gt;cicadas taking up the hum&lt;br /&gt;dropped in the silence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Anger and tenderness: my selves.&lt;br /&gt;And now I can believe they breathe in me&lt;br /&gt;as angels, not polarities.&lt;br /&gt;Anger and tenderness: the spider's genius&lt;br /&gt;to spin and weave in the same action&lt;br /&gt;from her own body, anywhere --&lt;br /&gt;even from a broken web.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The cabin in the stand of pines&lt;br /&gt;is still for sale. I know this. Know the print&lt;br /&gt;of the last foot, the hand that slammed and locked the door,&lt;br /&gt;then stopped to wreathe the rain-smashed clematis&lt;br /&gt;back on the trellis&lt;br /&gt;for no one's sake except its own.&lt;br /&gt;I know the chart nailed to the wallboards&lt;br /&gt;the icy kettle squatting on the burner.&lt;br /&gt;The hands that hammered in those nails&lt;br /&gt;emptied that kettle one last time&lt;br /&gt;are these two hands&lt;br /&gt;and they have caught the baby leaping&lt;br /&gt;from between trembling legs&lt;br /&gt;and they have worked the vacuum aspirator&lt;br /&gt;and stroked the sweated temples&lt;br /&gt;and steered the boat there through this hot&lt;br /&gt;misblotted sunlight, critical light&lt;br /&gt;imperceptibly scalding&lt;br /&gt;the skin these hands will also salve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-4282632086650790681?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/4282632086650790681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=4282632086650790681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4282632086650790681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4282632086650790681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/02/integrity.html' title='Integrity'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1575979878070090070</id><published>2011-02-23T08:00:00.001-08:00</published><updated>2011-02-23T08:42:54.579-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><title type='text'>Recapitulando e planejando</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou tentando diagnosticar o meu cansaço. É sério. Meu sono anda meio tumultuado, mas acho que isto é mais consequência do que causa. Quando eu estou cansada eu tenho sonhos em que fico discutindo com meio mundo. É um mecanismo de autoirritação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho a sensação de que não parei desde o ano passado. Mas isso não é verdade, eu tirei uns 4 dias para bundar da frente da tv. E enquanto a Isa estava aqui também tivemos uns dias de lazer, além de ter pintado a casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que meu corpo está se revoltando contra a produtividade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde o final do ano passado, eu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Terminei as matérias do mestrado, fazendo seminários e entregando dois papers de 20 páginas cada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Terminei a licenciatura, graças aos céus, embora eu tenha entregue o trabalho atrasada. Matei as últimas horas de estágio também. Amém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fiz os relatórios do NAPEDRA, do PAE e do departamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Terminei o estágio do PAE, debatendo os cerca de 40 trabalhos da graduação, corrigi uns quantos fazendo longos comentários por escrito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Peguei meu diploma de bacherel em Ciências Sociais e solicitei a colação de grau de licenciatura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fiz FUVEST, primeira e segunda fase. E passei nessa budega, na gloriosa posição de 397 do curso de Direito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fiz a matrícula na SanFran sem tomar trote.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Com a comissão da Ponto Urbe colocamos a edição de dezembro no ar (isso mais graças ao Carlão e seu nativo imaginário).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Traduzi o Up, Across and Along, do Tim Ingold; e o Cutting the Network, da M Strathern.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fiz uns corres também em função do NAU e do NADIR, reuniões, textos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Assisti a defesa do Rafa, mas perdi a da Tati, da Luisa e da Pierina (da Pi eu pelo menos fui na janta depois).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fui passar o Natal no sul, com mamãe, vovó, irmão, cunhada, sobrinho, comadre, afilhada e prima sul-africana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Faxinei loucamente os armários da cozinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Festa de ano-novo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Recebi minha comadre e pintamos o apartamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Recebi visita das amigas da Carol, a sueca e a colombiana.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Recebi o mais novo morador da Taverna, mr. Jones...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fui com o Marcola duas vezes vistoriar a reforma da casa do meu pai e negociar preços com o locatário tough.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Passei uma semana no sul fazendo companhia para vovó enquanto ela se recuperava da infecção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Engordei 2kg (embora as pessoas estejam dizendo que eu emagreci. Quem sou eu para desmenti-las?).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Peguei uma infecção também, que já é praxe. Antibióticos e só alegria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estou no corre de organizar a ida pra Europa - passagens, hostel, cartão internacional pra gente não ser barrado na Espanha,  etc.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Corri atrás de financiamentos para o congresso em Portugal que não rolaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Renovei meu passaporte holandês.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fui na Marcha contra a Homofobia, mas furei com os protestos contra o aumento da passagem. Só apoiei virtualmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estou assistindo o julgamento dos acusados pela morte do cacique Veron, no MS em 2003. Menos hoje, que eu fiquei em casa resolvendo rolo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que é isso. Agora a minha To Do List está assim:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Reunião do NAPEDRA amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ler os textos do NADIR para a reunião de sexta-feira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Escrever a proposta para a RAM. Estou pensando no GT 52 - &lt;i&gt;Perspectivas antropológicas sobre rupturas na vida cotidiana: imagens, narrativas e memórias de crises sociais&lt;/i&gt;. Pensar o caso Aline como crise social em Ouro Preto. Mas é muita viagem... outra opção é GT06 - &lt;i&gt;Antropologia da Cultura escrita&lt;/i&gt;. Discutir os autos do processo. Prazo: 03/03&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Escrever a proposta para o CONLAB. Será sobre o RPG &lt;i&gt;Desafio dos Bandeirantes&lt;/i&gt;, a noção que carrega sobre identidade nacional, negritude, quilombos,etc. Este será em parceria com a Rebeca. Prazo 14/03&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Traduzir o &lt;i&gt;Points of Contact Between Theatre and Anthropology&lt;/i&gt;, do R Schechner, para a Cadernos de Campo. Prazo: 17/03&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Escrever o paper para o congresso em Portugal. Esta é &lt;a href="http://www.nomadit.co.uk/sief/sief2011/panels.php5?PanelID=800"&gt;minha proposta&lt;/a&gt;. Prazo: 01/04&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Terminar de resolver a viagem para Portugal com a galera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Começar a escrever minha qualificação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minhas aulas na SanFran começam semana que vem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe o quê? Depois de ficar usando meu blog de agenda, acho que vou tirar um cochilo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1575979878070090070?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1575979878070090070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1575979878070090070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1575979878070090070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1575979878070090070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/02/recapitulando-e-planejando.html' title='Recapitulando e planejando'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2721752707764026826</id><published>2011-02-10T11:35:00.000-08:00</published><updated>2011-02-10T12:28:53.815-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>Cisne Negro (spoilers)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem eu cheguei do sul e para não pegar ônibus lotado de mochilão, decidi enrolar no Shopping Boulevard Tatuapé e assistir &lt;b&gt;Cisne Negro&lt;/b&gt;, que algumas pessoas colocaram num pedestal e outras odiaram. Em um filme de grande repercussão, as coisas tendem a se polarizar. Se fosse um filme pouco badalado, seria meramente apreciado ou esquecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso que eu tinha boas expectativas com o filme. Era para ser um filme de &lt;b&gt;terror&lt;/b&gt;, passando-se numa companhia de &lt;b&gt;balé&lt;/b&gt;, com a &lt;b&gt;Natalie Portman&lt;/b&gt; (que a gente nerd ama por ser a Rainha Amidala e eu amo por ter feito Alice/Jane em Closer) e com uma &lt;b&gt;cena lésbica&lt;/b&gt;. O trailer parecia interessante também, as &lt;b&gt;rivalidades&lt;/b&gt; entre as bailarinas em um cotidiano marcado por várias formas que oscilam entre &lt;b&gt;a dor e o sublime&lt;/b&gt;. Maaaas a minha boa vontade foi logo mitigada pela imagem ruim da sala do Cinemark, que retirou um pouco do impacto visual da cena de abertura, um trecho do Lago dos Cisnes executado na escuridão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se seguiu foi um &lt;b&gt;filme intencionalmente provocante&lt;/b&gt;, talvez apelativo. Em vários momentos ele tende a ser preto e branco em sua fotografia, obscurecendo as outras cores. &lt;b&gt;Tchaikovsky&lt;/b&gt; entra e sai de cena, executado por um piano, um violino ou por toda a orquestra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O filme me incomodou bastante, e eu fiquei conjecturando sobre qual era o problema. Muito havia sido falado sobre a &lt;b&gt;personagem&lt;/b&gt; da Natalie, &lt;b&gt;Nina&lt;/b&gt;. Nina é filha de uma ex-bailarina que abandonou uma carreira pouco bem sucedida, mas que apresenta um futuro mais promissor. É uma garota &lt;b&gt;tímida&lt;/b&gt;, com dificuldades de se colocar, e Natalie empresta a ela uma voz fina e chorosa, sempre pronta a se romper diante de Thomas, o diretor, de sua mãe ou das outras garotas. Thomas a pressiona a &lt;b&gt;ser menos técnica e se entregar&lt;/b&gt; à dança e aos seus avanços sexuais, para que possa interpretar tanto a Rainha dos Cisnes quanto o Cisne Negro. Seguindo o &lt;b&gt;clichê da garota perfeccionista sempre sob pressão&lt;/b&gt; de si e dos outros, Nina tem a sua coleção de &lt;b&gt;rituais autodestrutivos&lt;/b&gt;, que envolvem arranhões e bulimia. Isso torna a vigilância de sua mãe ainda mais opressiva. Ao mesmo tempo, Nina dá sinais de estar perdendo o controle: tem pequenas alucinações visuais, pesadelos e &lt;b&gt;desintegração do eu&lt;/b&gt;. Para não haver dúvidas acerca disso, o diretor opta por cenas de &lt;b&gt;espelho&lt;/b&gt;, aproveitando o cenário dos treinos. Meio óbvio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O duplo de Nina na história é &lt;b&gt;Lily&lt;/b&gt;, bailarina recém chegada e pouco disciplinada. Lily fala o que lhe dá na telha, dá em cima do corpo de dança e sai para a balada. Lily fascina Thomas e Nina, e torna-se sua substituta. Nina sente-se perseguida por Lily, e também atraída. Há toda uma &lt;b&gt;tensão sexual&lt;/b&gt; entre as duas, e entre cada uma delas e Thomas, que tem a fama de ficar com as solistas. Thomas exige que Nina se &lt;b&gt;masturbe&lt;/b&gt;, para experimentar o próprio &lt;b&gt;corpo&lt;/b&gt;, este corpo que ela mesma exaure e agride profissionalmente em seus treinos e sapatilhas, em seu cotidiano de esforços. E que machuca escondida. &lt;b&gt;Sexo e dor&lt;/b&gt;, temas deveras psicanalíticos. Aliás, acho que de fato a cena de sexo entre as duas é a melhor do filme, pois é enfim uma cena de &lt;b&gt;êxtase&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia ser um grande tema, proporcionando grandes alegorias. A &lt;b&gt;automutilação&lt;/b&gt; é constituída desse jogo obsessivo de &lt;b&gt;ganhar e perder o controle sobre si&lt;/b&gt;. É um exercício de poder sobre o corpo, submetendo-o e sendo submetido por ele. De sentir e deixar de sentir. Causar e selecionar sensações, orquestrá-las e desarranjá-las. Para alguém como Nina que tem esses processos de despersonalização, é uma forma abrupta de reamarrar-se, mas ao mesmo tempo provoca um distanciamento, como o de &lt;b&gt;quem exerce a violência para com quem a sofre.&lt;/b&gt; Mas o filme opta por buscar o desconforto no impacto visual de peles sendo arrancadas, unhas quebradas e choros engolidos. Essa oscilação que é tanto buscada, perde-se. Não há a euforia ou o alívio, o brilho do carrasco e a sujeição da pele. Não há &lt;b&gt;intimidade&lt;/b&gt; no gesto. Nesse sentido, &lt;i&gt;Aos Treze&lt;/i&gt; dá de dez a zero. Nina termina o filme dizendo que "sentiu", mas nós não sentimos junto com ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O contraponto entre as duas garotas, o tema do &lt;b&gt;duplo/nemesis&lt;/b&gt;, funciona mal. Ele tenta se colocar, ao que parece, como uma oposição apolínia/dionisíaca entre Nina e Lily. (E também entre Nina e Beth, a solista a quem ela substitui, que é descrita como uma mulher intensa, enquanto Nina seria a garota frígida). O Cisne Branco e o Cisne Negro. Para poder tornar-se o &lt;b&gt;cisne negro&lt;/b&gt;, Nina sente sinais de corrupção, deve tornar-se como Lily e aniquilá-la, enquanto se sente substituída e aniquilada por Lily. Mas em busca de &lt;b&gt;ambiguidades e incertezas&lt;/b&gt;, o roteirista ou o diretor nos impedem de ter uma impressão forte de Lily, se ela é ou não uma garota ambiciosa, talentosa ou irresponsável. Nina se &lt;b&gt;despersonaliza&lt;/b&gt; diante de várias pessoas; de sua mãe, da ex-solista que é abandonada por Thomas e sofre um acidente de carro. A Rainha dos Cisnes é uma princesa aprisionada por um feitiço em um corpo de cisne, que só pode ser libertada pelo amor de um príncipe. Nina sente todo tipo de constrições sobre si, mas o filme faz questão de afirmar que é dela mesma que ela deve se libertar. E no final, nessa insistência nas incertezas, não sabemos bem se o &lt;b&gt;último ato&lt;/b&gt; de Nina é o do Cisne Negro, matando a &lt;b&gt;rival&lt;/b&gt;, ou o do Cisne Branco, suicidando-se em busca de &lt;b&gt;libertação&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os &lt;b&gt;efeitos especiais&lt;/b&gt; contribuem para tornar o filme bonito, especialmente a tatuagem de Lily durante o sexo e as asas do Cisne Negro na estréia. Mas às vezes fica meio &lt;b&gt;grotesco&lt;/b&gt; também (no mau sentido), como na noite anterior à estréia em que Nina sente seus joelhos dobrarem do avesso. O roteiro do filme definitivamente não ajuda. O filme não é &lt;b&gt;sórdido&lt;/b&gt;, mas também não é &lt;b&gt;angustiante&lt;/b&gt;. Entre tantas expressões de poder e &lt;b&gt;entrega&lt;/b&gt;, buscas pela perfeição e &lt;b&gt;transcendência&lt;/b&gt; e quedas no mundano, Cisne Negro se mostra meramente fraco. Fraco de personagens e fraco de enredo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2721752707764026826?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2721752707764026826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2721752707764026826' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2721752707764026826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2721752707764026826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/02/cisne-negro-spoilers.html' title='Cisne Negro (spoilers)'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2383157329781253305</id><published>2011-02-04T14:13:00.000-08:00</published><updated>2011-02-11T13:09:17.011-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos pseudo-biográficos'/><title type='text'>Familiar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os antropólogos, como quaisquer outros profissionais eu suponho, são fascinados por algumas idéias e expressões, que recuam e avançam conforme a maré. Recuam e deixam vestígios, avançam e recobrem traçados. Entre estas recorrências está a discussão sobre o familiar e o exótico, por entre mediações, traduções, etc. Familiar e exótico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TUyEITNpGTI/AAAAAAAAAPE/YwTh5EfCiMk/s320/churras.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569972117281773874" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu venho para a casa da minha vó, onde morei por quase cinco anos, nunca sei bem se estou indo para o familiar ou o exótico. Tudo pode parecer bastante familiar por aqui - o calor intenso do verão que faz o rio baixar; o relógio de parede da cozinha que controla o tempo da casa e os nossos apetites (já é hora da janta?); o barulho da máquina de cortar grama vindo de fora; as vizinhas e vizinhos vindo resolver assuntos com a minha avó e atualizar das notícias das redondezas (estão procurando um vazamento no sistema de canos, então a água tem sido desligada de madrugada; a vizinha da frente está grávida do primeiro filho; a filha mais velha da outra vizinha foi para a serra ajudar na roça de fumo; o posto de saúde está cheio de pessoas de cerca de 60 anos com problema de pressão e diabetes). As crianças estão um pouco maiores, os adultos um pouco mais velhos, algum vizinho velhinho morreu e algum bebê nasceu. Minha mãe conta causos do coral e das aulas de música. Minha vó reconta suas lembranças, variando estrategicamente certos detalhes. Meu irmão caminha pelo assoalho a passos largos e introspectivos, fazendo o sino da cristaleira soar. Minha cadela morreu em 2009, mas o pequeno cão da minha avó ainda gosta de achar cantinhos estreitos para dormir o dia todo e se recusa a comer quando encontra apenas ração no pote. Seu pote de água, aliás, continua a ser disputado pelos sapos como um ofurô particular. O anoitecer ao ar livre continua sendo proibitivo, por causa das hordas de pernilongos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu fico me perguntando se eu estranho estar aqui. Não há muito o que fazer durante a tarde, pois nessa época o calor não deixa ler confortavelmente por muito tempo e minha mãe e avó costumam tirar suas sestas. Agora minha mãe colocou um roteador, então não há mais muita disputa pelo uso do computador, estamos todos munidos de um laptop. É familiar também ficar assistindo Jornada nas Estrelas, as temporadas que minha mãe tem em dvd ou, agora, via tv por assinatura. O tempo é meio arrastado, os dias à espera uns dos outros, e eu fico um pouco impaciente para voltar para casa em São Paulo, apesar de lá também ficar bastante dentro de casa, na frente do computador. Aqui, apesar do tamanho do sítio, ficamos bastante dentro de casa. Às vezes eu acho que o que eu mais estranho é o quanto tudo é familiar. E, entretanto, minha vida em São Paulo é bastante diferente. Lá, sinto falta das pessoas daqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui, sinto falta das pessoas de lá. Mas eu sinto falta de São Paulo. Não sinto falta de Rio Pardinho. Acho que é aquela coisa do &lt;i&gt;be-longing&lt;/i&gt;. Ser, sentir falta e pertencer no mesmo verbo. Isso, só em São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TUyEiUSNYyI/AAAAAAAAAPM/pID5e_dlzNY/s320/twitter.jpg" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569972564245963554" /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Eu ainda ligada no twitter&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2383157329781253305?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2383157329781253305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2383157329781253305' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2383157329781253305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2383157329781253305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/02/familiar.html' title='Familiar'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TUyEITNpGTI/AAAAAAAAAPE/YwTh5EfCiMk/s72-c/churras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2026347469145313069</id><published>2011-01-21T16:13:00.001-08:00</published><updated>2011-01-21T16:40:30.795-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comida'/><title type='text'>Powered by food</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não sei se já comentei isso aqui no blog, mas uma vez uma tia minha (antropóloga) disse que eu mapeio a cidade pelos lugares em que eu posso comer. Isso é a mais pura verdade, especialmente porque eu adoro comer e detesto cozinhar. Faço questão de gastar o mínimo possível em roupas, acessórios, contas e tranqueiras para poder ter sobra de dinheiro e comer na rua. E me contento com o pf da esquina, com o temaki do posto de gasolina, mas adoro também ir em Pinheiros no ristorante La Trattoria comer uma truta ou uma massa fresca ou no El Kabong cometer excessos amparada por uma frozen marguerita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das minhas antigas estratégias de estudo, aliás, é enfiar meus livros, xerox e cadernos na bolsa e ir até a Paulista, sentar a bunda no Center 3 e passar a tarde lendo, subornando meus esforços com uma comida de shopping e um filme no fim do dia, em geral no Belas Artes, cinema de rua que subiu no telhado. Eu não vejo meus amigos da USP zanzando, como quando eu fico estudando na FFLCH, mas de modo geral até que rende bem. Se eu ficasse na Augusta mais tarde ia vê-los todos apinhados em frente a algum boteco, mas a Augusta me dá uma puta preguiça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu tenho visitas de fora, a família do sul ou da gringolândia, o pessoal da internet, etc. eu tenho uns roteiros paulistanos a propôr. Que invariavelmente envolvem comer. Levo os turistas na Liberdade, para comer tempurá, mandyu e ir no restaurante por quilo da praça se entupir de sushi - alguns preferem comprar bugigangas, procurar dvds de anime, mas de modo geral o povo topa a comilança. Levo também no Mercado Municipal, para experimentar frutas do norte, queijos da gringolândia e se empanturrar com pastel de bacalhau ou sanduíche de pernil. Com sorte a gente consegue experimentar um monte de coisas de graça, especialmente se não conversamos em português na frente dos vendedores - eles adoram os gringos. Então passeamos por São Bento, Sé, Anhangabaú, CCBB, praça da República... eu faço graça com o churrasco grego mas não tomo o risco, como eu fazia antigamente. Com sorte, dá para bater aquela feijoada ainda, embora isso acabe com a nossa motivação para caminhar. Ultimamente incluí a 25 de março no roteiro, mas até agora não achei algo bom de comer por lá, só ambulante vendendo chocolate proveniente de roubo de carga, que eu não compro por razões éticas. Mas dessa última vez, comprei um caderno com pôster do Justin Bieber pra minha afilhada de 8 anos (sic).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz anos que eu não levo ninguém no Ibirapuera. Eu passo fome no Ibirapuera. Não tem mais carrinho de cachorro quente por lá, e a lanchonete perto da Marquise sempre está infernalmente cheia. Consequentemente, faz tempo que não vou no MAM, na Oca, no Planetário e nem fui na Bienal (tá, não foi por causa de comida, foi desorganização mesmo...). Porém, eu fui ao Ibirapuera para ver Metropolis com a Jazz Sinfônica tocando ao vivo, uma das coisas mais legais que fiz no ano passado. Valeu cada segundo famélico!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu gosto de fazer os turistas experimentarem coisas. Os primos da gringolândia em outubro foram entupidos de açaí e pastel de carne seca. Com a minha comadre aqui, fomos num rodízio japonês, com os amigos do RPG. A Isabel aprendeu rapidinho a comer de pauzinho, o que comprova minha teoria de que hashi é um instrumento para destros. Dos montes de peixes crus e afins, camarões, guiozas e shimejis, o que ela gostou mais foi o sorvete Melona, que é coreano. Mas depois ela experimentou mandyu e gostou também. Rá. E está levando salgadinhos de camarão para o sul. Uma pizza tipicamente paulistana também entrou na roda, bem como um chinês delivery. Já o suco de cupuaçu que tomamos na Sé tava meia boca, não é que nem em Belém, infelizmente, só tem de polpa. Hoje fomos comer camarão de shopping, já que eu não consegui comprar camarão no Roldão para fazer strogonoff em casa. Falei das novas frescuras paulistanas: os frozen yogurts e os cupcakes, mas a gente não foi provar. Ainda bem, pois eu acho que a relação custo-benefício não é lá essas coisas. Mas amanhã vamos numa Casa do Norte. Yeah, baby!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2026347469145313069?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2026347469145313069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2026347469145313069' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2026347469145313069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2026347469145313069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/01/powered-by-food.html' title='Powered by food'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-8024665821867647823</id><published>2011-01-14T15:41:00.001-08:00</published><updated>2011-01-14T16:09:23.779-08:00</updated><title type='text'>Mediocridade no desespero</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, por causa das chuvas, eu nem fui pra USP. Terminei o meu último trabalho do mestrado aqui mesmo. Meus trabalhos de faculdade são sempre mais sintomas que reflexões teóricas, eles resultam daquelas inquietações que eu tenho quando leio os textos e que eu não consigo resolver, de modo que meus trabalhos oscilam entre um tom mais assertivo e longos fichamentos dos autores. É o principal assunto que eu trato com o meu psicólogo, essa coisa da escrita. Descobri que não rende muito falar de traumas, de passado. É Lacan, afinal de contas, temos que conversar sobre o que é estruturante. ;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ficando em casa, assisti mais televisão e mais reportagens sobre as enchentes em SP e no RJ. Aventei uma outra hipótese vendo as performances dos repórteres. Fiquei pensando que no fundo os jornalistas não sabem muito o que fazer na situação de calamidade. Se eu fosse coordenador de curso de jornalismo, eu faria uma cadeira sobre isso: "cobertura de calamidades, catástrofes e crises". Porque o que eles fazem é ofensivo, enfileirando a desgraça das pessoas como se compusessem um código de barra para a leitura do problema. É ofensivo mostrarem luto após luto, um parente, quarenta parentes, depois filmarem um cachorro enlameado e uma boneca caída. E eu comecei a pensar que talvez isso nem seja completamente responsabilidade dos executivos das redações, mas é fruto do material que é produzido, captado, gravado pelos repórteres. E só o que eles sabem fazer é interromper pessoas em suas tentativas de reagir aos acontecimentos. É mostrar closes de lágrimas, zooms de rachaduras. Posso estar enganada, mas acho que este é um elemento importante, a falta de preparo dos jornalistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque contar tragédias individuais, claro, não permite que se entenda o problema estruturalmente. Não dá conta dos processos que armaram a situação vulnerável, não se mostrar o velhinho falando que mora lá há 20 anos e não deixar que ele conte como o bairro se transformou, como a paisagem foi alterada e sob quais circunstâncias. Mas também não faz jus à vida dessas pessoas, vivas ou mortas, que estão sendo mostradas. Não dá conta do destino delas, ou sequer de ampará-las de alguma forma. Gente que viu gente morrendo sob escombros, levada pela correnteza. E o repórter perguntando: É difícil? Chama a Maria Rita Kehl na redação, porra, para falar de pós-trauma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu vi umas matérias elencando postos de arrecadação de alimentos e mostrando o trabalho interno dessas organizações. Por que um repórter não fez uma matéria ainda acompanhando alguma mulher caminhando por algum bairro, de porta em porta para organizar a coleta entre vizinhos, otimizando a coleta de doações com uma lista do que é mais importante para este momento? Não estou nem falando de política partidária, governamental. Estou falando de fazer algo útil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E claro que a partir daí seria útil questionar como as cidades se planejavam para isso, como a Defesa Civil era organizada e capaz de se integrar as redes locais. Seria bom verificar por que as represas estavam com 97% da capacidade em época de chuva, de modo a serem obrigadas a abrirem as comportas e inundar Franco da Rocha, avisando a população com poucos esclarecimentos e orientações e sem muita antecedência. Seria interessante falar sobre zoneamento, políticas públicas de habitação, periferização, etc. Mas eu nem estou ambicionando tanto... mas esses jornalistas parecem não conseguir pensar o básico. Só constatar os desafios de andar na lama e parecer elegante enquanto eles mostram a marca do nível de água na parede e fazer voz penosa ao enfileirar os afligidos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-8024665821867647823?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/8024665821867647823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=8024665821867647823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8024665821867647823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8024665821867647823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/01/mediocridade-no-desespero.html' title='Mediocridade no desespero'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-593446359541184378</id><published>2011-01-13T14:20:00.000-08:00</published><updated>2011-01-13T14:38:44.052-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Longo prazo...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tema da redação da FUVEST este ano era a possibilidade de altruísmo e pensamento a longo prazos no mundo contemporâneo, a ser elaborado a partir de uma citação de Burle Marx e de trechos de análises bastante cataclísmicas de Bauman e Lipovetsky. Eu rejeito os diagnósticos pessimistas desses pensadores, assustados pela sociedade de consumo, o hiperindividualismo e o escambau. E escrevi isso, falando sobre hibridismo, pós-colonialismo, fragmentação, coalizões não baseadas em políticas de identidade e em novos movimentos sociais. Mas, pensando bem, talvez esta não seja a resposta mais conveniente à pergunta...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava lendo agora esta entrevista com &lt;a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/erminia-maricato-os-prisioneiros-da-especulacao-imobiliaria.html"&gt;Ermínia Maricato&lt;/a&gt; no Ví o Mundo. É de um contraste gritante com a cobertura televisiva das tragédias decorrentes das chuvas de verão. A professora da FAU fala na falência das leis, dos planos diretores e de zoneamento que só regulam o mercado do qual mais de dois terço das pessoas e famílias, e das habitações, estão excluídas. Fala em défict de moradia, num urbanismo que só funciona em abstrato, e na questão fundiária que é completamente ignorada quando se fala de cidades. As políticas industriais, os órgãos públicos, todos os atores envolvidos não estão preocupados em viabilizar, ela conclui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cobertura dos telejornais elabora álbuns de sofrimento no rosto dos pobres, histórias familiares dramáticas acerca dos ricos. Escancara a lama e as rachaduras, mostra vias alagadas, e na melhor das hipóteses exibem um infográfico do deslocamento das massas de ar úmido e do deslizamento das encostas. A cobertura sempre igual serve para gerar nas pessoas a sensação de que o problema é sempre o mesmo, ocupações irregulares, falta de fiscalização e de planejamento. Se não muda a abordagem, parece que o problema não muda. E os sentimentos sensibilizados não movem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez a resposta seja essa. Deixando de lado a noção romântica de altruísmo que apela para o senso comum mais raso (e talvez conveniente para vestibulandos fabricados em cursinhos), o pensamento a longo prazo só faz sentido se for pensado de forma a viabilizar estruturalmente demandas. Como incluir na cidade os moradores que estão fora do mercado, fragilizados pelas relações de produção, que promovem a autoconstrução como a única alternativa, e que são sistematizamente excluídos das práticas políticas urbanas. E vale pro resto também, a questão da viabilidade...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-593446359541184378?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/593446359541184378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=593446359541184378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/593446359541184378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/593446359541184378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2011/01/longo-prazo.html' title='Longo prazo...'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-4587854488404174809</id><published>2010-11-29T18:38:00.000-08:00</published><updated>2010-11-29T18:51:48.591-08:00</updated><title type='text'>Rumo às Arcadas?</title><content type='html'>Atualização rápida, que eu estou no ritmo de fim de semestre:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiz a 1a fase da FUVEST esse domingo, prestando vestibular pra Direito. A prova da 1a fase tinha 90 questões de múltipla escolha, sendo 16 de Português, 10 de Biologia, Física, Geografia, História, Matemática e Química, 5 de Inglês, e 9 questões interdisciplinares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No total acertei 58 questões, um pouco menos de 2/3 do total. 2 pontos a menos do que a nota de corte do curso de Direito do ano passado (que foi 60). Dizem que este ano a prova foi mais difícil e a nota de corte deve cair. Mas dizem isso todo ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O engraçado foi a minha distribuição de acertos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Interdisciplinares 7/9&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Geografia 9/10&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inglês 5/5&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Biologia 5/10&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Física 3/10&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Matemática 2/10&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Química 2/10&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;História 9/10&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Português 15/16&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem preciso dizer que Química, Física e Matemática eu nem me dei ao trabalho de resolver, né? Com exceção de um exercício de Física sobre enriquecimento de urânio que era bem óbvio, o resto eu chutei tudo numa letra só. Para não zerar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra coisa curiosa é que em novembro de 2003, quando eu tinha 17 anos e estava saindo do colégio, eu acertei 64 de 100. Fazendo uma regra de 3 meio tosca...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;64 - 100&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  x - 90&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; x = 58 (+ ou -)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou seja, 7 anos depois, o mesmo resultado. Não sei se o Ensino Médio não fez diferença mesmo na minha vida, ou se foi a faculdade... hehehehe (mas em 2003 eu tentei resolver todos os exercícios. Tanto é que agora eu terminei a prova no tempo mínimo, em 2003 no tempo máximo).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-4587854488404174809?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/4587854488404174809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=4587854488404174809' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4587854488404174809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4587854488404174809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/11/rumo-as-arcadas.html' title='Rumo às Arcadas?'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-7591909096204199304</id><published>2010-11-25T15:45:00.000-08:00</published><updated>2010-11-25T19:38:12.606-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desastre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><title type='text'>Sa(o Pau)lo - 120 Dias de Sodoma reloaded</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sei que deveria estar agora fazendo parte da blogagem coletiva pelo #FimdaViolenciaContraaMulher, mas acho que minhas amigas feministas tem feito e publicado boas reflexões, trocado boas referências, etc. Não que o assunto esteja esgotado, pelo contrário. Mas é que hoje aconteceram umas coisas meio insólitas e eu acabei querendo comentar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz uns dois meses que eu estou com piriri (que é a palavra fofa para caganeira), fato notório graças às minhas constantes resmungações ao vivo e pela web. Não foi esta a vida de rainha com a qual eu sonhei. Melhora, piora, alguns dias bem, outros dantescos. Como toda brasileira que se preze, tentei resolver pelos métodos caseiros: fibras, ameixas, água de coco pra rehidratar. Depois, parti para a automedicação e comprei Floratil, que são cápsulas que deveriam restituir minha flora intestinal. Com o escalonamento do problema, procurei os serviços do muy eficiente Hospital Universitário, e depois de duas horas na fila da emergência e umas apertadas rápidas no interior de uma consulta de dois minutos, saí com uma receita de Ciprofloxacina, velho conhecido antibiótico das minhas infecções urinárias. Nada. Uns dias de descanso, uns dias de produção intensa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na terça-feira, abandonando a aula de Teorias Antropológicas Modernas (na qual se discutia - ironicamente - o livro &lt;i&gt;Property, Substance and Effect: Anthropological Essays on Persons and Things&lt;/i&gt;, da Marilyn Strathern) para fazer um rodízio de privadas no prédio da Ciências Sociais, decidi dar um basta nisso e procurar um médico. Depois de ligar para várias pessoas, em busca de indicação, acabei encontrando pela internet o telefone de um médico em Pinheiros que se dispôs a me atender hoje, quinta-feira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saio eu de uma aula sobre África do Sul pós-apartheid e pego o famoso Pedrão (702U – Terminal Parque Dom Pedro II/Butantã USP) lotado até a Av. Henrique Shaumann. No meio do caminho, o mundo desaba num toró inesperado, que me fez chegar ensopada ao sobrado do consultório. Lá a recepcionista começa a preencher a minha ficha e diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A consulta tem o valor de 300 reais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha, eu não tenho este dinheiro comigo. Você tem uma máquina de cartão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então como eu faço? Posso passar aqui amanhã na hora do almoço?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É que você tem que parar agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu olho para fora. Chove a cântaros, chove copiosamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas eu teria que sacar dinheiro nessa chuva...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tem um caixa 24 Horas no posto de gasolina da Rebouças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Se estou num consultório médico, é porque estou doente. Logo, ficar pegando chuva não é legal." A recepcionista espera a minha reação, com a ficha de paciente interrompida, como que a dizer que se eu não pagasse o doutor não me veria. Resignada saí na chuva e encontrei o posto, com uma agência do Santander. Como o caixa se recusou a ler o meu cartão do BB, tive que usar o cartão do Santander para pedir um empréstimo e pagar a maledeta consulta. Voltei determinada a ficar pingando na Sala de Espera, para me vingar da recepcionista, mas logo que cheguei ela me disse para subir a escada e procurar o Doutor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bato na porta e sou recebida por um homem um pouco mais baixo que eu, na casa dos 60 e um cavanhaque grisalho. Chamando-me alternadamente de Aninha e de Princesa ele me convida a sentar. "Céus, estou numa obra de construção civil" pensei em relação ao adjetivo; "pra você ver, Ana, como falta de cortesia não tem nada a ver com classe e escolaridade". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O escritório tem uma mesa de madeira entalhada e outros móveis obviamente caros, além de uns vasos longos e finos. Em uma mesa de canto, cuidadosamente compondo o cenário, estão livros grossos de Gastroenterologia e Cirurgia de Ânus. Acima dessa mesa, uma pintura retrata uma varanda na qual uma mulher negra belíssima exibe seu corpo nu languidamente para a observação e o deleite do pintor (e de quem ve o quadro, consequentemente). "A princesa talhada para a observação masculina" penso, sentindo o ambiente cada vez mais deplorável. Sobre a mesa há uma estatueta em pedra sabão que penso ser de um animal,  mas depois percebo que retrata uma mulher de quatro, nua e prostada, com a bunda empinada para cima. Certamente veio de brinde com o livro de cirurgia anal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O médico me pergunta qual o problema e eu vou explicando do piriri, usando um vocabulário técnico, frio e classista para ver se ele parava de me chamar de princesa e para mostrar para ele que eu não sou desinformada. Logo de cara, ele me pergunta se eu tenho problemas emocionais. "Ah, claro, tô nervosa e caguei!", mas respondi:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, doutor. Eu faço análise com um psicanalista lacaniano, mas sou uma pessoa muito tranquila. Não estou em um momento de estresse. Minha vida está indo bem, estudo, trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, é  porque entre os jovens existe uma coisa muito comum que é a chamada Síndrome do Intestino Irritável, que dura dois ou três meses, depois some por um tempo e volta em outra fase da vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Desculpa, doutor. Estou pagando 300 paus e não vou engolir um diagnóstico de fundo emocional. Culpe a coca-cola, culpe os salgados da Tia Bia, culpe o café e a Skol, o McDonalds ou o sushi do posto de gasolina. Culpe a higiene de meu namorado. Culpe a instabilidade climática!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, doutor, de fato eu não acho que houve nenhum tipo de processo emocional que poderia ter desencadeado isso nos últimos tempos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vencido, ele me examinou, apertou aqui, auscultou alí, passou exame de sangue e de fezes (pra quem vai fazer o exame da FUVEST no domingo, exame de fezes não é nada!), um monte de recomendações e um monte de remédios. Ao ouvir as minhas queixas financeiras, recomendou-me laboratórios com tabelas de preços mais acessíveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Com os exames prontos, você volta, princesa. Tchau, Aninha, até logo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo-o a sós com a peladona da pintura e a bunduda da pedra sabão pensando que eu jamais deixaria este cara sozinho com uma criança... menos pelo risco à integridade física e sexual, e mais pelo desserviço à formação delas. Espero a chuva passar em um boteco em que um bêbado diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você é judia e eu sou o Rei dos Judeus. Vai dar tudo certo. Eu amo você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que bom. Eu precisava mesmo de um pouco de otimismo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-7591909096204199304?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/7591909096204199304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=7591909096204199304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7591909096204199304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7591909096204199304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/11/sao-paulo-120-dias-de-sodoma-reloaded.html' title='Sa(o Pau)lo - 120 Dias de Sodoma reloaded'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-7585397673822220999</id><published>2010-11-01T15:53:00.000-07:00</published><updated>2010-11-01T15:55:06.822-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Para constar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TM9FKKv6prI/AAAAAAAAAOk/vQ3-SdMHnqY/s1600/voto.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 165px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TM9FKKv6prI/AAAAAAAAAOk/vQ3-SdMHnqY/s400/voto.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534718508047967922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TM9E_AXe7tI/AAAAAAAAAOc/bpwGrr1-g4o/s1600/voto.JPG"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;O voto das minhas terras&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-7585397673822220999?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/7585397673822220999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=7585397673822220999' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7585397673822220999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7585397673822220999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/11/para-constar.html' title='Para constar'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TM9FKKv6prI/AAAAAAAAAOk/vQ3-SdMHnqY/s72-c/voto.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1768123881789460791</id><published>2010-11-01T15:14:00.000-07:00</published><updated>2010-11-01T15:29:06.043-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violência'/><title type='text'>Ganhamos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daí que baixou a &lt;b&gt;autocensura&lt;/b&gt; de novo. &lt;b&gt;Dilma ganhou&lt;/b&gt;, depois de meses de muito &lt;b&gt;esforço&lt;/b&gt;, muito &lt;b&gt;debate&lt;/b&gt;, muitos &lt;b&gt;links&lt;/b&gt; (e &lt;b&gt;desaforos&lt;/b&gt;) trocados, muita coisa na balança. É preciso dizer alguma coisa, mas o quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou entre rompantes de &lt;b&gt;felicidade e esperança&lt;/b&gt; e arrepios de &lt;b&gt;temor&lt;/b&gt;. Com o perdão do trocadilho já batido, há muito o que Temer nesse novo governo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daí vem as &lt;b&gt;análises&lt;/b&gt; na minha cabeça, e a consciência de que eu não tenho competência para fazê-las. É o que eu coloquei no Facebook, para a galera comentar. Pensar o PT nesse novo governo a partir das "suas alianças, suas concessões, o desenvolvimentismo perigoso assumido, a timidez em relação a agendas dos movimentos sociais...".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu acho tão, mas tão importante uma &lt;b&gt;mulher ser presidenta&lt;/b&gt;. Uma mulher que se fez, como Dilma se fez. Não morro de amores por Dilma. Não é disso que se trata. Mas é foda... nesse país tão &lt;b&gt;anti-igualitário&lt;/b&gt; como o nosso, em que cada passo para o &lt;b&gt;amadurecimento&lt;/b&gt; dos debates é seguido por dois passos para trás, para &lt;b&gt;clivagens reacionárias&lt;/b&gt;. E ainda assim temos fôlego para, com esse &lt;b&gt;voto conservador&lt;/b&gt;, fazer um nordestino ser sucedido por uma mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que é isso, no fim das contas. &lt;b&gt;Ganhamos fôlego&lt;/b&gt;. Ganhamos energia para lutar por &lt;b&gt;reconhecimento&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;redistribuição&lt;/b&gt;. Para &lt;b&gt;reduzir todas as formas possíveis de violência&lt;/b&gt;. Ganhamos tempo para tentar &lt;b&gt;frear as ondas neo-con&lt;/b&gt; que dão às caras agora. Ganhamos velhas e novas sendas, velhas e novas missões. Seguramos um pouco mais a pedra de &lt;b&gt;Sísifo&lt;/b&gt;, antes que rolasse montanha abaixo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1768123881789460791?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1768123881789460791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1768123881789460791' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1768123881789460791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1768123881789460791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/11/ganhamos.html' title='Ganhamos'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-8052474907768301164</id><published>2010-10-27T14:34:00.000-07:00</published><updated>2010-10-27T15:17:41.659-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violência'/><title type='text'>Na escola e na UNESP</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia dessas, na escola em que faço estágio, observo uma cena. é o terceiro ano do EM, e &lt;b&gt;meninos e meninas&lt;/b&gt; &lt;b&gt;sentam-se meio separados&lt;/b&gt;, as garotas na diagonal mais próxima da mesa do professor, e os garotos na diagonal oposta, ao fundo da sala. Há um &lt;b&gt;mínimo de mistura&lt;/b&gt;. Uma garota loira senta-se próxima ao fundo, próxima dos meninos que passam as aulas a conversar ou fazer coisas jocosas uns com os outros, sempre com o risco mais ou menos controlado de virar &lt;b&gt;briga&lt;/b&gt;. Mas &lt;b&gt;em conjunto os garotos zoam a garota&lt;/b&gt;, pegam suas coisas, puxam seu cabelo. Ela faz caras e bocas, responde, queixa-se, mas age como se estivesse &lt;b&gt;ganhando atenção&lt;/b&gt; por ser a mais &lt;b&gt;popular&lt;/b&gt; da sala. Se tenta zoar de volta, os garotos automaticamente &lt;b&gt;se unem&lt;/b&gt; para zoá-la ainda mais. Trata-se de &lt;b&gt;subjugá-la&lt;/b&gt; afinal. Num dado momento, dois deles torcem os braços dela para trás, não o suficiente para machucar, mas o bastante para que ela se torça, imobilizada. O professor, que já tinha &lt;b&gt;advertido verbalmente &lt;/b&gt;algumas vezes para que ela e eles parassem de fazer barulho, manda soltarem a garota e dá uma &lt;b&gt;bronca nela&lt;/b&gt;, dizendo que &lt;b&gt;ela não deveria deixar&lt;/b&gt; que fizessem essas coisas. Ela responde que é uma só, e é uma garota. Ao longo da aula, a garota se divide em tentar realizar sua tarefa e ceder às provocações dos garotos, às vezes esparramando-se na cadeira com um sorriso no rosto. Ela é &lt;b&gt;indulgente&lt;/b&gt;, acha graça nas provocações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto é &lt;b&gt;bullying&lt;/b&gt;? É, talvez seja. Mas simplesmente classificar como bullying é falhar em perceber o que uma cena como essa significa. A violência aqui não se dirige a alguém fraco, excluído na sala. Este misto de &lt;b&gt;jocosidade e risco&lt;/b&gt; que compõe a &lt;b&gt;zoeira&lt;/b&gt; entre os garotos e entre eles e a"gata" da sala é um modo de ao mesmo tempo&lt;b&gt; incluir&lt;/b&gt; (na panela da bagunça) e &lt;b&gt;delimitar&lt;/b&gt; o seu lugar, aí sim &lt;b&gt;subalterno&lt;/b&gt;. Porque ela é uma garota a ser &lt;b&gt;conquistada&lt;/b&gt;, com toda a ambiguidade que a palavra conquista carrega, &lt;b&gt;misto de sedução e persuasão com violência&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O professor, por sua vez, ao reclamar com todos da mesma maneira, não chama a atenção para o que ali está sendo &lt;b&gt;consolidado como sentido&lt;/b&gt;. Mulheres tratadas como objeto, no limite. (embora eu prefira a oposição agente/paciente que sujeito/objeto). Se uma mulher se deixa ser tratada assim, ela é considerada &lt;b&gt;tão culpada quanto&lt;/b&gt; o homem que xinga, torce, bate. A garota vai aprendendo que é &lt;b&gt;assim que se é desejada&lt;/b&gt;, os garotos que assim é o jeito de conquistar e de &lt;b&gt;medir forças&lt;/b&gt; entre eles. Na zoeira, na jocosidade, há sempre o risco do uso da força, e os garotos tem uma boa noção de quem vai bater e quem vai apanhar entre eles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí no InterUNESP alguns alunos decidem fazer um &lt;a href="http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fcotidiano%2F820901-alunos-universitarios-agridem-colegas-da-unesp-em-rodeio-de-gordas.shtml&amp;amp;h=87840"&gt;"Rodeio de Gordas"&lt;/a&gt;, agredindo as garotas. No twitter, a @francinebarbosa comenta que "bullying é coisa de colégio. O que aconteceu na Unesp, na USP e na Uniban foi feito por adultos, então é &lt;b&gt;crime de ódio e agressão&lt;/b&gt;". Fato, e os responsáveis devem ser processados e punidos por crime de ódio. E me perdoem os juristas, mas se para aplicar a lei se deverá &lt;b&gt;tipificar todos os tipos de ódio&lt;/b&gt; possíveis e manifestos, (gênero,sexualidade, raça, etc, etc) a lista vai ficar &lt;b&gt;maior que o dicionário&lt;/b&gt; antes que se possa punir alguém. A lei deve ser &lt;b&gt;abrangente&lt;/b&gt; justamente para compreender que hoje o ódio foi contra mulheres gordas, ontem na ECA foi contra homens gays, e por aí vai. Porque o ódio vai se esconder nas &lt;b&gt;frestas &lt;/b&gt;que se deixa abrir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E educa-se para esse ódio aí, nas &lt;b&gt;cenas de escola&lt;/b&gt;, na &lt;b&gt;complacência&lt;/b&gt; de professores e outros profissionais, porque quanto a evitar &lt;b&gt;reproduzir preconceitos&lt;/b&gt; dessa natureza eu chutaria que as famílias mais atrapalham que ajudam. No primeiro caso, não sei se o professor (de sociologia) parasse tudo e começasse a &lt;b&gt;discutir gênero&lt;/b&gt; seria o modo mais efetivo, mas não se pode deixar barato. No segundo caso, é óbvio que a direção da UNESP tem que ter cautela com as denúncias, para não subtrair o &lt;b&gt;direito de defesa&lt;/b&gt; dos acusados. Mas não pode deixar de entender essas denúncias como o que elas são: &lt;b&gt;crimes&lt;/b&gt;, sujeitas a instalação de &lt;b&gt;inquérito&lt;/b&gt;. Segundo a Folha, a &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/821340-promotoria-abre-procedimento-para-apurar-rodeio-de-gordas-no-interior-de-sp.shtml"&gt;promotoria instaurou um procedimento&lt;/a&gt; para apurar a coisa toda. Eu espero que, ao contrário dos recorrentes casos de &lt;b&gt;violência entre alunos das estaduais paulistas&lt;/b&gt;, se houve mesmo essa agressão os culpados sejam processados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;PS: Lastimável a redação da matéria da Folha, que ao descrever o "rodeio" chama suas vítimas de &lt;b&gt;presas&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-8052474907768301164?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/8052474907768301164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=8052474907768301164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8052474907768301164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8052474907768301164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/10/na-escola-e-na-unesp.html' title='Na escola e na UNESP'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-4539554603258109565</id><published>2010-10-07T06:09:00.000-07:00</published><updated>2010-10-08T11:30:51.195-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Políticas e Poéticas do Cotidiano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou falar aqui de uma &lt;b&gt;personagem&lt;/b&gt;. Existe uma pessoa que vive, pensa, pulsa e age. Aqui apenas faço uma representação, de onde eu falo dela em ficção, recortando e montando pedacinhos de nossa convivência a partir das minhas &lt;b&gt;impressões&lt;/b&gt;. Ainda assim é um discurso de poder. E uma das coisas mais importantes de lembrar é que todos os &lt;b&gt;privilégios&lt;/b&gt; proporcionados por essa minha &lt;b&gt;emancipação e empoderamento&lt;/b&gt; enquanto mulher estão sustentados em mulheres que não gozam dos mesmos privilégios. Mas que tem seu poder e sua &lt;b&gt;resistência&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uns dois anos, a cada 15 dias, chamamos aqui na república a Flora (que não chama Flora), que vem para &lt;b&gt;faxinar&lt;/b&gt; a casa e muitas vezes lava as roupas do Chicó e deixa um feijão pronto. A Flora faz um dos &lt;b&gt;melhores feijões do mundo&lt;/b&gt;, milagrosamente, porque a nossa despensa não prima muito pela variedade e frescor de temperos e ingredientes. Uma das primeiras coisas que fazemos quando Flora vem é tomar café e colocar a &lt;b&gt;fofoca&lt;/b&gt; em dia. Esses dias eu fui buscar açucar na esquina, como eu não adoço o café nem percebi que tinha acabado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela &lt;b&gt;veio para São Paulo com o filho&lt;/b&gt; recém nascido nos braços. Hoje ele é um homem feito, mais de trinta anos, é separado e visita a mãe de vez em quando, dependendo das folgas da padaria na qual trabalha. Flora tem mais uma &lt;b&gt;filha adolescente&lt;/b&gt;, que ela tenta convencer a terminar o Ensino Médio. A filha não vê muito sentido em estudar, em aprender por aprender, mas tem alguma noção de que será ainda mais difícil conseguir um serviço se não tiver o Ensino Médio completo. E fica nessa indecisão de &lt;b&gt;arrumar um namorado&lt;/b&gt; e ir morar com ele, &lt;b&gt;terminar a escola&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;arrumar um emprego&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flora é uma mulher bonitona, sacudida, gosta de se &lt;b&gt;divertir&lt;/b&gt;, de sair para o forró com as amigas. No meu aniversário, encarou comigo e com meus amigos uma feijoada no boteco antes de sair pra noite. Quando ela vinha aos sábados, gostava de terminar cedo para adiantar as coisas antes de sair para a balada. Às vezes ela arruma um &lt;b&gt;caso&lt;/b&gt;, e então a gente fica conversando sobre os homens. Flora criou os dois filhos com pouca ou &lt;b&gt;nenhuma ajuda dos pais deles&lt;/b&gt;. Ela sabe que homens são pouco confiáveis, que se der confiança, eles começam a &lt;b&gt;pedir dinheiro&lt;/b&gt; e se encostar na sua casa. Às vezes uma de nós está com o &lt;b&gt;coração arranhado&lt;/b&gt;. Às vezes a gente ri. Flora sabe que tem todo &lt;b&gt;direito a ter carinho e prazer&lt;/b&gt;, de escolher se e com quem quer ficar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, ela faz diárias em casas diferentes inclusive repúblicas de amigos nossos. Acho que ela gosta de trabalhar em casa de estudante, que não tem crianças ou idosos com os quais ela teria que se responsabilizar, e &lt;b&gt;não tem patroa&lt;/b&gt; para ficar dando ordens ou palpites. Estudante não sabe cuidar de casa mesmo. Flora é uma mulher altiva e orgulhosa, não gosta de grosserias e de pessoas que não cumprem com a palavra. Deixou vários empregos quando os patrões começaram a &lt;b&gt;mudar as regras do jogo e descumprir acordos&lt;/b&gt;. Deixou de receber direitos, algumas vezes. Mas é um desrespeito menor do que o que se sucederia se ela continuasse nesses empregos para tentar lutar com eles. Às vezes a gente insiste para que ela cobre as coisas, mas Flora também é teimosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flora esteve aqui esta semana para trabalhar e conversamos sobre as &lt;b&gt;eleições&lt;/b&gt;. Flora me disse que não acredita que o &lt;b&gt;Geraldo&lt;/b&gt; ganhou de novo, que ele já governou e &lt;b&gt;não fez nada de bom&lt;/b&gt;. Que ela falou pras amigas não votarem no &lt;b&gt;Tiririca&lt;/b&gt;, que ele era pau mandado e não ia fazer nada. Flora me disse que votou na &lt;b&gt;Dilma&lt;/b&gt;, porque viu &lt;b&gt;melhoria pelo trabalho do Lula&lt;/b&gt;. Ela é atendida pelo programa do &lt;b&gt;Renda Mínima&lt;/b&gt;, criado na prefeitura de &lt;b&gt;Marta&lt;/b&gt; (e r&lt;a href="http://saopauloempauta.wordpress.com/2006/12/27/prefeitura-reduz-o-teto-do-renda-minima/"&gt;eduzido na de Kassab&lt;/a&gt;) que muitas vezes a tirou do sufoco, em fases entre-empregos, poucas diárias ou patrões desonestos. Flora votou na Marta e anulou o segundo voto de senador, não votou no Netinho porque &lt;b&gt;não vota em homem que bate em mulher&lt;/b&gt;. "Apesar de quê" disse eu "por isso mesmo é quase impossível votar em homem". Suas amigas se queixaram da Marta e Flora lhes falou do &lt;b&gt;Bilhete Único&lt;/b&gt;, de ter organizado a questão dos perueiros. Para estadual votou em um candidato conhecido dela, do PCdoB, mas não sabia se ele tinha ganhado. Procuramos na internet e descobrimos que não. Flora não lembra de todo mundo em quem votou nos últimos vinte anos, mas disse que &lt;b&gt;não vota mais no Serra&lt;/b&gt;. Falou do Quércia ainda, que não sabia porque votavam nele e no Maluf.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse clima de diálogo aberto, também falei dos meus candidatos lá no sul. Falei que as deputadas em quem votei apoiavam abertamente as &lt;b&gt;pautas LGBT&lt;/b&gt;, e o quanto isso é importante para mim. Falei pra ela que se me impedem de casar com uma mulher ou um amigo gay meu de casar com um homem, é porque acham que somos &lt;b&gt;menos cidadãos&lt;/b&gt;. Que não era questão de casar na igreja. Era de &lt;b&gt;direito e reconhecimento&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de ir embora, Flora comentou ainda que ia &lt;b&gt;tomar um passe&lt;/b&gt; com uma amiga e que era para levar a Carol lá, já que Carol queria saber qual era o &lt;b&gt;santo de cabeça&lt;/b&gt; dela. Ficamos de combinar isso ainda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-4539554603258109565?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/4539554603258109565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=4539554603258109565' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4539554603258109565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4539554603258109565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/10/politicas-e-poeticas-do-cotidiano.html' title='Políticas e Poéticas do Cotidiano'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-606996823081802183</id><published>2010-10-06T10:11:00.000-07:00</published><updated>2010-10-06T10:13:38.219-07:00</updated><title type='text'>Quem quer ser um milionário?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TKyuDKrDggI/AAAAAAAAAOU/MLnd79CddRU/s1600/milho.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 187px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TKyuDKrDggI/AAAAAAAAAOU/MLnd79CddRU/s320/milho.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524982212304536066" /&gt;&lt;/a&gt;Sorry, queridos, mas a Mega Sena de hoje é minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-606996823081802183?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/606996823081802183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=606996823081802183' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/606996823081802183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/606996823081802183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/10/quem-quer-ser-um-milionario.html' title='Quem quer ser um milionário?'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TKyuDKrDggI/AAAAAAAAAOU/MLnd79CddRU/s72-c/milho.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-5115656047627643009</id><published>2010-10-05T09:16:00.000-07:00</published><updated>2010-10-09T15:46:05.870-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Da série: explicações que não colam do comportamento eleitoral</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TKtWmrkuOaI/AAAAAAAAAOM/V8PyUrdhlAU/s1600/pres1turno2010.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 195px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TKtWmrkuOaI/AAAAAAAAAOM/V8PyUrdhlAU/s320/pres1turno2010.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524604590431812002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eu fiquei pensando em várias coisas para escrever durante as últimas semanas, mas em relação a assuntos mais sérios eu exerço uma autocensura que por vezes é demasiado tirana. Tenho medo de falar bobagem, porque sei que não sou a pessoa mais bem informada, especialmente no que tange à política, e simbolicamente para mim a palavra escrita ainda tem mais peso do que é dito em conversas informais. Por conta disso é que eu não hesitei em abrir e defender meu voto para os amigos, mas não trouxe a discussão para o blog. O que é burrice, no final das contas, pois embora meu blog tenha audiência bem baixa, posso aprender com os pontos de vistas dos outros, e organizo melhor meu pensamento quando escrevo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Agora com o resultado do primeiro turno, eu fico pensando numas coisas. Eu não entendo nada de teoria do comportamento eleitoral. A gente passa por alto em Política 4, mas não fiz a matéria específica. Quando eu olho para o mapa de vencedores por estado, fico lamentando a falta de dados para interpretar. Entre os estados com governo já definido, 14 são da base da Dilma. Mas não é uma relação direta. PSDB ganhou o governo de Minas, no qual Dilma ganhou (embora BH seja de Marina).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu propôs que o Serra ganha em estados com maior IDH (com excessão do RS e do DF). Mas ele, quando diz isso, não pensa na mudança do IDH por estado no governo Lula ou comparativamente na mudança do IDH nos 8 anos de governo FHC e nos 8 anos de governo Lula. Posso imaginar os estados mais sensíveis à melhoria econômica trazidos pelos programas de redistribuição de renda, como o Bolsa Família, tenham votado na Dilma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;a href="http://www.bcb.gov.br/pec/boletimregional/port/2009/01/br200901b1p.pdf"&gt;Boletim Regional do Banco Central,&lt;/a&gt; há indicativos de uma melhoria global no IDH e, especialmente, de uma redução das diferenças de IDH entre as diferentes regiões do Brasil entre 1991 e 2007. E, quando você olha para o gráfico dos componentes do IDH nas regiões Norte e Nordeste, percebe que o IDH Renda e o IDH Educação tiveram uma melhoria bem mais acentuada nos últimos anos do que nos oito anos anteriores. (do governo FHC) A dimensão renda este estagnada no Norte, Sul e no Centro-Oeste entre 95 e 2003 e retraiu-se no Sudeste e Nordeste. Na wikipedia tem tabelas de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_estados_do_Brasil_por_IDH"&gt;IDH por estado&lt;/a&gt;, também, indicando melhorias nos últimos três anos. Acho que não dá pra depreender uma correlação direta entre DH e voto majoritário pra presidência, ignorando tantas outras variáveis, como orientação midiática local, base eleitoral dos partidos, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Claro também que é meu dever como antropóloga e trabalhando com direitos humanos problematizar o IDH, mas essa é outra história...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Mudando de foco, uma coisa que eu escrevi esses dias é que todo mundo acaba tendo que compôr com o PMDB, pois seu fisiologismo e suas máquinas eleitorais continuam bem calibrados. O vice da Dilma é o Michel Temer, ora bolas. A bancada da câmara do PT terá 88 deputados, com mais 79 do PMDB, dá 187. Nesse post do portal do Nassif tem um resumo das &lt;a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-resultado-das-eleicoes-para-deputado"&gt;mudanças na composição da Câmara&lt;/a&gt;. No Valor, fala-se da &lt;a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/valor-coligacao-de-dilma-tem-maioria-na-camara.html"&gt;maioria da Dilma na câmara&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-5115656047627643009?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/5115656047627643009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=5115656047627643009' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5115656047627643009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5115656047627643009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/10/da-serie-explicacoes-que-nao-colam-do.html' title='Da série: explicações que não colam do comportamento eleitoral'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/TKtWmrkuOaI/AAAAAAAAAOM/V8PyUrdhlAU/s72-c/pres1turno2010.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-8993019209890922777</id><published>2010-10-02T12:39:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T12:42:28.575-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Para participar da festa da democracia brasileira</title><content type='html'>Declarando meu voto, pra quem quiser apoiar, questionar, brigar ou simplesmente trocar idéias.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Presidenta: Dilma (PT) 13&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Governador: Tarso (PT) 13&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senador: Paulo Paim (PT) 130&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senadora Berna Menezes (PSOL) 500&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deputada Federal: Manuela (PCdoB) 6565&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deputada Estadual: Raquel Wunsch (PT) 13020&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-8993019209890922777?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/8993019209890922777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=8993019209890922777' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8993019209890922777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8993019209890922777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/10/para-participar-da-festa-da-democracia.html' title='Para participar da festa da democracia brasileira'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1351860147827868196</id><published>2010-08-26T06:05:00.000-07:00</published><updated>2010-08-26T06:29:56.114-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rpg'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>A Origem e Mago - spoilers</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu assisti A Origem no cinema eu pensei muito em Mago, a Ascensão. O cenário proposto pelo filme, em que se pode compartilhar os sonhos de outras pessoas por meio de um tipo de droga criada pelo governo, e assim arquitetar e dirigir os sonhos para roubar ou implantar informações, parecia ter uma levada daqueles jogos nos quais as fronteiras entre a Tecnocracia e as Tradições se torna porosa. Não é preciso contar muito da trama para transpor conteúdos de um sistema a outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O personagem de Leonardo di Caprio está a margem do sistema, é um mercenário dream raider trabalhando para grandes corporações. Ele já foi um excelente arquiteto de sonhos, mas está meio viciado em sonhos induzidos pois é o único meio de se estar e encerrar sua mulher morta. Ela aparece também nas missões, para sabotar seus planos e confundir seu senso de realidade. Em uma época na qual discursos psi e neurológicos convivem com diferentes planos de realidade virtual, não posso pensar em uma manifestação mais precisa de um espírito do paradoxo. Especialemente porque a mulher tem uma espécie de monomania derivada de um comando que di Caprio implantou em seus sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensemos que di Caprio, apesar de trabalhar para grandes corporações, seja algo subversivo. Dedicava-se à arquitetura de sonhos não para fins militares ou comerciais, mas para explorar o conceito de sonhos dentro de sonhos. Ainda assim ele poderia ser um Tecnomago ou pertencer a alguma tradição, como um Orador dos Sonhos praticando um xamanismo pós-industrial. Ou ainda um Virtual Adept, mas isso seria forçar um pouco. No entanto, lembrei daquele conto do Livro das Sombras em que um Hermético empreende uma Procura e chega à conclusão que a Nova Ordem Mundial está certa, rendendo-se sem saber aos Tecnocratas. Esta parece ser a queda do herói. E se o filme inteiro for um sonho, como sugere o final (de fato, o filme todo. Porque o totem de di Caprio nunca para de girar sozinho, é sempre derrubado ou coisa assim. como em sonhos em que começamos a suspeitar que estamos sonhando e o sonho nos impede de verificar) o personagem de Michael Caine pode ser o Tecnocrata intruso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mago é uma espécie de jogo sobre o desencantamento do mundo, e talvez não exista maior desencantamento do que a colonização dos sonhos, o que em alguns pontos do filme me lembrou muito Admirável Mundo Novo, uma distopia futurista que ecoa em Mago. Visto desse ângulo o filme traz a lição algo weberiana de Mago, que é a de que qualquer tentativa de reencantamento promove o desencantamento. Ou não, depois da biologia, vai saber se a tecnologia não se tornou o último reduto da transcendência humana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1351860147827868196?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1351860147827868196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1351860147827868196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1351860147827868196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1351860147827868196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/08/origem-e-mago-spoilers.html' title='A Origem e Mago - spoilers'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-315755007575807058</id><published>2010-08-12T05:56:00.000-07:00</published><updated>2010-08-12T06:34:37.111-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>Um mundo maior de diferenças</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu pensei que a próxima coisa que eu escreveria aqui no blog seria um relato da minha viagem para essa terra encantadora e quente que é Belém. Mas a maior parte dos meus amigos ou estava lá comigo, ou me encontrou pessoalmente, ou recebeu um e-mail com a minhas peripécias pela Antropololândia. E eu fiquei com vontade de comentar o poema que postei logo abaixo, porque ele tem muita razão de estar ali, e é uma das coisas mais tocantes que eu li recentemente. Interpretar um poema tem um quê de sacrilégio, mas para mim é mais como propôr um horizonte comum de sua experiência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu li este Inscriptions, tal como inserido em um texto do Homi Bhabha chamado On Writing Rights. Bhabha escreve que a figura da sereia (mermaid) simboliza a natureza fronteiriça da humanidade. Rich fala da perspectiva de ambientes parciais, conscientes da não totalidade e do hibridismo dos sistemas culturais e inserções pessoais, pensando política como movimento, um processo de fazer conexões entre ambientes culturais parciais. O que exige um senso de reconhecimento que perturba e vai além das polarizações binárias entre Eu e Outros, maioria e minoria, abrindo-se para um mundo mais amplo de diferenças. A sereia de Rich questiona-se a respeito da própria experiência, entrelaça o Eu-no-outro, dialoga com seus devires passados e futuros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bhabha escreve, a partir de sua leitura de Frantz Fanon, que a grande tragédia dos conhecimentos discriminatórios - racismo ou sexismo - é que eles negam a possibilidade de entrar em um mundo ético e político no qual o respeito emerge ao negociar-se a diferença cultural por meio de uma imersão plena nas contradições e conflitos culturais que existem na outra cultura. O único modo de se atingir um respeito mútuo entre culturas é reconhecer que nós apenas podemos formar conexões solidárias com outras culturas se nos relacionarmos com elas plenamente consciente de nossos limites, contradições, irregularidades, nossa mera humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Adrienne_Rich"&gt;Wikipedia&lt;/a&gt;, Adrienne Rich levou uma vida de ativismo, contra as guerras americanas e pela emancipação feminina. Feminista, assumiu-se como lésbica enquanto examinava em seus ensaios e poemas sua própria condição feminina, sua ascendência judaica e seu papel de mãe. Tem essa coisa daqueles que tensionam as políticas de reconhecimento que é pensar política, identidade e linguagem de forma desessencializada, pelas diferenças constitutivas. Bhabha defende que é justamente a narrativa que investe a linguagem com o direito de explorar e resistir, sobreviver e saborear uma revisão complexa na comunidade de sentido e ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembrei desse poema e dessa discussão ao longo da semana passada quando circularam na internet o manifesto e a &lt;a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4605938-EI6594,00-Em+manifesto+na+web+jovens+paulistas+criticam+migracao.html"&gt;entrevista&lt;/a&gt; de um grupo de "jovens paulistas" que defendiam um discurso de "nordeste para os nordestinos", camuflado como um ufanismo cívico do "povo paulista" (e que num segundo plano excluía o interior do estado). Um discurso como esse é um castelo de cartas, sustentado por bases muito frágeis. Vou tentar voltar a escrever sobre isso essa semana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-315755007575807058?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/315755007575807058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=315755007575807058' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/315755007575807058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/315755007575807058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/08/um-mundo-maior-de-diferencas.html' title='Um mundo maior de diferenças'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-5186041547505613591</id><published>2010-08-07T14:31:00.000-07:00</published><updated>2010-08-07T14:32:57.572-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>By Adrienne Rich</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 14px; -webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; "&gt;&lt;p&gt;Old backswitching road bent toward the ocean's light&lt;br /&gt;Talking of angles of vision movements a black or a red tulip&lt;br /&gt;opening&lt;br /&gt;Times of walking across a street thinking&lt;br /&gt;not &lt;i&gt;I have joined the movement&lt;/i&gt; but &lt;i&gt;I am stepping in this deep current&lt;br /&gt;Part of my life washing behind me terror I couldn't swim with&lt;br /&gt;part of my life waiting for me a part I had no words for&lt;br /&gt;I need to live each day through have them and know&lt;br /&gt;them all&lt;br /&gt;though I can see from here where I'll be standing at the end.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;When does a life bend toward freedom? grasp its direction?&lt;br /&gt;How do you know you're not circling in pale dreams, nostalgia, stagnation&lt;br /&gt;but entering that deep current malachite, colorado&lt;br /&gt;requiring all your strength wherever found&lt;br /&gt;your patience and your labour&lt;br /&gt;desire pitted against desire's inversion&lt;br /&gt;all your mind's fortitude?&lt;br /&gt;Maybe through a teacher: someone with facts with numbers with poetry&lt;br /&gt;who wrote on the board: IN EVERY GENERATION ACTION FREES OUR DREAMS&lt;br /&gt;Maybe a student: one mind unfurling like a redblack peony&lt;/p&gt;&lt;p&gt;...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;And now she turns her face brightly on the new morning in the new classroom&lt;br /&gt;new in her beauty her skin her lashes her lively body:&lt;br /&gt;Race, class ... all that ... but isn't all that just history?&lt;br /&gt;Aren't people bored with it all?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;She could be&lt;br /&gt;myself at nineteen but free of reverence for past ideas&lt;br /&gt;ignorant of hopes piled on her she's a mermaid&lt;br /&gt;momentarily precipitated from a solution&lt;br /&gt;which could stop her heart She could swim or sink&lt;br /&gt;like a beautiful crystal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(`Inscriptions', &lt;i&gt;Dark Fields of the Republic: Poems, 1991-95&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-5186041547505613591?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/5186041547505613591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=5186041547505613591' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5186041547505613591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5186041547505613591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/08/by-adrienne-rich.html' title='By Adrienne Rich'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-9178812321318282889</id><published>2010-07-30T10:58:00.000-07:00</published><updated>2010-07-30T11:05:41.964-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rpg'/><title type='text'>Resumo pra ABA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu povo e minha pova,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou sumida porque estou ralando para adiantar os trabalhos do semestre e amanhã vou pra Belém apresentar meu trabalho na Reunião Brasileira de Antropologia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;h2&gt;GT 06 - Direitos humanos, práticas de justiça e diversidade cultural&lt;/h2&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Coordenadoras: &lt;/b&gt; Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer (USP) e Claudia Lee Williams Fonseca (UFRGS)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sessão 1 - 02/08/2010  das 8h30 às 12h00. Sala 6&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;h3&gt;Ana Letícia de Fiori (USP). &lt;i&gt;Signo de criminosos: constelações biográficas no “caso Aline” ou “o crime do RPG”&lt;/i&gt;&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resumo: Este trabalho contempla as narrativas performatizadas por diferentes atores, em especial acusação e defesa, num Tribunal do Júri realizado em Ouro Preto/MG em 2009. Busca-se compreender, por meio da idéia de constelação (Benjamin), diferentes elementos extraídos de provas, laudos e depoimentos, elencados no processo e selecionados no julgamento, por meio de narrativas que os reorganizam, inscrevem-nos temporalmente e criam sentidos em relação a um cânone de mortes que se contam (Foucault) e conferem matrizes de inteligibilidade diante de sentidos interrompidos pela experiência da violência. No Juri se exprimem valores sociais conflituosos, multifacetados, de difícil 'narração' e julgamento (Schritzmeyer) e, diante de uma morte insólita, configura-se o intercruzamento de uma série de questões - satanismo, drogas, família, jogos de RPG, sexo, luto; e interesses de atores religiosos, júridicos, midiáticos que tensionam o direito de defesa frente às exigências de justiça e o clamor público.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se no Tribunal, os modos de produção de verdade não se dão pela busca do consenso, mas pelo confronto de contraditórios cuja meta é persuadir os jurados, a eficácia das versões depende de sua dramaticidade e capacidade de verossimilhança. Os elementos do caso vão além do caráter ilustrativo, pois exercem funções na narrativa (Bruner) e engendram uma hermenêutica do sujeito que delineia em sua biografia contornos de signos do caráter criminoso e avalia a legitimidade de modos de vida diversos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-9178812321318282889?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/9178812321318282889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=9178812321318282889' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/9178812321318282889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/9178812321318282889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/07/resumo-pra-aba.html' title='Resumo pra ABA'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-6310335180169554262</id><published>2010-07-18T20:07:00.000-07:00</published><updated>2010-07-18T20:18:19.799-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Depois do Perigo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gosto muito de Zelia Duncan, gosto da sua voz grave e doce, do seu romantismo. Beth diz que é música de sapatão, e eu não discordo. Hehe. Mas o que importa é que é gentil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uns dias quero postar esta música aqui, mas infelizmente não achei o vídeo no youtube e não sei onde mais posso linkar arquivo de música. Fica então apenas a letra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É uma letra tão simples, mas está casando tão bem com o momento que eu estou vivendo, o que ando pensando, as minhas idas ao psicólogo e as conversas com meus queridos. Esse renascimento longo e tortuoso, e que me faz às vezes precisar de uns sacodes para ter clareza do que está em questão. E pra poder me defender...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3&gt;Depois do Perigo&lt;/h3&gt;&lt;i&gt;Lucina e Zelia Duncan&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não me aqueça&lt;br /&gt;Hoje eu quero o frio&lt;br /&gt;O vazio&lt;br /&gt;Que a sorte deixou aqui&lt;br /&gt;Quero sentir a altura do abismo&lt;br /&gt;Pra eu poder subir depois do perigo&lt;br /&gt;Quero sentir a altura do abismo&lt;br /&gt;Pra eu poder subir depois do perigo&lt;br /&gt;Pra eu poder subir depois do perigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não me acalme com silabas doces&lt;br /&gt;Hoje eu quero o açoite das palavras rudes&lt;br /&gt;Pra que eu possa me defender em atitudes&lt;br /&gt;Não, por favor hoje não me proteja&lt;br /&gt;Para que eu finalmente veja&lt;br /&gt;O que a vida reservou para mim&lt;br /&gt;Quero sentir a altura do abismo&lt;br /&gt;Pra eu poder subir depois do perigo&lt;br /&gt;Pra eu poder subir depois do perigo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-6310335180169554262?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/6310335180169554262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=6310335180169554262' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6310335180169554262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6310335180169554262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/07/depois-do-perigo.html' title='Depois do Perigo'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-7020937738028860140</id><published>2010-07-09T07:20:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T16:16:10.561-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>Shrek, a maravilha do 3D e a introdução à vida fascista</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem, finalmente, eu fui assistir um filme em 3D. E não era qualquer filme, era &lt;b&gt;Shrek para Sempre&lt;/b&gt;. Eu tinha ouvido um monte de gente dizer que 3D só vale a pena mesmo quando é &lt;b&gt;animação&lt;/b&gt;, porque o filme já é feito para ser 3D. Em outros filmes, há apenas algumas cenas em que o 3D faz alguma diferença, e não paga a pena de ficar com o óculos no cinema. Vou ter que conferir isso ainda. Quem sabe em algum relançamento, Matrix ou Star Wars. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouvi gente dizendo também que pra assistir 3D tem que ser dublado, porque é ruim para ler &lt;b&gt;legenda&lt;/b&gt;. Isso é bobagem. A legenda de Shrek para Sempre estava com o efeito, destacada do resto da imagem, mas facílima de ler.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi deslumbrante ver o filme assim em 3D, que o tempo todo deu profundidade às cenas, e não apenas em vôos e mergulhos vertiginosos em vassouras ou dragões. é uma &lt;b&gt;experiência diferente&lt;/b&gt;. Acho que é mais fácil se deixar contagiar pelo &lt;b&gt;fantástico&lt;/b&gt; assim, quando as coisas vem na sua direção. Me senti super &lt;b&gt;criança no cinema&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora o filme em si... foi meio &lt;b&gt;decepcionante&lt;/b&gt;. A história dessa vez começa com Shrek às voltas com a sua &lt;b&gt;rotina de marido e pai&lt;/b&gt;, frustrado por não ser mais um &lt;b&gt;terrível ogro&lt;/b&gt; do pântano. Ele não se contenta com a sua vida perfeita e numa crise de raiva diz à Fiona que não queria tê-la resgatado da torre. Eis que aparece &lt;b&gt;Rumpelstinskin&lt;/b&gt; para lhe propôr um contrato. Shrek poderia &lt;b&gt;viver um dia como um ogro de verdade&lt;/b&gt;, em troca &lt;b&gt;cederia um dia passado&lt;/b&gt; de sua vida. Shrek topa, sem perceber que o dia que está cedendo é o dia de seu&lt;b&gt; nascimento&lt;/b&gt;, e que quando seu dia selvagem terminar, ele jamais terá existido. Assim, o que parecia um dia livre para que Shrek pudesse barbarizar, se torna uma corrida para &lt;b&gt;recindir o contrato&lt;/b&gt;, em uma terra Tão Tão Distante controlada por Rumpelstiskin e seu &lt;b&gt;séquito de bruxas&lt;/b&gt;. Shrek descobre que nessa linha do tempo em que ele não existe, &lt;b&gt;Fiona saiu sozinha da torre e se tornou líder da resistência dos ogros&lt;/b&gt; e é por meio dessa luta que ele tentará &lt;b&gt;conquistá-la novamente&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;recuperar sua vida e sua família&lt;/b&gt;. Para isso terá que enfrentar os asseclas de Rumpelstilskin, incluindo o (não tão) temível &lt;b&gt;Flautista Mágico&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse aborrecimento de Shrek com a "&lt;b&gt;vida domesticada&lt;/b&gt;" já havia surgido no &lt;b&gt;Shrek Terceiro&lt;/b&gt;, quando ele entra em crise ao descobrir que Fiona está grávida e parte com o Burro e o Gato para procurar o novo herdeiro do trono, Arthur. Mas no Shrek Terceiro há &lt;b&gt;o ponto de vista da Fiona&lt;/b&gt;, entediada com a vida palaciana depois de tantas aventuras. Ela e a rainha lideram a &lt;b&gt;sublevação com as outras princesas&lt;/b&gt;, que salvam a si mesmas numa pegada bem &lt;b&gt;feminista&lt;/b&gt;, a ponto de queimarem sutiãs, etc. Aqui, no Shrek para Sempre, Fiona aparece em duas versões: a de &lt;b&gt;mãe&lt;/b&gt; que quer uma vida doméstica feliz, e a de &lt;b&gt;guerreira&lt;/b&gt; solitária, ressentida de seu passado, obcecada por uma causa para tentar preencher o &lt;b&gt;vazio da sua existência.&lt;/b&gt; A mensagem do filme é meio clara: a de que &lt;b&gt;a realização plena se dá na família&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Duas coisas me incomodam profundamente: a de que é o &lt;b&gt;homem &lt;/b&gt;sempre que vai aparecer como o &lt;b&gt;castrado &lt;/b&gt;pela relação familiar, pela esposa e pela vida doméstica, enquanto essa vida vai sempre &lt;b&gt;contentar a mulher&lt;/b&gt;. Uma frustração aliás que não vai ser resolvida pela &lt;b&gt;ética&lt;/b&gt;, pela responsabilidade com seus semelhantes, mas pela prova de que a &lt;b&gt;alternativa seria pior&lt;/b&gt;. Que leva à segunda coisa, essa &lt;b&gt;legitimação absoluta da vida doméstica em detrimento de outras poéticas da existência&lt;/b&gt;. Acho que essas mensagens são onipresentes nos discursos dirigidos a crianças, e que leva a uma &lt;b&gt;mentalidade bem fascista&lt;/b&gt;. Não é o tipo de coisa que eu quereria que meus filhos aprendessem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-7020937738028860140?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/7020937738028860140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=7020937738028860140' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7020937738028860140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7020937738028860140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/07/shreck-maravilha-do-3d-e-introducao.html' title='Shrek, a maravilha do 3D e a introdução à vida fascista'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-767210284139478400</id><published>2010-07-04T16:05:00.000-07:00</published><updated>2010-07-04T17:01:59.543-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rpg'/><title type='text'>Encontro de RPGistas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este fim de semana foi inteiramente dedicado à RPGCon, o evento de RPG cuja primeira edição foi realizada no ano passado, graças a uma &lt;b&gt;mobilização de diferentes grupos&lt;/b&gt; diante da extinção do Encontro Internacional de RPG. E, em muitos aspectos, o RPGCon parece com os outros eventos de RPG que foram realizados ao longo dos últimos 20 anos em São Paulo, como o RPG SP/Sampa RPG, a pioneira USPCon e o EIRPG. Mas pessoalmente acho que um &lt;b&gt;evento menor&lt;/b&gt; e menos ambicioso acaba tendo &lt;b&gt;outro espírito&lt;/b&gt;. Eu não entendi bem ainda quem é este &lt;b&gt;público novo&lt;/b&gt; do RPGCon, em comparação ao EIRPG, mas sinto mudanças. Não sei dizer se é de faixa etária, origem, ou em termos de &lt;b&gt;expectativas em relação ao evento&lt;/b&gt;. Não sei se são as &lt;b&gt;mesmas pessoas&lt;/b&gt; em momentos diferentes da vida ou se de fato são &lt;b&gt;pessoas diferentes&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há anos a minha principal motivação para ir a um evento é &lt;b&gt;rever amigos&lt;/b&gt;, muitos deles envolvidos na organização, e tentar &lt;b&gt;revigorar laços &lt;/b&gt;que podem também resultar na formação de grupos de jogo. Mas uma série de motivos levaram os jogadores paulistanos a &lt;b&gt;abandonar aos poucos todos os espaços públicos de jogo&lt;/b&gt;, e eu acho pena. Acho que se eu tivesse uma mesa regular faria como o Dino fez em 2002, convocaria todos os jogadores para uma &lt;b&gt;sessão especial no evento&lt;/b&gt;. Este jogo do Dino é famoso, e para o dia ele havia preparado desenhos elaborados de todos os personagens samurais, além de comidas japonesas, saquê, espadas de plástico para simular as lutas e ele mesmo estava de kimono, conduzindo uma mesa de cerca de 20 jogadores para &lt;b&gt;encerrar uma campanha&lt;/b&gt; de dois anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As atividades de maior volume são as &lt;b&gt;mesas de jogo&lt;/b&gt;, disponíveis em sessões matutina e vespertina nos dias de evento. Como no EIRPG, os mestres ganham uma camiseta do evento. Quando eu era mais nova, essas mesas representavam a minha chance de&lt;b&gt; conhecer sistemas novos&lt;/b&gt;, mas principalmente de &lt;b&gt;jogar os sistemas que eu mais gostava&lt;/b&gt; e que normalmente eu tinha que mestrar em casa.  Essas mesas traziam idéias de aventuras diferentes das que eu conduzia. Lembrei-me dos murais com a programação das mesas entupidas de AD&amp;amp;D, GURPS e Vampiro, e de procurar anos a fio uma mesa de Paranóia, em vão. Muita gente que reclama do evento diz que é ruim jogar com &lt;b&gt;tempo limitado&lt;/b&gt;, em um &lt;b&gt;lugar barulhento e apertado&lt;/b&gt;. Eu discordo. Sempre achei que se os mestres &lt;b&gt;preparassem a aventura direito&lt;/b&gt; e levassem &lt;b&gt;personagens prontos &lt;/b&gt;poderia rolar jogos deliciosos, com combinações inusitadas de jogadores. Uma boa técnica afinal de contas é a do Eneas, que todo ano mestra a mesma aventura de Legend of Five Rings, especialmente desenvolvida para &lt;b&gt;apresentar o cenário e o sistema&lt;/b&gt; para novos jogadores, com elementos de corte e de combate para &lt;b&gt;agradar os iniciados&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Características de evento de RPG também são as &lt;b&gt;palestras&lt;/b&gt;, sobre desenvolvimento de aventuras, sobre RPG e educação, sobre questões editoriais. São quase sempre &lt;b&gt;meio esvaziadas&lt;/b&gt; e muitas vezes tomam a forma de bate papo. Às vezes eu até tenho a impressão maldosa de que as palestras são promovidas apenas para dar um &lt;b&gt;tom de variedade&lt;/b&gt; ao evento. Mas se pode aprender coisas diferentes, como confecção de maquetes e cutelaria (?!?). Acho que muita gente decide assistir palestra em evento meio aleatoriamente. Eu sou uma delas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além dos &lt;b&gt;stands de venda&lt;/b&gt; de livros e acessórios e dos stands das &lt;b&gt;associações&lt;/b&gt;, este ano teve a tal da &lt;b&gt;feira medieval&lt;/b&gt;, com alguns stands vendendo armas de eva, escudos, vestidos, bijuteria, miniaturas e outras bugigangas. Eu fiquei com vontade de comprar um monte de coisas, e particularmente babei em um mapa gigantesco de Ankh-Morpork que estava ali pendurado. Tudo ao som de folk-metal outras coisas nerds. Ao contrário do que rolava no EIRPG, não houve grandes duelos de espada de EVA, mas havia um cantinho para quem quisesse se bater, ao módico custo de um real. Um dia eu compro uma ou duas dessas armas pra brincar. É divertido pacas e não dói nada. Além disso tinha o pessoal do &lt;b&gt;Ludus Luderia&lt;/b&gt; demonstrando jogos diferentes, e espaço para &lt;b&gt;miniaturas e cardgames&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessas coisas todas eu não sei o que de fato atrai os jogadores. Acho que sou meio romântica. No fundo nada ainda supera um &lt;b&gt;bom jogo,&lt;/b&gt; mas as pessoas precisam estar &lt;b&gt;dispostas a se divertir&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-767210284139478400?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/767210284139478400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=767210284139478400' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/767210284139478400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/767210284139478400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/07/encontro-de-rpgistas.html' title='Encontro de RPGistas'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-7863685888671560797</id><published>2010-06-14T16:03:00.001-07:00</published><updated>2010-06-14T16:26:18.065-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos pseudo-biográficos'/><title type='text'>De quatro em quatro anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Efemérides tem as suas vantagens, como eu comentei no post sobre o Dia Internacional das Mulheres. A Copa do Mundo é uma grande efeméride, sempre me faz lembrar de onde estava e o que estava fazendo na Copa anterior, e anterior...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quatro anos atrás, na Copa de 2006, eu estava no terceiro ano da graduação, em vias de terminar meu relatório final para o CNPq. assisti muitos jogos pela tv de casa, que ficava ao lado do computador, comentando os resultados com a &lt;a href="http://twitter.com/deacampodonico"&gt;@deacampodonico&lt;/a&gt;, que ainda trabalhava numa agência de publicidade em Salvador. Assistimos jogo do Brasil na reunião da ABA em Goiânia. O jogo de desclassificação do Brasil eu assisti no Encontro Internacional de RPG, no fim de semana em que eu utilizei uma câmera de vídeo pela primeira vez, tentando seguir os conselhos dados por &lt;a href="http://twitter.com/marengoni"&gt;@marengoni&lt;/a&gt;. A Final assisti com amigos tolkienianos na casa do Anca em Curitiba. Eu ainda não tinha conhecido o ex e não tinha ficado doente, e por esses dois precisos motivos minha vida estava quase tão boa quanto está agora, que eu me livrei do ex e estou cada vez melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oito anos atrás, na Copa de 2002, o Brasil foi pentacampeão. Eu estava no segundo ano do colégio no Rio Grande do Sul e ainda achava que eu ia fazer publicidade. Nessa época, eu ainda participava bem ativamente de grupos de Senhor dos Anéis, ia para encontros em Porto Alegre, em São Paulo e no Rio. Tudo com aquela internet discada sofrida, que pelo menos não era mais interurbana. Para ser bem sincera, não me lembro onde assisti a final da Copa, mas lembro de ter sacaneado muito o goleiro alemão, tido como impenetrável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Doze anos atrás, na Copa de 1998, eu ainda morava em São Paulo, estudava no Fernão Dias, treinava volei na ACM, e assisti os jogos em casa com meus pais e amigos de infância. Tínhamos a simpatia de pintar um ovo com as cores adversárias e deixar do lado da TV, com o nome do goleiro escrito, para criar uns frangos. Na final meus irmãos foram para a praia, os amigos não vieram em casa e o Brasil tomou três gols da França, depois daquela confusão/convulsão do Ronaldo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dezesseis anos atrás, na Copa de 1994, estávamos com a sala cheia de caixas para a mudança para outro ap. Foi o ano em que eu conheci minha primeira parente holandesa, a irmão do meu avô. Eu tinha oito anos e meu cabelo ainda era liso e chanel. Eu lembro que fiz e ilustrei um jornalzinho, que tinha a notícia do gol de cabeça do Romário contra a Suécia na semifinal. Meu pai tinha comprado uns rojões para a gente soltar pela janela em cada jogo, o que era o máximo. Lembro da cara de desespero do Roberto Baggio mandando o pênalti para fora. Assistimos o jogo os cinco membros da família, em casa. Eu fiquei com inveja do pessoal que saiu buzinando de carro pelas ruas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Das Copas de 1990 e 1986, em que eu tinha respectivamente 4 anos e 3 meses, eu já não lembro. Tem várias fotos minhas e dos meus irmãos de camiseta, bandeiras e cornetas, que ainda não eram as tais vuvuzelas. Eu já lembro do Corinthians ganhando o campeonato brasileiro em 1990, porque eu ganhei uma flâmula com o hino do Timão, mas ainda não sabia ler direito. Mas já me orgulhava de saber que tinha h no nome do time.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-7863685888671560797?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/7863685888671560797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=7863685888671560797' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7863685888671560797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7863685888671560797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/06/de-quatro-em-quatro-anos.html' title='De quatro em quatro anos'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-4052440016250143186</id><published>2010-06-07T10:45:00.000-07:00</published><updated>2010-06-07T11:20:44.368-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='passeios'/><title type='text'>Parada Gay que de parada não tem nada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Confesso que não estava muito motivada a ir para a Parada Gay. Qualquer coisa que envolva muvuca, trio elétrico e bate perna não combina muito com o meu sedentarismo nerd rockeiro. Por outro lado eu me sinto muito comovida toda vez que vejo a Av. Paulista, o coração simbólico de São Paulo, tomada de gente defendendo valores tão caros para mim, liberdade, autodeterminação, respeito e não-violência. E tudo em clima de celebração, porque no fundo é disso que se trata, de celebrar a vida em toda a sua diversidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imbuída desse espírito cívico, eu valentemente subi a Teodoro Sampaio a pé com @s migux@s, que me fizeram posar em frente a uma sapataria. hehehe. No cruzamento da Dr. Arnaldo, um ambulante ofertava entre outras bebidas uma batida de amendoim, "pra estar com tudo à noite!". O que é senso de oportunidade de mercado, minha gente! Mas como gente prevenida, estávamos com nosso farnelzinho de cerveja, pois havia rolado um boato que a polícia estaria de marcação com os ambulantes. A polícia parece que se comportou bem, embora tenhamos passado por algumas desagradáveis nuvens de gás de pimenta ao longo do percurso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Percorremos a parada costurando entre a Consolação, a Paulista e as ruas paralelas, tendo em vários momentos tido dificuldade para arrumar um banheiro. Muita gente, para não passar aperto, aliviou-se pelos muros da cidade. Fiquei pensando nisso, que a organização tinha que colocar mais banheiros químicos pelo caminho. Faltou banheiro e faltaram lixeiras pra jogar fora as latinhas, bitucas, etc. E, utopicamente, penso que poderia rolar uma distribuição de água, pro povo não ficar louco demais. Já que distribuem camisinha...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na Parada mesmo não ficou ninguém parado. Dançamos ao som daquela música ruim. Demos risada. Eu amarrei meu cachecol arco-íris na testa. Invejamos as fantasias das drags. Admiramos os gogo boys nos trios. Gritamos as palavras de ordem, rindo com toda a seriedade. "Vote contra a homofobia". O sol se pôs e a gente ficou admirando o povo todo na rua.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro problema de organização é que não havia muita sinalização em relação aos ônibus que mudaram de trajeto. Pra não errar, eu subi da praça da República pra Paulista de volta a pé, já meio tarde. Cheguei moída em casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa Parada acabou que eu não beijei ninguém. hehehe, acho que estou num momento muito sossegado. Tem um povo mais novo que faz maratona de beijos pelo caminho, se diverte tirando fotos. Tem um lado lúdico, essas trocas de olhares, essa sensação boa de que, com consentimento, vale tudo. Vi meninos e meninas mui interessantes, quem sabe na próxima...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-4052440016250143186?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/4052440016250143186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=4052440016250143186' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4052440016250143186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4052440016250143186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/06/parada-gay-que-de-parada-nao-tem-nada.html' title='Parada Gay que de parada não tem nada'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2754570955304565232</id><published>2010-06-03T08:20:00.000-07:00</published><updated>2010-06-03T08:51:20.560-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mestrado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>Sandman, histórias e afetos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;“Ergamos um brinde aos amigos ausentes, amores perdidos, deuses antigos e à Estação das Brumas, e que cada um de nós sempre conceda ao diabo o seu quinhão”&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Semana passada eu estava com um dos professores da facul terminando de organizar um daqueles &lt;b&gt;relatórios monstruosos&lt;/b&gt; que as agências de fomento exigem. É um trabalho algo melancólico, porque não parece refletir o desenvolvimento real de cada uma das pesquisas e dos debates que norteiam as preocupações do grupo. Um pouco assustador também, parando para pensar. Às vezes tenho a sensação de que as coisas que eu estudo são interiorizadas como &lt;b&gt;palavras escritas na areia&lt;/b&gt;, varridas pela próxima maré.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num dado momento o professor comentou comigo que havia estado em uma banca na PUC de uma tese sobre uma certa &lt;b&gt;história em quadrinhos&lt;/b&gt;, e que o professor tinha achado muito legal. "Qual?" perguntei. "&lt;b&gt;Sandman&lt;/b&gt;" disse ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi o suficiente para eu começar a falar desvairadamente sobre Sandman e os Perpétuos, a jornada ao inferno de Sonho, as negociações com o jovem &lt;b&gt;master Shakespeare&lt;/b&gt;, e todos os arcos que eu colecionei com um imenso carinho a partir do&lt;i&gt; Prelúdios e Noturnos&lt;/i&gt; em 2005. Naquelas horas de trabalho, acho que demonstrei mais da minha &lt;b&gt;paixão nerd&lt;/b&gt; do que em vários anos de núcleo de pesquisa. Falei até mesmo sobre &lt;b&gt;Douglas Adams&lt;/b&gt; e o &lt;i&gt;Dia da Toalha&lt;/i&gt;, com a minha ingenuidade encantada, diante também de uma professora da UNICAMP que é uma bailarina e atriz estupenda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Dreamwork&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;worlding&lt;/b&gt;, para usar as palavras que me encasquetaram com a tradução de que falei no post anterior. É até difícil dimensionar o quanto estas &lt;b&gt;histórias são importantes&lt;/b&gt; na minha vida. Fiquei lembrando de quando eu comecei a namorar o ex, o quanto eu falava sobre Neil Gaiman, Tolkien, Lovecraft, Michael Ende e outros narradores que eu tomava como parte de mim, histórias que poderiam apresentar-me, &lt;b&gt;dar-me a conhecer&lt;/b&gt; a um outro. Tinha um certo sentido de &lt;b&gt;Belo&lt;/b&gt; a ser compartilhado que então parecia muito fascinante. Filmes, livros, quadrinhos... mais do que buscar uma afinidade de gostos, era uma maneira de fazer conhecer as &lt;b&gt;forças&lt;/b&gt; que me atravessavam, que me afetavam em suas &lt;b&gt;intensidades&lt;/b&gt;, num sentido deleuziano. Não apenas coisas nerds, mas o carinho enorme que eu tenho por Clarice, Borges, Garcia Marquez, Herman Hesse, Calvino...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estes universos fantásticos tem para mim, como para tantos amigos nerds por aí, um sentido de reconhecimento, de &lt;b&gt;enraizamento&lt;/b&gt; profundo. São mundos que de fato habitamos. Alguns encontram nas histórias heróicas &lt;b&gt;valores profundos&lt;/b&gt;, como honra,  lealdade, coragem, fé, que os ajudam a entender e enfrentar os outros mundos em que vivemos no cotidiano. Para mim, o valor maior está no próprio movimento de &lt;b&gt;narrar&lt;/b&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez &lt;b&gt;narrativa e memória&lt;/b&gt; sejam eternamente os monotemas da minha vida. Talvez seja por isso que atualmente minha pesquisa é sobre narrativas difíceis e memórias traumáticas, e uma certa idéia benjaminiana de &lt;b&gt;redenção&lt;/b&gt; pela retomada salvadora da palavra. E então eu vejo esta estranha bifurcação entre o &lt;b&gt;homem absurdo&lt;/b&gt; do &lt;i&gt;Mito de Sísifo&lt;/i&gt; de &lt;b&gt;Camus&lt;/b&gt; e Sandman, no alto da colina no inferno, silenciando todos os demônios ao declarar "eu sou a &lt;b&gt;esperança&lt;/b&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2754570955304565232?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2754570955304565232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2754570955304565232' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2754570955304565232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2754570955304565232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/06/sandman-historias-e-afetos.html' title='Sandman, histórias e afetos'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-4546707991873492523</id><published>2010-05-31T15:01:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T15:36:06.038-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mestrado'/><title type='text'>The work of my dreams</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma tarefa a que me dediquei neste semestre foi a tradução de um texto sugerido pelo &lt;a href="http://twitter.com/rafadrimarques"&gt;@rafadrimarques&lt;/a&gt;, que é uma daquelas pessoas que me pedem chorando e eu faço sorrindo (ou será o contrário? hehehe). Trata-se de uma entrevista com a feminista, primatologista, professora de história da consciência, etc, etc &lt;b&gt;Donna Haraway&lt;/b&gt; que, se Deus (e a comissão editorial) quiser, sai ainda no próximo número da revista &lt;a href="http://www.pontourbe.net/"&gt;Ponto Urbe&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem sei que eu não tenho nível de inglês pra ficar traduzindo texto acadêmico. Meu nível geral de inglês varia conforme certos fatores, como o quanto eu andei escutando/lendo de inglês no dia, a hora do dia (the night light up my mind), oportunidades recentes de conversação e expressão oral e escrita, etc. Fluência mesmo é só em leitura, que vai na mesma velocidade do português, e mais rápido que espanhol. Minha escrita é média, porque eu tenho certos deficits gramaticais oriundos de uma educação pouco formal na língua. O &lt;a href="http://n-a-u.org/pontourbe03/timingold.html"&gt;outro texto cuja tradução publiquei&lt;/a&gt;, foi traduzido em conjunto por vários colegas, debatendo linha a linha a tradução, o que dava mais segurança. Mas, como diz o msn de um amigo, &lt;i&gt;audaces fortuna iuvat&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que eu estava falando mesmo desse texto que eu traduzi e que &lt;a href="http://twitter.com/yavannilde"&gt;minha mãe&lt;/a&gt; está revisando agora? Ah, é. Por causa de um termo que me encucou, pela sua simplicidade e intradutibilidade. É o uso que a autora faz da palavra &lt;b&gt;dreamwork&lt;/b&gt;. Super fácil de entender - dream = sonho; work = trabalho, funcionamento. Mas a autora o usa como verbo, e em sua discussão sobre trabalho categorial, novas semioses, etc. é importante se ater às funções semânticas e sintáticas das suas palavras. Então, eu precisava de um verbo em português que pudesse dar conta disso, mas parece que as atividades oníricas em nossa língua materna não precipitaram em muitas palavras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Devanear&lt;/b&gt;? Não é o caso. Para Haraway, &lt;b&gt;dreamwork&lt;/b&gt; é um processo derivado da herança da teoria crítica, que cria dignósticos do social pensando o real a partir do possível, o ser pelo dever ser. Então o &lt;b&gt;dreamwork&lt;/b&gt; reflete este processo que não é utópico, mas eminentemente político.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso mesmo &lt;b&gt;aspirar&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;sonhar&lt;/b&gt; também não me parecem boas traduções. O primeiro porque parece precisar de um sujeito aspirante, seja um indivíduo ou uma classe (e Haraway está suficientemente inserida no pós-estruturalismo para atentar ao intercruzamento de marcadores de diferença na constituição dos saberes, como ela mesma discute no excelente "&lt;a href="http://www.pagu.unicamp.br/files/cadpagu/Cad05/pagu05.02.pdf"&gt;Saberes Localizados&lt;/a&gt;"). E "sonhar" por si só remete muito ao inconsciente Freudiano, e no texto em questão Haraway nos adverte que não é disso que se trata, embora tenhamos que reformular esta categoria de inconsciente nesse contexto ciborgue/espécies companheiras em que vivemos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Dreamwork&lt;/b&gt; tem que refletir um labor, um esforço criativo e uma praxis, sem inscrever uma ontologia inexorável. Comprexo. Vou ver o que minha mãe sugeriu. Possivelmente ela vai dizer que eu sou uma anta, que &lt;b&gt;dreamwork&lt;/b&gt; é uma expressão idiomática que não pode ser traduzida literalmente e que há um correspondente aproximado corrente em português. E eu vou olhar com aquela expressão bovina e dizer "Ahn... é?"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oi, meu nome é Ana, tenho 24 anos, estou no mestrado, e minha mãe ainda me ajuda na lição de casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-4546707991873492523?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/4546707991873492523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=4546707991873492523' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4546707991873492523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4546707991873492523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/05/work-of-my-dreams.html' title='The work of my dreams'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-8317980122743125814</id><published>2010-05-25T08:28:00.001-07:00</published><updated>2010-05-25T08:54:52.717-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>Exorcizando melancias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este fim de semana eu assisti um filme com uns colegas da facul que provavelmente estragou o resto da minha semana. É provável que eu já estivesse mais sensível por conta de outros fatores, mas não diminui a ojeriza que eu senti pela coisa toda. Escrever às vezes é um rito de cura (e talvez de ab-reação, diria o velho Lévi-Strauss, já que permite que uma linguagem expresse a aflição), mas eu repito constantemente a questão do Taussig, é possível escrever contra o terror?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O filme em questão é &lt;b&gt;O Sabor da Melancia&lt;/b&gt;, rodado em Taiwan no começo dos anos 2000. Vi uma crítica dizendo que o filme é de um diretor promissor e é a continuação de uma outra história. O filme, uma espécie de musical pornô, se passa em Taipei, assolada pela estiagem e tomada por uma febre do consumo de melancias. Mas é tudo alegórico, não é disso que o filme trata. A trama gira em torno de uma moça que reencontra um rapaz de quem gosta sem saber que ele se tornou um ator de produções pornô caseiras. Entre os desencontros dos dois até se apaixonarem, ela rouba e armazena compulsivamente garrafas de água e ele grava seus vídeos pornô, sempre com a mesma atriz, o outro vértice do "triângulo". Por conta de sua atividade profissional, o ator rejeita o sexo com sua amada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os vídeos pornô também giram em torno dos temas da melancia e da água, desenvolvendo algumas metáforas escancaradas. Em uma cena, o ator penetra com os dedos uma melancia aberta que a atriz segura entre as pernas, e depois a força a engolir pedaços enormes da fruta. Em outra, a atriz penetra a si mesma com uma garrafinha plástica. Para o ator mocinho, a sensação de trabalhar com pornô é um pouco a de desilusão, porque no fundo ele é um romântico solitário (como ele canta numa das cenas musicais do filme, na qual ele aparece como um homem-peixe numa caixa d'água). Para a mocinha, existe uma espécie de processo de aceitação e inclusão na atividade do amado. É tudo retratado de modo colorido e meio ridículo, com cenas musicais coloridas e coreografadas. A ânsia (sexual) insaciável da mocinha, compulsiva por águas e melancias, enfim encontra seu termo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O problema é que há outro ser humano alí, que a todo momento é tratado como um ser degradado e um objeto descartável. A atriz pornô, parceira do mocinho. Ela aparece em situações retratadas como trapalhadas mas que se tornam crescentemente degradantes e perturbadoras. Depois de gravar a cena da melancia, sem água para se lavar, ela é atacada por um enxame de formigas. Na cena da garrafa, a tampa acaba ficando lá dentro e é retirada pelos produtores do filme como se o corpo da atriz fosse algo nojento. Por fim, há a cena final do filme, em que a atriz está desacordada e ao invés de ser acudida, ela é usada em uma longa gravação, sendo estuprada pelo ator com a aquisciência da mocinha (que está aprendendo a aceitar a profissão do amado), e da equipe de produção (que tem que trabalhar, afinal de contas). Em nenhum momento nenhum dos personagens parece estranhar minimamente o fato de estarem utilizando o corpo da atriz como um objeto, como um boneco. Em nenhum momento eles parecem se preocupar se ela está viva ou morta de fato. Ela é arrastada pelo prédio, erguida e movida pelos produtores do filme, limpa e retocada para a próxima cena. Desmaiada. Ou morta. E ninguém se importa. Por fim, depois de mais de dez minutos de cena, num arroubo de busca de sentido, o ator se desengata da atriz inanimada e parte pra cima da mocinha, ambos em êxtase.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senti um embrulho no estômago que está até agora. Não consigo aceitar cenas de estupro banais e não problematizadas como esta. Um colega ainda veio tentar relativizar que ela era atriz pornô, e que teria topado se estivesse acordada. Que merda ouvir isso! Legitimação do estupro. Outro comentário é o de que eram mulheres em abstrato, que todas as mulheres no filme são uma só, igualmente agredidas. Não importa. Não são. Existem duas coisas fundamentais nessa questão: escolha e consentimento. E também dignidade. Arrancar isto da personagem assim é uma violência, não pode virar piadinha, não pode ser naturalizado ou relativizado, especialmente partindo de premissas machistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não assistam o filme. Este merece ir para o lixo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-8317980122743125814?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/8317980122743125814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=8317980122743125814' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8317980122743125814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8317980122743125814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/05/exorcizando-melancias.html' title='Exorcizando melancias'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-9063706706002593079</id><published>2010-05-16T10:01:00.000-07:00</published><updated>2010-05-16T10:51:48.108-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos pseudo-biográficos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rpg'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>Autoetnografias no RPG</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aproveitei este fim de semana de Virada Cultural para ficar em casa e terminar uns assuntos pendentes. Um deles foi o &lt;b&gt;prelúdio&lt;/b&gt; da minha personagem de Mago, que eu estava devendo há um tempão para o mestre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O prelúdio já estava quase pronto, de fato, mas eu o deixei dormitando um pouco no computador porque pretendia reescrevê-lo. Estou numa fase muito bakhtiniana, apostando em &lt;b&gt;multivocalidade&lt;/b&gt;, e queria de certo modo achar a voz certa para escrever a história da vida da pequena Eleonora, atriz florentina da nascente Commedia Dell'Arte no ano de 1404. Mas isso exigiria uma reflexão sobre &lt;b&gt;história oral&lt;/b&gt; que no momento está além das minhas capacidades de estudo. Eleonora é artista de uma tradição oral, é uma jovem analfabeta, mas que conhece profundamente o que se poderia chamar de folclore das terras por onde sua trupe viaja e também estes personagens do repertório popular de um mundo em transição do medieval para o renascentista. Creio que ela teria uma preocupação enorme com &lt;b&gt;ritmos e musicalidades&lt;/b&gt;, pois tem as &lt;b&gt;palavras corporeificadas&lt;/b&gt;, e não abstraídas em sinais gráficos. Além disso, sua narrativa não seria nem um pouco introspectiva, porque a &lt;b&gt;subjetividade &lt;/b&gt;de sua época era completamente outra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O prelúdio acabou sendo muito mais Ana que Eleonora. Mas é isso, a composição de uma personagem nos jogos de RPG também é um &lt;b&gt;processo&lt;/b&gt; contínuo e inacabado, de trocas e experimentações. Hoje de manhã estava explicando para o Luciano que há escrita de um prelúdio de personagem tem suas peculiaridades. Não estamos produzindo um conto, &lt;i&gt;strictu sensu&lt;/i&gt;. O objetivo de um prelúdio é "narrativizar" a &lt;b&gt;ficha de personagem&lt;/b&gt; e dar coerência para os &lt;b&gt;afetos e ações da personagem&lt;/b&gt; durante o jogo, no qual o grupo inteiro é &lt;b&gt;palco&lt;/b&gt; (já diziam os autores da &lt;i&gt;White Wolf)&lt;/i&gt;. Ao escrever, tento pensar nos &lt;b&gt;atributos&lt;/b&gt; da personagem, nos números que escrevi, nas bolinhas que eu pintei, nas categorias escolhidas a partir das tipologias presentes nos manuais de regras. Enriquecer este encontro de &lt;b&gt;jogo, narrativa e performance&lt;/b&gt;. Tentamos, é claro, tornar a escrita interessante e agradável para o mestre ou outros jogadores, mas o objetivo principal é esta descoberta, esta &lt;b&gt;reflexividade&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;meta-alteridade&lt;/b&gt; que nos permitirá tirar muito mais proveito do jogo. Por isso, num certo sentido, um prelúdio está muito mais para um &lt;b&gt;diário&lt;/b&gt; que para um conto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dino e Enéas, dois dos melhores mestres com quem joguei, costumavam distribuir aos jogadores folhas com o tal &lt;b&gt;Jogo das Vinte Questões&lt;/b&gt;, que é similar às perguntas presentes nos livros do &lt;b&gt;World of Darkness&lt;/b&gt;. A idéia era mais ou menos a mesma, mas talvez se pautando menos nos atributos dos personagens presentes na ficha e mais no tipo de&lt;i&gt; &lt;b&gt;plot&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; que o jogo engendrava (normalmente &lt;b&gt;Legend of the Five Rings&lt;/b&gt;, uma espécie de fantasia samurai). O prelúdio se torna então &lt;b&gt;entrevistas estruturadas&lt;/b&gt; que o jogador responde em nome do personagem. Isso dava um certo grau de c&lt;b&gt;omparabilidade&lt;/b&gt; de respostas entre os diferentes personagens que podia facilitar o entendimento de suas interações. Mas tem a desvantagem de homogeneizar um pouco as vozes desses personagens. E, em um certo sentido, é mais um &lt;b&gt;instantâneo&lt;/b&gt; do personagem do que uma história, porque pergunta as opiniões e posições do personagem num dado momento. Imagino que numa campanha longa, essas respostas se transformariam, enquanto que num formato de diário, o texto poderia simplesmente ser prolongado, numa maior &lt;b&gt;diacronicidade&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jogos diferentes exigem &lt;b&gt;estéticas diferentes &lt;/b&gt;de autobiografia de personagens. Num jogo de &lt;b&gt;Paranóia&lt;/b&gt;, no qual são todos clones numa sociedade de castas de alta tecnologia controlada por um computador louco na qual as pessoas morrem como moscas e são repostas em linhas de produção, nem o diário nem as questões fariam qualquer sentido. E provavelmente seriam consideradas&lt;b&gt; traições.&lt;/b&gt; E, em Paranóia, traição é punida com a morte (do personagem, é claro :P).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-9063706706002593079?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/9063706706002593079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=9063706706002593079' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/9063706706002593079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/9063706706002593079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/05/autoetnografias-no-rpg.html' title='Autoetnografias no RPG'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-9122487795265222666</id><published>2010-04-25T07:56:00.000-07:00</published><updated>2010-04-25T08:33:04.117-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='usp'/><title type='text'>Mais uma vez, o horror</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estudar na USP é uma experiência cheia de ambiguidades. Creio que, em momento nenhum, deveríamos esquecer do enorme privilégio de estudar numa das melhores universidades do Brasil, custeada pelo ICMS que é pago por todas as pessoas, de qualquer classe e situação. Mas nos esquecemos. A proposição se inverte muitas vezes, fazendo com que estudantes e professores ajam como se &lt;i&gt;eles&lt;/i&gt; fossem os melhores do Brasil, estivessem lá por um direito meritocrático baseado no desempenho na FUVEST, networking e tamanho do currículo &lt;i&gt;lattes&lt;/i&gt;. Muitos alunos estudam anos na USP e no fundo não passam de fuvestinos, pensando nos estudos em termos de tarefas e ranqueamento, e a lógica produtivista das políticas públicas de educação sustenta isso. Redundante, mas é puro Bourdieu. A USP forma muitos alunos arrogantes, prepotentes, cheios de empáfia, míopes. Claro que isto não é geral. A maioria dos alunos e professores não é assim, embora derrape nesses comportamentos às vezes. Esse espírito pauta também a segmentaridade entre diferentes unidades aqui na USP, na qual membros dos cursos e programas com maior monopólio das verbas, parcerias vultuosas com empresas privadas e status sentem-se imensamente superiores aos alunos dos cursos cuja agenda não está tão vinculada com pesquisas para o mercado e que tem menos burocratas profissionais especializados em arrebanhar dinheiro das pró-reitorias e empresas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é desse lugar de elite, que se quer tão intocável, que se enuncia &lt;i&gt;&lt;a href="http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/04/policia-civil-vai-investigar-jornal-que-pediu-para-jogar-fezes-em-gays.html"&gt;nesses termos&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; a homofobia. Alguns alunos das Ciências Farmacêuticas, que pareceriam conviver tão de perto com a FFLCH* devido à proximidade dos prédios, sentem-se confortáveis para publicar uma incitação à violência, escondendo-se atrás da suposta contestação do humor politicamente correto, que de contestação nada tem, ao reafirmar os &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt; e assimetrias, ao explorar a vulnerabilidade que pessoas LGBT tem em um Estado ainda pouco capaz de garantir sua segurança e dignidade. Nesse discurso breve publicado, há o intercruzamento de uma série de reafirmações violentas de poder. Usam a lógica clássica da contaminação ao falar do beijo gay no porão da medicina, que deve ser purgado; comparam-se à ECA, situando sua permissividade no lugar do que deve ser evitado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Universidade de São Paulo deve abrir uma sindicância para apurar os autores do texto e puni-los. Eu não acredito muito na eficácia da idéia de punição exemplar, pessoalmente, mas a usp não pode se furtar à responsabilidade de sua missão universalista e plural, em primeiro lugar, e de ser um espaço de constante formação para toda a sua comunidade. Esses geniozinhos deveriam ter que fazer serviço comunitário em algum lugar que seu discurso pudesse se voltar contra eles mesmos, que eles pudessem experimentar o horror e o sofrimento que a homofobia causa a um sem número de pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao saber dessas coisas, eu reafirmo meu questionamento feito à época do espisódio da UNIBAN. Somos tão diferentes assim deles? Linchar uma garota ou um gay, apelando para o mais puro barbarismo, é o regime do horror. Minha esperança é que, alunos da UNIBAN e uspianos possam aprender a se tornar diferentes &lt;i&gt;disso&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:smaller;"&gt;*Não me entendam mal, alguns dos discursos mais obtusos que eu ouvi foram na própria FFLCH, mas lá há respostas mais articuladas, e respondem mais rapidamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-9122487795265222666?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/9122487795265222666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=9122487795265222666' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/9122487795265222666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/9122487795265222666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/04/mais-uma-vez-o-horror.html' title='Mais uma vez, o horror'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-8141906978238570132</id><published>2010-04-11T21:31:00.000-07:00</published><updated>2010-04-11T22:19:51.582-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos pseudo-biográficos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rpg'/><title type='text'>Tagarelices desmioladas sobre RPG na madrugada de domingo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O texto abaixo é filho do tédio absoluto de um domingo de pijama.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não comentei aqui no blog, mas meus 2d6 leitores devem saber que &lt;b&gt;eu voltei a jogar RPG regularmente com um grupo&lt;/b&gt;. E, para minha enorme felicidade, estamos jogando &lt;b&gt;Mago, a Cruzada dos Feiticeiros&lt;/b&gt;. Eu sou apaixonada por Mago há anos, mas nunca tinha tido a oportunidade de jogar uma crônica, apenas &lt;i&gt;one shots&lt;/i&gt; esparsos e em geral &lt;b&gt;mal organizados&lt;/b&gt;. Não estou falando de quem joga Mago como se fosse &lt;b&gt;GURPS Supers&lt;/b&gt;, mesmo porque eu nunca fiz isso (aliás, GURPS Supers é um bom sistema, &lt;i&gt;why not&lt;/i&gt;?). Quero dizer improvisados, daqueles que deixam o narrador meio perdido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cansei de ver debates em encontros, e-groups, fóruns, orkuts e etc. sobre uma suposta maturidade que determinados RPG exigem, que muitas vezes descambam ou num ranço RPGista recorrente de &lt;b&gt;se achar mais inteligente&lt;/b&gt; ou culto que os outros ou em &lt;b&gt;guerras geracionais&lt;/b&gt; que se espelham desde os tempos da geração xerox. Mesmo nos meus momentos mais etnográficos (sic), acho a maior parte dessas discussões tediosas e &lt;b&gt;elitistas&lt;/b&gt;. Acho que essa discussão tem tons muito peculiares aqui no Brasil, as representações nerds norte-americanas e meus parentes nerds holandeses são diferentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, eu suspeito muito da &lt;b&gt;teoria GNS&lt;/b&gt;, de modo geral, porque ela não dá conta dessas apropriações particulares dos jogos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, voltando ao Mago, acho que é um jogo que ganha um sabor todo especial quando estruturado com esmero. Por se tratar de um jogo de &lt;b&gt;confronto de filosofias&lt;/b&gt; e paradigmas, é enriquecedor que haja personagens construídos multidimensionalmente, capazes de operar e reagir no plano do sensível, nos modos cognitivos, para que as &lt;b&gt;escolhas&lt;/b&gt; dos jogadores não sejam apenas pautadas numa &lt;b&gt;razão prática&lt;/b&gt; ou na &lt;b&gt;reprodução preguiçosa de clichês&lt;/b&gt;, mas que possam engendrar &lt;b&gt;experiências de transformação&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nunca mestrei Mago, é um jogo que me inspira uma certa &lt;b&gt;timidez&lt;/b&gt;. Quando tinha uns treze anos, na época em que me mudei para o Rio Grande do Sul, cheguei a começar um &lt;b&gt;fanfic&lt;/b&gt; de uma cabala paulistana (três magos e um gangrel) que também estaria se mudando para lá a fim de investigar uns fenômenos estranhos, mas abandonei-o com umas 30 páginas. Anos depois, mestrei esta história como um jogo de &lt;b&gt;Vampiro, a Máscara&lt;/b&gt; para meus colegas gaúchos do Ensino Médio, que acharam o máximo ter a história ambientada em Santa Cruz. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, 10 anos depois, acredito que a história funcionaria ainda muito bem. Mas também, acho que no &lt;b&gt;Mundo das Trevas,&lt;/b&gt; o novo  ou o velho, os cenários acabam se sedimentando um pouco na cabeça de cada mestre/narrador. Qualquer jogo de Vampiro que eu vá mestrar hoje ambientado em São Paulo terá como pano de fundo a guerra entre Ventrues e Nosferatus pelo controle do &lt;b&gt;centro da cidade&lt;/b&gt;, entre movimentos populares e atividades criminosas e &lt;i&gt;gentrification&lt;/i&gt;. Se for em Santa Cruz, terá que lidar com o &lt;b&gt;represamento do Rio Pardinho&lt;/b&gt; que interrompeu o fluxo de Quintessência para o Caern. Assim como boa parte das minhas &lt;b&gt;campanhas natimortas&lt;/b&gt; de D&amp;amp;D partem das disputas territoriais entre elfos, orcs e homens-lagartos. Não sei se são os meus &lt;i&gt;tristes tropos&lt;/i&gt;, mas uma boa parte dos mestres que eu conheço é um pouco assim, especialmente aqueles que não conseguem arrumar um grupo regular e ficam com aquela idéia fodástica de campanha como o &lt;b&gt;retorno recalcado&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que é engraçado, aliás. Vários amigos RPGistas ou semi-RPGistas vieram reclamar comigo que eu estou jogando e não os chamei. Porra, faz só 6 anos que eu estou querendo montar grupo!!! Me ofereci para mestrar uma porrada de coisas (Até &lt;b&gt;Shadowrun&lt;/b&gt;, acredite se quiser!), imprimi rios de fichas, montei cenário, encarei o Manual Básico do &lt;b&gt;Call of Cthulhu&lt;/b&gt;... (Já falei que eu não gosto de ler livro de regras?). Fulano fica nessa de "Vamos marcar, vamos marcar..." mas fura e vem me culpar? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não culpo os grupos com os quais eu furo sistematicamente, normalmente eu me desculpo (hehehehe). Agora que eu estou frequentando um &lt;b&gt;psicólogo super plus plus&lt;/b&gt; (sic) que reclamou não existir uma palavra feminina para nerd para poder me designar, eu imagino que eu vá me tornar uma jogadora menos furona também, porque &lt;b&gt;sair de casa&lt;/b&gt; se torna um desafio menor e menos constante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Chicó comprou uma &lt;b&gt;guirlanda de balas de morango&lt;/b&gt; no Natal, que todo mundo achou bonitinha e ninguém comeu, deixando-a repousar na estante até as balas derreterem e fazerem uma &lt;b&gt;meleca vermelha&lt;/b&gt;. Hoje, fui passar pano nos livros e descobri que entre os livros contaminados pelo "espírito do natal" chicolesco estava o meu &lt;b&gt;Mage, the Ascension&lt;/b&gt;. Realmente, não é a Ordem da Razão o maior dos perigos, são os backlashs da &lt;b&gt;entropia&lt;/b&gt; republicana (aka sem-noçãozice preguicítica).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-8141906978238570132?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/8141906978238570132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=8141906978238570132' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8141906978238570132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8141906978238570132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/04/tagarelices-desmioladas-sobre-rpg-na.html' title='Tagarelices desmioladas sobre RPG na madrugada de domingo'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2146609195602693788</id><published>2010-04-07T20:02:00.000-07:00</published><updated>2010-04-07T20:07:53.382-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>I cried a river over you</title><content type='html'>Só pra coroar o post anterior, já que o tempo está curto pra escrever algo mais útil. Qual versão de &lt;b&gt;Cry me a River&lt;/b&gt; serve de trilha sonora?&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Now you say you're lonely &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;You cry the long night through&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Well, you can cry me a river&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Cry me a river&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;I cried a river over you&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Now you say you're sorry&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;For being so untrue&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Well, you can cry me a river&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Cry me a river&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;I cried a river over you&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;You drove me, nearly drove me, out of my head&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;While you never shed a tear&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Remember, I remember, all that you said&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;You told me love was too plebeian&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Told me you were through with me and&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Now you say you love me&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Well, just to prove that you do&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Come on and cry me a river&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Cry me a river&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;I cried a river over you&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;I cried a river over you&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;I cried a river...over you...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;h3&gt;Joe Cocker&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/SMwXPueu-RM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/SMwXPueu-RM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;h3&gt;Ella Fitzgerald&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jAoABuJS1MA&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2146609195602693788?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2146609195602693788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2146609195602693788' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2146609195602693788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2146609195602693788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/04/i-cried-river-over-you.html' title='I cried a river over you'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1579630457714904303</id><published>2010-04-01T18:53:00.000-07:00</published><updated>2010-04-01T18:55:02.623-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos pseudo-biográficos'/><title type='text'>Entre o indizível e o inconfessável</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há nada que eu escreva que soe verdadeiro. Tenho o impulso de apagar caractere por caractere, em busca de uma frase mais precisa. Não há senão o indizível. Nesses tempos de internet e redes sociais, às vezes pode surgir a sensação de se estar mais próximo, de compreender melhor à distância, sem precisar de diálogos ou encontros constrangedores. Mas esses rastros e vestígios que encontramos em fragmentos de conversas, recados e comentários digitados em pequenas caixas de diálogos nos fornecem apenas ilustrações de teses já pré concebidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje eu entendo a minha saudade como um descompasso entre o meu amor e o desamor dele. Mesmo se nos braços de outro homem, ainda posso falar com sinceridade sobre esse amor, que estrutura tantas experiências e memórias, ainda que aleijadas. Mas falar sobre amor é diferente de falar de amor, aquele regime de enunciação capaz de transformar ouvinte e falante, capaz de transformar o passado e abrir o futuro, capaz de alterar o espaço, o tempo, a experiência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essas falas de amor, que posso ver circularem entre outros, revelam por contraste sua ausência desde sempre entre eu e ele. Sem sua verdade, tudo parece amorfo. Minhas lembranças se tornam alegóricas, falam ao lado de seus temas, sem preencher-se com eles. Ao perceber as falas de amor entre outros amantes, há o quase-consolo de sabê-las no lugar certo, entre duas pessoas capazes de dotá-las de verdade e transformar-se com elas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se cada vez mais sei da indiferença dele, cada vez mais fracasso em tornar-me indiferente também. Mesmo olhando para frente, para os lados, para os instantes recém nascidos, ainda encontro cacos de espelho que refletem o passado inconfessável. Fico em dúvida sobre deter-me ou apertar o passo, quais sentimentos me permitir. Até hoje, o melhor conselho que recebi foi o de recolher-me ao silêncio, de não navegar por falas, verdadeiras ou falsas, de buscar outros modos de transformação. Ë difícil...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1579630457714904303?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1579630457714904303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1579630457714904303' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1579630457714904303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1579630457714904303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/04/entre-o-indizivel-e-o-inconfessavel.html' title='Entre o indizível e o inconfessável'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1659972324513126064</id><published>2010-03-28T11:08:00.000-07:00</published><updated>2010-03-28T11:16:41.312-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><title type='text'>O que se fala do crime</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acompanhei como pude e o quanto aguentei do caso Isabella pela imprensa e pela internet. É difícil pensar em outro caso capaz de mobilizar questões tão sensíveis a tantos setores diferentes da sociedade brasileira (se é que se pode falar em sociedade brasileira).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A &lt;b&gt;Teresa Caldeira&lt;/b&gt; tem essa idéia bem interessante de &lt;b&gt;“fala do crime”&lt;/b&gt;, que é esta espécie de imaginário de terror criado pelo recontar de experiências de violência na grande cidade, estereotipada e reduzida a algumas grandes imagens, capaz de mobilizar e agrupar narrativas díspares. O caso começou com &lt;b&gt;mitemas&lt;/b&gt; tradicionais da fala do crime que apavoram a&lt;b&gt; classe média&lt;/b&gt; da “cidade dos muros”, que busca fortificações, condomínios e edifícios para se proteger das classes perigosas que povoam as ruas. Afinal, nas primeiras coberturas do caso tratava-se de um ladrão que invadiu o prédio e matou a criança, e a defesa sustentou esta versão até o final.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois, quando as suspeitas caíram sobre o casal, outros temores comuns surgiram, amparados pelas incertezas de um ideal de família estruturada que cada vez menos se realiza. Puderam sentir o frio na espinha todos aqueles que tem de lidar com &lt;b&gt;reconfigurações familiares&lt;/b&gt; e se perguntam com quem convivem seus filhos, irmãos, etc. O medo do desconhecido que se infiltra no ambiente doméstico e no núcleo familiar. Somado a isso, as revoltas contra as “destruidoras de lares”, nesse imaginário de que maridos sempre podem ser seduzidos por outras mulheres. A &lt;b&gt;madrasta roubou o marido da mãe,&lt;/b&gt; o que atesta sua vilania. As esposas devem se precaver contra essa ameaça. &lt;b&gt;Papéis de gênero&lt;/b&gt; que contribuem para a violência em uma série de níveis, podendo ser usados tanto para culpabilizar a mãe por sua &lt;b&gt;ausência&lt;/b&gt; quanto a madrasta por seu &lt;b&gt;ciúmes&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A imagem da menina branca, bela, inocente, criança incapaz de se defender, tornou possível comover aqueles que se sentem &lt;b&gt;embotados &lt;/b&gt;pelos relatos diários e estatísticos de violência doméstica, silenciados por sua própria profusão confusa. Com Isabella foi possível revoltar-se novamente contra a &lt;b&gt;barbárie&lt;/b&gt;. Mortes que se contam, tornadas narrativas para tentar reaver sentidos que a &lt;b&gt;experiência da violência&lt;/b&gt; interrompe. Ao mesmo tempo, a cobertura midiática cria uma sensação de &lt;b&gt;agência&lt;/b&gt; sobre o mundo pela &lt;b&gt;vontade de saber&lt;/b&gt; mais e mais sobre o caso, e com isso tentar participar dos acontecimentos que afetam “a sociedade”. Saber sobre o caso é uma &lt;b&gt;forma de estar no mundo&lt;/b&gt; e agir sobre ele, afetá-lo e afetar-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este é, aliás, um dos &lt;b&gt;princípios democráticos&lt;/b&gt; do Tribunal do Júri, o julgamento por iguais, por pares da sociedade, e não por técnicos do direito. Por isso as audiências são em princípio públicas e abertas para a assistência. De modo indireto, faz parte do Júri que a sociedade se manifeste e se mobilize nos casos em que foi ofendida. Aqueles que condenam o “clamor público” tem que lembrar disso. Os próprios operadores do direito que defendem o Júri afirmam seu &lt;b&gt;caráter pedagógico&lt;/b&gt;. O caso do crime desperta uma forma de &lt;b&gt;cidadania&lt;/b&gt; diferente da dos domínios eleitorais, por exemplo. E se a esfera pública está invadida por concepções personalistas, talvez a idéia de “dilema brasileiro”do &lt;b&gt;Roberto Da Matta&lt;/b&gt; ainda faça algum sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A incerteza a respeito do caso também foi fonte de bastante &lt;b&gt;polissemia&lt;/b&gt;. Em outros casos famosos, houve intensa cobertura do trabalho da polícia técnica, dos peritos, mas aqui, sem réus confessos, tratava-se de descobrir quem são os culpados. Essa investigação revestiu-se de eficácia e de entretenimento, como um jogo capaz de acessar os imaginários detetivescos de seriados como &lt;b&gt;CSI&lt;/b&gt;. Mais vontades de saber em que tudo pode ser problematizado, tudo pode virar indício de autoria, retratar a personalidade criminosa dos acusados, inscrever seu suposto crime em suas imagens. As &lt;b&gt;seduções de um tecnicismo&lt;/b&gt;, de provas periciais que podem valer milhares de testemunhas, também assustam em sua denúncia de assujeitar o homem pela máquina. Afinal, quem tem o &lt;b&gt;saber legítimo&lt;/b&gt; para traduzir uma mancha, uma gota, uma pegada? E quem pode confrontar este saber?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Justiça estava em risco, o caráter agonístico da investigação criou torcidas. Ao mesmo tempo em que se queria descobrir culpados, como nos romances de &lt;b&gt;Agatha Christie&lt;/b&gt;, já se sabia o tempo todo que estes estavam entre os personagens da trama. O esforço era pra provar o que já se sabia, de transformar o consenso em evidência e silenciar os ruídos fracos. Afinal de contas, a mídia se atribui o &lt;b&gt;papel de cobrar os poderes em nome&lt;/b&gt; da “sociedade brasileira”, que ela está ajudando a formar e informar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido o &lt;b&gt;didatismo&lt;/b&gt; da mídia foi exemplar, maior do que em outros casos. Seja nas coberturas &lt;b&gt;melodramáticas&lt;/b&gt; da Record, seja nas animações e infográficos do Jornal Nacional, aprendemos ao longo das investigações e do julgamento a condenar o casal. Na segunda feira, Fátima Bernardes nos explicava como funciona a votação dos jurados, e quesito a quesito demonstrava a condenação, &lt;b&gt;ensinava a condenar&lt;/b&gt;. Uns poucos escolhidos da assistência faziam a cobertura &lt;b&gt;minuto a minuto&lt;/b&gt;, como num jogo de futebol, comentando lances, fazendo a avaliação da performance da defesa e acusação, do nível de comoção dos réus e familiares. Todos se tornavam &lt;b&gt;especialistas&lt;/b&gt;, de algum modo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É difícil analisar o caso com uma concepção muito rígida de democracia, uma vez que a imprensa exerce seu poder de maneira autocrática e perversa, destruindo e fagocitando canais mais independentes de comunicação, com um sucesso decrescente. &lt;b&gt;É curioso pensar que ela busca mobilizar a sociedade enquanto criminaliza os movimentos sociais.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu leio o processo todo com um certo otimismo. Acho que essa obscuridade que as falas do crime tem em si gérmens de &lt;b&gt;despertar&lt;/b&gt;. Aos poucos, alguma reflexividade surge e as pessoas podem perceber incoerências e emendas suspeitas, levando-se a questionar os processos de justiça no Brasil. E na &lt;b&gt;constelação&lt;/b&gt; de casos famosos, Daniela Perez, Richtoffen, o menino Otta, João Hélio, Liliana e Café, surgem também algumas lembranças da Escola Base, ou do caso Aline, em Ouro Preto. Fracos ainda para deslegitimar o &lt;b&gt;linchamento moral&lt;/b&gt; promovido perante os olhos da “sociedade brasileira” e repensar o que é Direito, num sentido forte do termo. Talvez se possa aos poucos entender &lt;b&gt;a importância de se presumir a inocência&lt;/b&gt; para minimizar os efeitos perversos de uma justiça já tão arbitrária. O casal de réus, culpado ou inocente da morte de Isabella, tendo recebido uma pena justa ou não, foi privado de alguns direitos que supostamente teríamos como valores maiores. E esta violência também esteve sendo julgada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1659972324513126064?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1659972324513126064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1659972324513126064' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1659972324513126064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1659972324513126064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/03/o-que-se-fala-do-crime.html' title='O que se fala do crime'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2250465487087789552</id><published>2010-03-27T06:44:00.000-07:00</published><updated>2010-03-27T07:14:27.692-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Imagens dialéticas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/S64L0BFLibI/AAAAAAAAAM4/CTxXapkX-Vg/s1600/o-professor-e-o-pm.jpg"&gt;&lt;img style="float: top; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 312px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/S64L0BFLibI/AAAAAAAAAM4/CTxXapkX-Vg/s400/o-professor-e-o-pm.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453309187063515570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;"Nesse mundo de obscuridade epistemológica, cujo efeito sobre o corpo se faz sentir com tamanha brutalidade, a cura também surge como algo obscuro e fragmentado, estilhaçado, desequilibrado e malicioso. As mãos do curador são poderosas e suaves, elas arrancam o mal do corpo, enquanto a cantiga, com suas interrupções, retomadas e modificações de compasso, é sem destino ou origem, rodeia aquele corpo, sussurra, dispara, enredando a confusão em sua própria desordem".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(TAUSSIG, M. Xamanismo, Colonialismo e o Homem Selvagem, 1993, p. 388)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2250465487087789552?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2250465487087789552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2250465487087789552' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2250465487087789552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2250465487087789552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/03/imagens-dialeticas.html' title='Imagens dialéticas'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/S64L0BFLibI/AAAAAAAAAM4/CTxXapkX-Vg/s72-c/o-professor-e-o-pm.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1067683841814229707</id><published>2010-03-08T12:37:00.000-08:00</published><updated>2010-03-08T12:51:38.167-08:00</updated><title type='text'>Dia de reminscência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passei o dia pensando sobre o que escrever acerca do Dia Internacional da Mulher. É que eu tenho uma certa aversão a calendários e datas, embora entenda sua importância como eixo de mobilização política. Mas então lembrei da 15 Tese sobre o Conceito de História, de W Benjamin.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A consciência de fazer explodir o continuum da história é própria às classes revolucionárias no momento da ação. A Grande Revolução introduziu um novo calendário. O dia com o qual começa um novo calendário funciona como um acelerador histórico. No fundo, é o mesmo dia que retorna sempre sob a forma dos dias feriados, que são os dias da reminiscência. Assim, os calendários não marcam o tempo do mesmo modo que os relógios. Eles são monumentos de uma consciência histórica da qual não parece mais haver na Europa, há cem anos, o mínimo vestígio. A Revolução de julho registrou ainda um incidente em que essa consciência se manifestou. Terminado o primeiro dia de combate, verificou-se que em vários bairros de Paris, independentes uns dos outros e na mesma hora, foram disparados tiros contra os relógios localizados nas torres. Uma testemunha ocular, que talvez deva à rima a sua intuição profética, escreveu:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;“Qui le croirait! on dit qu’irrités contre l’heure&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;De nouveaux Josués, au pied de chaque tour,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Tiraient sur les cadrans pour arrêter le jour.”&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias de reminiscência, ainda que sua inscrição no dia 8 de março tenha &lt;a href="http://www.sof.org.br/publica/Dia_Internacional_da_Mulher-SOF-Em_busca_da_memoria_perdida-ATUALIZACAO2010.pdf"&gt;origens meio lendárias e controversas&lt;/a&gt;. Este é um dia para explodir o continuum da história, para desnaturalizar e deslocar tudo aquilo que é tido como essencial, eterno, verdadeiro. Que as rosas, os cumprimentos irrefletidos, as piadas e gracinhas, possam nos servir de munição para atirar contra os relógios em tempos tão contra-revolucionários, para quebrar o teto de vidro do machismo camuflado de humor, de senso comum ou de determinismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, como micro bandeira nerd, por fantasias e sci-fi mais feministas! :) viva Donna Haraway!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1067683841814229707?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1067683841814229707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1067683841814229707' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1067683841814229707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1067683841814229707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/03/dia-de-reminscencia.html' title='Dia de reminscência'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2116245197551461075</id><published>2010-02-22T07:48:00.000-08:00</published><updated>2010-02-22T08:20:41.908-08:00</updated><title type='text'>Homens em tempos sombrios</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tempos em que o porta voz eleito do povo é um sujeito grosso, com uma suástica tatuada e homofóbico da pior espécie, às vezes me falta ar. Sabe, aquela sensação de banimento, de que não há pertencimento possível a este mundo. É uma coisa minha, essa vontade constante de me retirar. E é exatamente isso o que eu não faço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem fui encontrar amigos no &lt;b&gt;Rei das Batidas&lt;/b&gt;, um bar do Butantã que desde tempos imemoriais é point uspiano (eu só fui lá umas duas ou três vezes, mas minha mãe era amiga do garçom no fim dos anos 70). Tinha um povo da Sociais e da Letras, uma amiga gaúcha recém chegada e alguns gringos, um menino peruano, um chileno e nossa amiga alemã que morou um tempo aqui em São Paulo no ano passado. Beth, miguxa que está morando em casa e que também atende pelo nome de Fabio, estava inspirada, ensinando a alemã a perguntar "Você é bee?" e fazendo piadas ótimas. Estávamos em um clima descontraído, sossegado. Estava calor e a gente estava bebendo, ninguém ia dirigir mesmo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num dado momento, alguém sacou uma máquina e começamos a tirar fotos dando selinhos uns nos outros. Meninos e meninas, às vezes com um pouco de hesitação, mas com &lt;b&gt;companheirismo&lt;/b&gt;. Menos o menino peruano (chamarei-o de Mini-me), que desde o começo estava com aquela performance de &lt;b&gt;machinho prepotente&lt;/b&gt;, fazendo pose para impressionar as meninas, dando uma de irresistível para cima da alemã, que estava visivelmente incomodada. Uó. depois de &lt;b&gt;se aproveitar da brincadeira&lt;/b&gt; para tentar dar um beijo na alemã, tirando a coisa do registro da camaradagem para a o da imposição, Mini-me chegou à Beth, colocando-se para a foto com ares de desprezo, depois de tentar tirar o corpo fora. Claro, enquanto a brincadeira servia a seus propósitos, beleza, mas se era para segui-la mesmo... Enquanto eu mirava a câmera, o menino chileno fez o pior: para &lt;b&gt;sacanear e humilhar&lt;/b&gt; Mini-me e Beth, empurrou um contra o outro, tentando fazer seus lábios se tocarem. A lógica era: O que poderia ser pior para um homem HT do que "contaminar-se" com o beijo de uma bee? Mini-me fez a cena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;b&gt;clima amistoso&lt;/b&gt; se desfez na hora. Beth ficou chateadérrima, mas ainda fez um esforço para explicar para o chileno o por quê de sua ação ser &lt;b&gt;ridícula&lt;/b&gt;. O chileno se desculpou, embora não tenha entendido porque todo mundo ficou bravo. Minha amiga Lets quase chorou. Meu amigo Rud cresceu, segurando-se para não meter a mão em um dos dois. Aos poucos, dividimos a conta e fomos pagar. Mini-me se aproximou de mim efusivamente, passando o braço na minha cintura. Desvenciliei-me dizendo que ele fora banido do meu mundo e não existia mais. Disse que tinha &lt;b&gt;nojo&lt;/b&gt; dele, e sua resposta foi "mas nem toda mulher tem" (!!!). Fiz questão de deixar claro meu incômodo, e estava em posição privilegiada para fazê-lo, sendo mulher (ou seja, podendo dar a necessária patada sem ser fisicamente agredida depois) e não tendo participado da ação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amigo brasileiro de Mini-me ainda veio me dizer que eu estava errada, que eu não podia dizer para um "cara tão legal" que tinha nojo dele, que Mini-me o tinha consolado naquele dia com uma frase de Gandhi, blablabla. Eu ouvi, tentei explicar que a brincadeira era sobre &lt;b&gt;camaradagem&lt;/b&gt; e não sobre &lt;b&gt;atração sexual&lt;/b&gt;. O quão grave era subverter a brincadeira com o propósito de ferir alguém e se sentir por cima, expliquei que pouco me importava Mini-me porque não é dele que se trata, é &lt;b&gt;uma questão política delimitar que há coisas intoleráveis, não importa as circunstâncias.&lt;/b&gt; Apenas o chileno pareceu vagamente arrependido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Beth ainda resistiu bem, apenas diminuiu um pouco o brilho no olhar. Falou sobre como aprendeu a suportar essas coisas e outras bem piores. Mas ficou comovida com a defesa de Rud, dada a raridade de um homem ht fazer isso. Foda. No carnaval tive que ouvir sem reclamar todo tipo de conversa homofóbica, misógina e machista. Não aguento isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2116245197551461075?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2116245197551461075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2116245197551461075' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2116245197551461075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2116245197551461075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/02/homens-em-tempos-sombrios.html' title='Homens em tempos sombrios'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-6344181969963672541</id><published>2010-02-17T11:14:00.000-08:00</published><updated>2010-02-17T12:20:26.828-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jogos'/><title type='text'>Amigos zoados, o jogo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/S3xNn1TqetI/AAAAAAAAAMw/gWotLJ_lohs/s1600-h/funnyfriends2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/S3xNGukwc3I/AAAAAAAAAMo/yWsCxyva-yg/s1600-h/funnyfriends1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/S3xMyr1P2iI/AAAAAAAAAMg/4yU_SP_VVOk/s1600-h/funnyfriends3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 233px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/S3xMyr1P2iI/AAAAAAAAAMg/4yU_SP_VVOk/s320/funnyfriends3.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5439306883599948322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das coisas que fiz nessas férias foi conhecer alguns novos jogos, graças ao garimpeiro &lt;a href="http://twitter.com/JaimeDaniel"&gt;@JaimeDaniel&lt;/a&gt;, linkado ao lado com o blog Terra do Nunca, e que vende alguns dos jogos no site do &lt;a href="https://d3store.lojablindada.com/"&gt;D3System&lt;/a&gt;. Explorando seu acervo pessoal enorme e outros amigos nerds que também garimpam jogos gringos por aí, ele tem jogado com amigos alguns dos jogos de segunda mão para entender seu sistema e para resenhar para o site. Enquanto suas resenhas não saem, eu mando uma aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certa feita jogamos &lt;b&gt;Funny Friends &lt;/b&gt;(em inglês), que segundo a definição precisa do dono do jogo, "é o que o &lt;b&gt;Jogo da Vida/Game of Life&lt;/b&gt; não ousou ser". Funny Friends é um jogo de mesa que tem como suporte uma &lt;b&gt;cartela de personagem&lt;/b&gt;, alguns &lt;b&gt;baralhos&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;fichinhas&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;marcadores&lt;/b&gt;. Cada jogador representa um adolescente que vai compor uma trajetória de vida e cumprir objetivos. Mas o jogo é o oposto da concepção de vida yuppie que o Jogo da Vida impõe em seu tabuleiro de trilha cheio de acontecimentos que geram dinheiro ou prosperidade, e reveses que os atrapalham.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 238); -webkit-text-decorations-in-effect: underline; "&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/S3xNGukwc3I/AAAAAAAAAMo/yWsCxyva-yg/s320/funnyfriends1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5439307227933471602" style="float: right; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; cursor: pointer; width: 320px; height: 231px; " /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cartela de personagem, para começar, tem círculos de nove &lt;b&gt;atributos&lt;/b&gt; que avançam ou recuam ao longo do jogo. São eles: vício em &lt;b&gt;cigarro&lt;/b&gt;, vício em &lt;b&gt;bebida&lt;/b&gt;, vício em &lt;b&gt;drogas/remédios&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;gordura&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;tristeza&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;doença&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;religiosidade&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;conhecimento&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;dinheiro&lt;/b&gt;. Quando um destes atributos se torna alto demais, zera um atributo correspondente. Assim, se por um motivo qualquer, o marcador de bebida de um jogador ultrapassa o limite, seu marcador de conhecimento volta para o zero. É o preço dos excessos. Além dos atributos, a cartela tem um campo com uma cama, um homem e uma mulher, para colocar marcadores de (fazer) &lt;b&gt;sexo&lt;/b&gt; casual, um campo para colocar os marcadores dos &lt;b&gt;amigos&lt;/b&gt; (outros jogadores e alguns NPCs), um para representar fases do &lt;b&gt;relacionamento&lt;/b&gt; conjugal (heterossexual) e um campo para os &lt;b&gt;ex-relacionamentos&lt;/b&gt;. É  sobre os marcadores dos amigos ou relacionamentos que se posicionam os marcadores de sexo e &lt;b&gt;filhos&lt;/b&gt;, se for o caso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há quatro baralhos que representam eventos na trajetória de vida dos personagens. O primeiro é um baralho de &lt;b&gt;eventos na adolescência&lt;/b&gt;, que é jogado na primeira rodada. O segundo é um baralho mais recheado de &lt;b&gt;eventos da vida adulta&lt;/b&gt;. O terceiro baralho é o dos &lt;b&gt;objetivos de vida&lt;/b&gt;. E o quarto baralho é um de objetivos gerais de vida. Em todos os baralhos, cada carta possui &lt;b&gt;pré-requisitos&lt;/b&gt; em termos de atributos, quantidade de amigos, estado do relacionamento, quantidade de filhos ou sexo. A carta também tem o poder de alterar alguns desses estados ou atributos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dinâmica é a seguinte. Cada jogador sorteia no início do jogo cinco cartas de objetivo de vida, representando as cinco esferas de satisfação pessoal: &lt;b&gt;amizade, relacionamento, emprego, estilo de vida e espiritualidade&lt;/b&gt;. Ele tem que cumprir todos para ganhar o jogo. Um outro baralho de objetivos gerais de vida será disputado pelos jogadores, e entra na conta dos cinco objetivos. No início de cada rodada, são abertas 10 cartas do baralho de eventos, que os jogadores podem querer utilizar. Para poder &lt;b&gt;pegar uma carta de evento&lt;/b&gt;, o jogador deve cumprir seus pré-requisitos e oferecer uma quantidade X de &lt;b&gt;marcadores de tempo&lt;/b&gt;. A carta então é colocada em &lt;b&gt;leilão&lt;/b&gt; e todos os jogadores que possuem os pré-requisitos necessários podem dar um lance de tempo. Aquele que vencer, pega a carta e efetua as modificações prescritas por ela em sua cartela. Se a carta prescreve a criação de uma nova amizade ou uma mudança no relacionamento, deve-se mover o marcador do personagem correspondente. Os jogadores podem então disputar aquela nova amizade ou romance com o jogador que está jogando, o que altera suas próprias cartelas e pode ajudá-los a cumprir seus objetivos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra possibilidade de jogada é &lt;b&gt;cumprir um objetivo de vida&lt;/b&gt;, de sua mão ou do baralho geral, caso o jogador também tenha cumprindo seus pré-requisitos. Há ainda a possibilidade de gastar a rodada acumulando fichinhas de tempo para o leilão, uma boa opção se as cartas expostas não oferecem modificações nos seus atributos que serão úteis para cumprir objetivos; ou trocar um objetivo da mão por algum que tenha sobrado,uma boa opção se seus objetivos tem pré-requisitos demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece confuso? É meio confuso mesmo. Mas depois da primeira jogada se pega o jeito. O legal do jogo é menos sua mecânica e mais o tema das cartas de eventos de vida ou de objetivos. O politicamente correto vai pro espaço. Ganha-se atributos por ter"boas companhias", por ter "más companhias", por "entrar para o grupo de estudos bíblicos" ou "fazer sexo com o ex"&lt;br /&gt;(você precisa ter um ex e um nível de tristeza, e a carta te dá um marcador de sexo e outro de tristaza, afinal é deprimente mesmo). Os objetivos são também comédia pura, como "sair do armário" (relacionamento, exige 4 marcadores de sexo com personagens do mesmo sexo), "virar um usuário Machintosh" (amizade, exige alguns amigos, gordura, conhecimento e dinheiro), "fazer uma lipoaspiração" (estilo de vida, exige dinheiro e gordura e zera dinheiro e gordura), "fundar uma seita" (religiosidade, exige religiosidade e drogas, fornece religiosidade, dinheiro e amigos) ou ser diretor de casting (profissão, exige amigos, sexo, ex-relacionamento e zero de religiosidade).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 238); -webkit-text-decorations-in-effect: underline; "&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/S3xNn1TqetI/AAAAAAAAAMw/gWotLJ_lohs/s320/funnyfriends2.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5439307796676508370" style="float: left; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; cursor: pointer; width: 320px; height: 187px; " /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se enfileira as cartas de evento e de objetivos de vida, pode-se mesmo contar a trajetória de vida de uma pessoa comum, com altos e baixos, glórias e frias. As combinações muitas vezes se tornam super esdrúxulas, como é a vida mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Última coisa, é um jogo meio demorado, pra jogar de 3 a 6 pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-6344181969963672541?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/6344181969963672541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=6344181969963672541' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6344181969963672541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6344181969963672541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/02/amigos-zoados-o-jogo.html' title='Amigos zoados, o jogo'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/S3xMyr1P2iI/AAAAAAAAAMg/4yU_SP_VVOk/s72-c/funnyfriends3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-6742651200080793991</id><published>2010-02-17T08:14:00.001-08:00</published><updated>2010-02-17T08:36:21.839-08:00</updated><title type='text'>Tchau Lena</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu carnaval em Santa Rosa de Viterbo não foi lá muito interessante em termos de acontecimentos (mas talvez um pouco em termos de auto-conhecimento). Ontem a noite só estive online para pegar o telefone do China in Box e fiquei sabendo apenas hoje que &lt;a href="http://twitter.com/lenabahirah"&gt;Elenita&lt;/a&gt; saiu do Big Brother, o que mudou profundamente a minha vida (sic).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Brincadeiras a parte, fiquei desapontada. Não assisti muitos programas, porque o formato me incomoda, mas acompanhei o BBB intensamente por conta dos comentários no twitter e o blog que a @maryw mantém com outros fãs. Desde o início eu gostei da &lt;a href="http://acasosafortunados.blogspot.com/"&gt;Lena&lt;/a&gt;, com sua &lt;i&gt;tatoo&lt;/i&gt; de flores, seu cabelo avermelhado e seu rosto bochechudo. O povo falava muito da &lt;a href="http://twitter.com/twittess"&gt;@twitess&lt;/a&gt;, que era nerd e não sei mais o quê, mas minha simpatia era pra gordinha mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos programas que eu assisti ela pareceu fazer esforço para ser paciente, o que não era algo muito natural nela. Ao ouvir jorros de besteira dos outros, tentar organizar o raciocínio e a conversa, responder sem enfiar o dedo na cara e gritar. Mas o povo a considerava arrogante. Arrogante para mim é aquele que tenta ganhar no grito, é a prepotência, as ameaças, e as manhinhas de quem se acha bonito demais para fazer as coisas. Não gritar é o oposto, é a demonstração de que se tem consciência de que há outra pessoa diante de você, com a qual se deve tentar dialogar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela não tinha perfil de ganhadora do jogo. Óbvio. Nem a @twitess aliás. Nem a Lia, que não me desperta nenhum sentimento minimamente positivo. No BB Brasil não se pode desempenhar um papel de poder, sendo mulher. Não se deve ser bonita, porque pelo critério aparência, são os homens que despertam mais simpatia do público. Por outro lado, é desejável que se pareça burra, mesmo que não seja (caso da Fernanda, que é comum, simplesmente). Burra=engraçada pro espectador. As pessoas querem poder rir das pessoas, mas sem esgotar a paciência de ninguém. Tipos bonachões são os melhores, desde o BB1.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saindo minha predileta, eu nem tenho mais porquê acompanhar o programa. Não me entusiasmo muito pela coisa do laboratório comportamental, pela questão psicológica do confinamento. Num programa televisionado não é disso que se trata. No fundo, no fundo, BBBrasil é sobre humilhação. &lt;b&gt;É a habilidade de humilhar sem parecer que se está humilhando e sem se deixar ser humilhado.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-6742651200080793991?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/6742651200080793991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=6742651200080793991' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6742651200080793991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6742651200080793991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/02/tchau-lena.html' title='Tchau Lena'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-6524559961255884833</id><published>2010-02-09T12:42:00.000-08:00</published><updated>2010-02-09T13:28:42.084-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>Amor sem escalas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse fim de semana eu ia participar com amigos do beijaço na Paulista em suporte ao PNDH mas o ônibus demorou demais para passar e perdemos a hora. Meus amigos decidiram pegar o carnaval na Santa Cecília e eu optei por ir até o Eldorado assistir um filme. Estava passando &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-B_-jNro3pM"&gt;&lt;b&gt;Amor sem Escalas&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, filme que a &lt;a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/01/critica-amor-sem-escalas-e-impossivel.html"&gt;Lola resenhou&lt;/a&gt; dia desses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O personagem principal do filme, interpretado por George Clooney, tem um modo de vida que me atrai. Ele é solitário por opção. Viaja a maior parte do ano, sente-se confortável com aeroportos ascéticos e hotéis padronizados, coleciona milhagens e consegue ter conversas breves e agradáveis sem criar nenhum tipo de vínculo com pessoas, lugares ou coisas. Seu modo de vida é transportável, enquanto ele mantiver o digníssimo emprego de ser um demissor terceirizado, contratado por empresas ao redor dos EUA. O plot do filme é uma nova colega que quer acabar com este sistema, substituindo-o por demissões via videoconferência. Enquanto George treina a nova colega e vê seu modo de vida em risco, ele passa a questioná-lo ao se interessar por uma mulher que leva o mesmo tipo de vida que ele, mas com quem ele talvez queira mais do que encontros e sexo casuais e observações espirituosas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O filme renuncia a qualquer forma de moralismo a respeito das vidas dos personagens. Desde a irmã controladora e a irmã casadoura de George, a arrogante e ingênua trainee e a "mulher moderna" amante de George, todas elas experimentam os altos e baixos de se equilibrar em uma época em que o amor romântico e a família burguesa são objetivos irrealisáveis mas dos quais dificilmente estamos distantes. Mesmo George, que dá palestras motivacionais de niilismo afetivo, dá as suas derrapadas no filme. Isso sem nenhum tipo de julgamento, de "justiça divina", e também sem ostentar contestação de valores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, o filme ganha ares de auto-ajuda ao usar como pano de fundo da história a situação de crise na economia americana e as vidas que são abruptamente perturbadas pelas demissões. O filme poderia ter dedicado tanta atenção à ruína da grande narrativa moderna sobre autorelização no trabalho, quanto deu à ruína da narrativa do amor. Mas o foco do filme são aqueles que passam ao largo da crise, os que estão demitindo, os que levam uma vida dupla e uma não vida. Os que estão seguros, e não em risco. Claro que é a minha tendência de sociologizar todo filme que eu vejo, mas o filme coloca discussões do &lt;b&gt;Ulrich Beck&lt;/b&gt; que eu queria ver em ação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, como eu disse lá em cima, o modo de vida de George me atrai de um jeito estranho. Eu brinco comigo mesma, meio acreditando, que é mesmo coisa de depressivo sempre querer o isolamento. É uma fantasia constante de dias limbosos ir para um hotel qualquer, apenas para não estar em casa, apenas para estar em um lugar que ninguém sabe onde é (não que haja gente no meu pé, pelo contrário). Na época em que viajava fazendo pesquisa de mercado, às vezes parecia irresistível ficar no quarto do hotel, tomar banho e deitar assistindo os canais escassos de tv à cabo, alienar completamente as relações humanas. Mas, pelo menos para mim, isso é apenas um impulso de isolamento, como outros quaisquer. Para George, o impulso vago é o contrário, o de agregar-se. E claro, George talvez não seja feliz, mas se contenta com a vida que leva. Não é um fulaninho depressivo :P&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-6524559961255884833?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/6524559961255884833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=6524559961255884833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6524559961255884833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6524559961255884833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/02/amor-sem-escalas.html' title='Amor sem escalas'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-8468893754431423768</id><published>2010-01-29T08:54:00.000-08:00</published><updated>2010-01-29T09:04:15.390-08:00</updated><title type='text'>Adeus, Salinger</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu li &lt;b&gt;O Apanhador no Campo de Centeio&lt;/b&gt; tarde demais. Antes eu apenas conhecia as lendas das teorias da conspiração, e não fazia idéia do enredo. É uma pena. Uma das poucas coisas inegavelmente boas que meu ex fez para mim foi me apresentar ao Salinger. Eu espero que meu sobrinho e minha afilhada passem a gostar bastante de ler, para que eu possa lhes dar &lt;b&gt;O Apanhador no Campo de Centeio&lt;/b&gt; quando tiverem a idade de Holden, o protagosnista. Sei que este é um livro capaz de transformar vidas como poucos. É um livro importante demais para ser lido na correria do semestre por alguém com mais de 20 anos, incapaz de consagrar ao livro a experiência apropriada. Ainda assim, como Holden, eu quis ser uma apanhadora num campo de centeio. Nunca li os outros livros de Salinger, mas espero fazê-lo em breve. Salinger era mesmo aquele autor de "livros que, quando você acaba de lê-los, você deseja que o autor que o escreveu fosse um amigo incrível seu e que você pudesse ligar pra ele quando sentisse vontade". Por isso mesmo que ele se isolou. Mas para este amigo incrível com quem eu nunca falei ao telefone, eu não posso fazer mais que derramar algumas lágrimas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-8468893754431423768?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/8468893754431423768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=8468893754431423768' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8468893754431423768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8468893754431423768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/01/adeus-salinger.html' title='Adeus, Salinger'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2387734966152792896</id><published>2010-01-21T16:23:00.000-08:00</published><updated>2010-01-21T16:47:21.365-08:00</updated><title type='text'>Mes rêves</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anteontem a professora de francês estava nos perguntando &lt;i&gt;quel est ton rêve?&lt;/i&gt; (qual é seu sonho?). A maior parte da turma dizia que sonhava em aprender bem francês, viajar ou morar no exterior. Os sonhos limitados pelo vocabulário escasso e a falta de vontade de improvisar. Eu acho que não sonho muito mais com viagens não, já passei disso na minha vida. Tem gente que adora viajar a vida toda, como a minha avó. Eu aproveito a mordomia e os passeios, mas invariavelmente me sinto solitária viajando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Respondi então que &lt;i&gt;Je rêve d'adopter un chien&lt;/i&gt;, porque de fato se eu morasse numa casa ou fosse mais organizada eu teria um cachorro. Mas eu respondi isso porque estava envergonhada de dizer que eu ando sonhando mesmo em adotar uma criança. "Oh, meu Deus" - fico pensando comigo mesma - "depois dessa volta imensa a melhor coisa que você consegue pensar pra sua vida é formar família???"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é bem assim. Por muito tempo mesmo eu achava que não ia nem casar, nem ter filhos, para que eu tivesse sempre flexibilidade em mudar de vida. Mas, pensando bem, eu não acho que vou fazer muitas viradas radicais não. Vou continuar estudando, arrumar um emprego de gente grande, continuar fazendo coisas nerds. Acho que adoraria fazer isso junto com uma criança, para amar, mimar, pentelhar e &lt;strike&gt;fazer experiências sociológicas&lt;/strike&gt; aprender uma porção de coisas. E eu acho que adotar é muito melhor que parir, sinceramente. Para começar, é uma decisão que eu posso tomar sozinha, sem depender de homem e sem ter que gastar uma grana com inseminação. Não tenho a menor vaidade a respeito do meu sangue/dna, achando que é  imprescindível passá-lo adiante. A idéia de engravidar jamais me agradou também. Um filho biológico meu provavelmente teria algumas vantagens (como altura, heheheh) e várias desvantagens, como qualquer ser humano. Sendo cria minha, nascida ou criada, vai acabar parecendo comigo em coisas imprevisíveis que nem eu nem ela vamos admitir, ao mesmo tempo em que vai gostar de coisas que eu odeio e vai ter vergonha de alguns dos meus gostos. Mas eu sou uma pessoa tolerante. :P&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu realmente quero um dia adotar uma ou duas crianças, dependendo do tipo de vida que eu levar. De repente adotar duas meninas, duas irmãs, qualquer coisa assim. Acho que eu prefiro menina, mas não teria muitas outras preferências não. Não sei se em algum momento alguma ferida narcísica vai apertar, mas sei que ela pode surgir com filhos biológicos ou adotados. Quando eu me transformar numa adulta responsável eu vou começar a me informar melhor sobre o processo legal de adoção, cuja legislação andou mudando. Quem sabe um dia eu não apareço no sul com duas pessoinhas a tiracolo, para pânico de mamãe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2387734966152792896?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2387734966152792896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2387734966152792896' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2387734966152792896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2387734966152792896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/01/mes-reves.html' title='Mes rêves'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-3719199029281658192</id><published>2010-01-18T07:04:00.000-08:00</published><updated>2010-01-18T07:23:39.127-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Como sair da bolha?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que este post soará bastante ingênuo. Às vezes eu fico me perguntando se o mundo da internet é muito grande ou muito pequeno. Isso me vem à cabeça quando eu noto que no fundo a gente recompõe as mesmas tramas quando surge uma nova rede social, apenas ampliando-a um pouco com conhecidos de conhecidos. Pensando na minha trajetória via chat, ICQ, e-mail, yahoogroups, blog, fóruns, MSN, orkut, gtalk, twitter e facebook, eu percebo que adiciono novamente pessoas com quem conversava 10 anos atrás, cujo contexto do contato eu lembro vagamente. Muita gente abandonou certas redes, especialmente o ICQ, ou trocou de conta, para eliminar os contatos desinteressantes que vão se acumulando, mas &lt;i&gt;grosso modo&lt;/i&gt; as redes não estão assim tão reconfiguradas. O yahoogroups, os fóruns e as comunidades do orkut criam novas ligações ao unir desconhecidos com os mesmos interesses. Foi assim que eu penetrei no fandom de Senhor dos Anéis há uns 9 anos. Os instant messengers de modo geral serviram para a manutenção do contato, que às vezes adormece por anos e é ressussitado espontaneamente. O twitter e os blogs criam veredas de links, põem a gente em contato com pessoas diferentes falando sobre assuntos imprevistos, e nesse sentido são mais criadores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ainda assim às vezes eu acho que continuo trombando as mesmas pessoas. Pessoas de pontas diferentes da minha rede também se conhecem e conversam em contextos que eu não imaginava. E isso me perturba quando eu penso que muitos debates nos criam a sensação de que estamos esclarecendo coisas,  mudando mentalidades, saindo do senso comum. Mas no final das contas estamos conversando com nós mesmos. Hoje, por exemplo, eu estava lendo diversas análises sobre a economia do Haiti no século XX, os impactos do imperialismo no país, etc. Criaram uma &lt;a href="http://haiti.org.br/"&gt;rede de jornalismo independente&lt;/a&gt; para cobrir os eventos do terremoto. Mas será que isso tem algum alcance fora da bolha? Será que aqueles que estão lendo conseguem propagar o debate para além de sua rede mais próxima  e, principalmente, para esse mundo offline que se informa com a canalha da grande mídia brasileira?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-3719199029281658192?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/3719199029281658192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=3719199029281658192' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3719199029281658192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3719199029281658192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/01/como-sair-da-bolha.html' title='Como sair da bolha?'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1208875160032680937</id><published>2010-01-16T08:15:00.000-08:00</published><updated>2010-01-16T09:07:51.527-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jogos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><title type='text'>Hectares virtuais e tempo real</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não lembro bem qual foi o dia em que comecei a minha &lt;b&gt;fazendinha no Facebook&lt;/b&gt;. Meus amigos começaram a jogar em meados de outubro e logo a fazendinha se tornou o principal assunto das rodinhas de conversa. "O que você plantou?", "Quantas galinhas você tem?", "Já desbloqueou o cavalo nos gifts?" e mais uma porção de tópicos apenas para &lt;i&gt;insiders&lt;/i&gt;. A conversa me lembrou imediatamente o jogo &lt;i&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Harvest_Moon"&gt;Harvest Moon&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, que existe para várias plataformas mas que todo mundo jogou mesmo no &lt;i&gt;Super Nintendo&lt;/i&gt; ou em algum emulador. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesses tempos de redes sociais virtuais, a idéia de um jogo de fazenda se tornou mais interessante por suas várias possibilidades de interatividade, e de apropriação criativa dos softwares, às quais a empresa do jogo, &lt;a href="www.zynga.com"&gt;Zynga&lt;/a&gt;, esteve atenta. Ainda assim, eu estavas às voltas com as últimas brigas com o ex e a seleção do mestrado e eu prometi para mim mesma que não criaria uma conta no Facebook (cuja interface eu detesto) e uma fazendinha, pelo menos até que as provas passassem. Eu sabia muito bem que este seria o tipo de &lt;b&gt;joguinho viciante&lt;/b&gt; que me distrairia sempre que eu estivesse diante do computador, fazendo-me gastar muitas e muitas horas enquanto eu estivesse abrindo e fechando links do twitter, lendo blogs, estudando e assistindo novela. Mas eu resisti bravamente (mesmo perdendo a oportunidade, como soube depois, de adquirir os ítens de halloween) e creio que foi em um dos dias seguintes à minha aprovação que eu finalmente acessei o aplicativo do Farmville, entregando-me docilmente ao vício e integrando-me à comunidade. Ou reintegrando-me, melhor dizendo, porque toda vez que surge uma nova &lt;b&gt;onda de internet&lt;/b&gt; temos que optar ou não por embarcar nela e nos "reintegrarmos".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jogos em que não se tem que pensar muito ou reagir rápido são &lt;b&gt;formas contemporâneas de meditação&lt;/b&gt;. Suas mãos estão ocupadas, sua atenção está mais ou menos focada, e a parte criativa do seu cérebro está livre para divagar. Por isso muita gente usa os jogos como higiene mental ou mesmo fonte de inspiração. Eu uso para fazer auto-terapia. A fazendinha era uma boa maneira de fazer o tempo fechar as feridas, &lt;strike&gt;o que compensava em parte o fato de ser um enorme desperdício de tempo&lt;/strike&gt;. Quando um enorme ceticismo de desesperança baixavam, a fazendinha consolava com os ribbons e níveis que eu conquistava, com as possibilidades de combinação de cores das diferentes plantações, com o dinheiro de cada safra. Tem essa fase, entre o 10 e o 20 nível mais ou menos, em que cada dia rende muitas bonificações. É o &lt;b&gt;paraíso do homem liberal&lt;/b&gt;, que se faz pelo fruto do próprio trabalho, e melhor ainda quando não se tem que pegar na enxada, mexer no adubo, e sua colheita não é ameaçada pelas intempéries, apenas por seu próprio descaso. Ainda mais por ter esse &lt;b&gt;eco comunitário&lt;/b&gt;, nostálgico, em que os vizinhos se ajudam e se beneficiam com o progresso mútuo. Um tipo de&lt;b&gt; jogo com metas mas sem vencedores ou perdedores&lt;/b&gt;. Lembrou-me da teoria do John Nash, tal como apresentada no filme &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=aS_d0Ayjw4o"&gt;Uma Mente Brilhante&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Zynga mantém o interesse dos jogadores numa combinação feliz de &lt;b&gt;recompensas&lt;/b&gt; por tempo jogado, possibilidade de diversão independente do número de &lt;b&gt;horas dedicadas&lt;/b&gt; por semana, itens exclusivos a &lt;b&gt;clientes pagantes&lt;/b&gt;, mas que em teoria podem ser obtidos por todos os usuários, &lt;b&gt;novidades sazonais&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;promoções &lt;/b&gt;intermitentes. Estando em uma rede social como o Facebook, também oferece a possibilidade se ser jogada no fluxo de troca de mensagens e nos &lt;b&gt;interstícios de outras atividades&lt;/b&gt;, como quando jogamos paciência esperando um programa rodar ou um download terminar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com eu falei, &lt;b&gt;os jogadores também se apropriam do jogo&lt;/b&gt; de maneiras inusitadas, o que também serve para revitalizar o jogo. Aproveitando-se de bugs do jogo (vários galinheiros, prender o bonequinho, etc.); ou criando fazendas temáticas, cujo objetivo é menos o progresso e mais a estética (fazenda japonesa, por exemplo); e até criando competições e subjoguinhos (como o &lt;i&gt;Hide and Seek&lt;/i&gt; que está rolando, no qual jogadores escondem plaquinhas nas fazendas de seus vizinhos). A "arte" produzida por jogadores é exibida na tela de carregamento do jogo, às vezes revelando grandes trabalhos de criação de texturas e tridimensionalidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para mim, que tenho uma enorme dificuldade de estabeler &lt;b&gt;rotina&lt;/b&gt;, a fazendinha teve uma utilidade incomum. Pelo tempo de crescimento de minhas plantações, passei a dividir quantitativamente o meu dia, estabelecendo períodos para cada tarefa. Vou lavar louça, lavar roupa e varrer a sala? Planto raspberries, que levam duas horas pra colher. Tenho que me obrigar a estudar tal autor? Planto morangos ou blueberries, e me obrigo a ficar lendo durante suas 4 horas de maturação. Vou pra facul e só volto a noite? Vegetais de 6 ou 8 horas. Não quero ficar entrando na fazendinha porque tenho muita coisa pra fazer? Alcachofra, 4 dias de espera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Obviamente a brincadeira vai acabar quando minhas aulas começarem e eu arrumar um emprego de verdade, com obrigações muito mais incisivas e horários inexoráveis. Mas nessa vida flutuante de pré-mestranda e desempregada, por que não?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1208875160032680937?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1208875160032680937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1208875160032680937' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1208875160032680937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1208875160032680937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/01/hectares-virtuais-e-tempo-real.html' title='Hectares virtuais e tempo real'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2251038735833125403</id><published>2010-01-15T07:44:00.000-08:00</published><updated>2010-01-16T07:07:30.575-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>Curtas e grossas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu estava preparando um post grande sobre &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Avatar&lt;/span&gt; mas, como sempre acontece quando eu decido escrever algo grande, ficou grande demais, incompleto e eu não posto. Como auto-penitência, eu decidi fazer um post com algumas curtas e grossas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui ao cinema assitir &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sherlock Holmes&lt;/span&gt;  tive uma grande, enooorme decepção. É temerário falar do filme quando eu tive que assistir na primeira fileira do Cinemark Villalobos, da qual impossível enxergar a tela inteira, e ainda tendo na sala um bando que não calou a boca o filme inteiro. Depois há quem dia que isto só acontece nos shoppings "do povão". Anyway, eu adoro essa temática vitoriana &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;steampunk&lt;/span&gt;, colorida e sombria ao mesmo tempo, na qual a ciência é meio selvagem e as alteridades são reforçadas de maneira insólita. Logo, tudo o que se espera é uma trama de mistério, que é o oposto do filme. O roteiro é muito fraco. Sabemos desde o início quem o vilão e em nenhum momento realmente nos incomodamos com a dúvida de o vilão ter ou não capacidades sobrenaturais. Quais os objetivos do vilão também não parecem interessar muito, apenas conduzem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Holmes e Watson&lt;/span&gt; de um lugar a outro em meio a perseguições e pancadaria. Sherlock Holmes não passa de um filme sobre a grande DR de Holmes e Watson quando este decide se casar. No fundo, se House é um seriado de hospital que vai buscar sua forma nos seriados detetivescos, Holmes é um filme de detetive que vai buscar nos personagens de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;House e Wilson&lt;/span&gt; uma maneira de repaginar o heróis consagrados. De resto, a ação é bem pulp, com desafios, coisas caindo ou correndo na direção dos heróis, mulheres fatais e situações embaraçosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;Outro filme que eu vi foi &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sequestro&lt;/span&gt;, um filme japonês da &lt;a href="http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_cinema.asp"&gt;mostra no CCSP&lt;/a&gt;. Serviu pra mostrar que o Japão também faz enlatados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;Da série: posts que eu não tenho competência para escrever. O tratamento que a mídia está dispensando ao &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PNDH&lt;/span&gt; é bizonho. O que é aquela propaganda que está passando na tv, uma animação estilo Resident Evil para falar de censura? Que espécie de debate público é este??? Esse povo da PiG deveria pensar seriamente em como de fato se constitui a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;censura&lt;/span&gt;, da possibilidade de agir a respeito da violação dos direitos humanos ou de erguer camadas geológicas de falsas notícias, editoriais enviesados, preguiça na checagem das fontes e coerção editorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;Vou &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;colar grau&lt;/span&gt; hoje, palmas para mim. Acho que vou prestar os concursos da &lt;a href="http://www.cetroconcursos.com.br/Projetos/FUNAI_2009/Edital-FUNAI.pdf"&gt;FUNAI&lt;/a&gt;  do &lt;a href="http://fcc.telium.com.br/concursos/metro209/metro209_site_final.pdf"&gt;Metrô&lt;/a&gt;, já que eu perdi a prova do IPHAN. O futuro brilhante me aguarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;Esto cumprindo algumas promessas. Comecei um curso de francês e aulas de karatê com o Chicó.  Estou lendo os livros que comprei na feira da história. Li &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que é o virtual&lt;/span&gt;, do P. Levy; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Experiência Etnográfica&lt;/span&gt;, o J Clifford; e estou lendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jamais Fomos Modernos&lt;/span&gt;, do B Latour. Falta ainda aquela velha promessa de parar de beber coca cola, mas vício é vício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;Também da série: posts que eu não tenho competência para escrever. Não entendo porque tanta gente criticou o comentário da &lt;a href="http://twitter.com/SandyLeah"&gt;Sandy&lt;/a&gt; comparando as tragédias de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Angra &lt;/span&gt;e do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Haiti&lt;/span&gt;. Na verdade, não entendo porque qualquer pessoa que não seja amiga ou fã da música (sic) dela a siga ou se importe com o que ela diz. Alguém vai lá explicar para ela que o Haiti é um país que historicamente vem sofrendo todo tipo de boicote econômico, que é um caso raro de rebelião negra bem sucedida, que a ocupação das forças da ONU tem uma série de problemas (sendo eufemista), etc, etc. e discutir as implicações disso na "&lt;a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,bid-anuncia-us-200-mil-para-auxiliar-haiti-apos-tremor,494924,0.htm"&gt;ajuda internacional&lt;/a&gt;" que está chegando? Ainda, alguém vai explicar para ela a maneira como Angra vem sofrendo ocupação humana desordenada, em áreas que deveriam ser protegidas, para &lt;a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/01/05/a-lei-luciano-hulk-de-cabral/"&gt;construção de casarões de veraneio &lt;/a&gt; Pois é, não vão nem eu. Para quem não viu ainda, aqui está o link do &lt;a href="http://lacitadelle.wordpress.com/"&gt;blog dos antropólogos da UNICAMP&lt;/a&gt; que estão em Porto Príncipe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*******&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;UPDATE&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;16/01 Uma boa síntese da conjuntura no Haiti está no blog &lt;b&gt;&lt;a href="http://historiaemprojetos.blogspot.com/2010/01/haiti-como-se-produz-um-pais.html"&gt;História em Projetos&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2251038735833125403?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2251038735833125403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2251038735833125403' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2251038735833125403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2251038735833125403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/01/curtas-e-grossas.html' title='Curtas e grossas'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-3491100751161648274</id><published>2010-01-02T08:16:00.000-08:00</published><updated>2010-01-02T08:51:44.442-08:00</updated><title type='text'>Se essa grana, se essa grana fosse minha...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já falei que eu odeio a Angélica? Não, né? É porque eu não odeio de verdade. Acho que ela é uma das apresentadores menos chatas da tv. Mas nesse exato momento eu estou com um profundo ódio, porque o emprego dela é ir para praias maravilhosas fazer entrevistas &lt;strike&gt;bobas&lt;/strike&gt; leves com famosos enquanto come pratos maravilhosos preparados na hora por chefs estrelados. Ela mostrou um não-sei-o-quê de atum agora que me deu MUITA água na boca. Oh, inveja! Adoro peixe e frutos do mar. Comentei no twitter que eu sempre esqueço que atum é um peixe grande, porque eu sempre compro atum em pedaços ou ralados naquelas latinhas, que depois viram cinzeiros lá em casa. Aí na minha cabeça atum tem o tamanho de um lambari ou qualquer coisa assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu prometo, Angélica, que se eu ganhar um dia na Megasena eu vou para o meio artístico para você ter o interesse de me entrevistar e me levar pra comer. Eu não invejo muito gente rica, mas turismo gastronômico é algo que eu dedicaria toda uma vida. :P&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já que no post de ontem eu falei das minhas promessas pra 2010, decidi contar aqui dos meus planos para os 144 milhões do prêmio da Megasena da Virada. Já aviso que eu não ganhei, nos três jogos que eu fiz não acertei um número sequer. Minha cunhada disse que eu não entendi direito as regras do jogo e mirei nos números que não iam sair. Mas é culpa do meu irmão, que sonhou na noite anterior que minha bolsa estava vazia. Ele é que devia ter apostado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus planos não são muito espetaculosos também, mas tem uma certa ambição. Diferente, por exemplo, do Chicó, que disse que ia investir a grana na agência em que trabalha para poder chantagear o chefe dele, ameaçando tirar o investimento se ele o forçasse a horas extras demais. Isso é que é estar satisfeito com a própria vida! Eu avisei ao Chicó que ele está doravante proibido de reclamar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu ia comprar o apartamento ao lado do meu e derrubar a parede, para fazer um duplex. Assim o Luciano e a Bel poderiam ter um quarto para eles lá em casa e a casa ia ter dois banheiros. Ia fazer fisioterapia pro joelho também. Em termos de investimento em mim, era isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, eu ia contratar uma equipe multidisciplinar de engenheiros e arquitetos para avaliar a casa de Vovó e fazer umas reformas estruturais, instalando um ar condicionado/aquecimento central para resistir às intempéries da terra que fica logo abaixo do buraco na camada de ozônio. eu também ia construir uma piscina e adotar um casal de labradores, que não iam sair da piscina. Mas isso seria só o começo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vovó mora num distrito rural de Santa Cruz, com cerca de 3 mil pessoas morando em casas à beira da estrada ou em linhas distribuídas no raio de alguns quilômetros. A economia aqui é a agricultura familiar de fumo, algumas granjas e hortaliças e uns poucos serviços, marcenaria, bar, mecânica. ninguém aqui passa fome, mas as coisas não vão muito bem. O preço do fumo está caindo no mercado, é uma planta cujo manejo é muito duro e conforme envelhece, a população desenvolve uma série de problemas de saúde. Se ganhasse na Megasena, eu ia montar uma outra equipe multidisciplinar para discutir com os moradores daqui alternativas econômicas para uma agricultura mais sustentável e rentável. Isso certamente ia demandar investimentos em infraestrutura que a prefeitura não tem realizado. Além disso, a parte de "urbanização" daqui é meio incipiente ainda, de modo que eu ia investir em saneamento básico e na construção de redes de energia elétrica e água mais constantes e racionais. Cisternas para armazenar água da chuva para a lavoura, sem mexer demais no pobre Rio Pardinho, captação doméstica ou cooperativa de energia solar para as casas, programas alternativos de geração de renda que fornecessem produtos para consumo interno - piscultura por exemplo. Além disso eu ia ajudar a montar uma escola de Ensino Médio para que não houvesse um êxodo tão grande de jovens para a cidade, com todo tipo de curso profissionalizante, esportivo e cultural, para que as opções de lazer não se resumissem à encher a cara no boteco. A mulherada aqui é fera em artesanato de vários tipos, tem clubes de mães e coisas assim. Coisas que valem a pena investir. Eu também ia alargar a estrada, transformando o acostamento mixuruca numa boa ciclovia para a molecada poder pedalar com mais segurança por aí, evitando as desgraças que de vez em quando acontecem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O resto do dinheiro ia ficar investido para manter essas coisas todas até que elas estivessem gerando recursos suficientes sozinhas. A partir daí o dinheiro poderia ser usado para bolsas de estudo universitárias para os jovens e coisas assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, tenho a impressão que já gastei todo o prêmio da Megasena da Virada e mais um pouco. Mas enfim, eu sou meio perdulária mesmo. :D&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-3491100751161648274?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/3491100751161648274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=3491100751161648274' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3491100751161648274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3491100751161648274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/01/se-essa-grana-se-essa-grana-fosse-minha.html' title='Se essa grana, se essa grana fosse minha...'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-7555648438935883818</id><published>2010-01-01T13:29:00.000-08:00</published><updated>2010-01-01T17:19:46.429-08:00</updated><title type='text'>Grandes Esperanças</title><content type='html'>Tchau, 2009!!!&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, Ano Novo é sempre um alívio... apesar de toda a cafonice das nossas emissoras de televisão, acho que o clima de renovação das esperanças é uma das egrégoras mais poderosas do nosso mundo desencantado. Quantas pessoas não tornam suas biografias inteligíveis por esses ciclos de 365 dias, realizando balanços, definindo metas, silenciando angústias e energizando carinhos? É um tempo de fé coletiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto a mim, vou me entregar ao velho hábito de fazer promessas de ano novo, para canalizar essa energia toda. A maioria delas é das mais clichês possíveis, algumas tem a ver comigo, com esta etapa da minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- eu comecei esse blog para recuperar a minha intimidade com a escrita, vencer os bloqueios que surgiram com a fase aguda da minha depressão e me sentir livre para escrever quando, como e o que quisesse, fora do formato acadêmico exigido pelos trabalhos da faculdade. por isso mesmo, o blog nunca teve uma linha editorial muito clara. Minha promessa para 2010 é &lt;b&gt;escrever mais&lt;/b&gt;,  melhor e com mais frequência, tornar o blog mais interesse para outras pessoas, não só uma terapia ocupacional para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Em virtude da primeira promessa, eu prometo em 2010 ir mais ao &lt;b&gt;cinema&lt;/b&gt;, sem ficar esperando outras pessoas e me frustrando. É certo que parte disso foi em função de ter desenvolvido esse medo de sair de casa, mas isso está bem melhor, e é algo que deve ser constantemente exercitado. Agora que eu garanti a minha carteirinha de estudante por mais dois anos, tenho que aproveitar. Quero ir mais ao &lt;b&gt;teatro&lt;/b&gt; também, só assisti umas três ou quatro peças este ano. Morri de rir com os palhaços do &lt;b&gt;Jogando no Quintal&lt;/b&gt;, me arrepiei com o Nelson Rodrigues X Gilberto Freyre dos &lt;i&gt;Fofos&lt;/i&gt; em &lt;b&gt;Memórias da Cana&lt;/b&gt; e vi uma peça bizarra no Teatro Coletivo cujo nome eu nem lembro. Acho que foi só isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Acho que preciso também reservar um tempo para voltar a &lt;b&gt;ler ficção&lt;/b&gt;. Tenho lido tão poucos livros que não tem caráter de estudo, e muito por uma certa preguiça de ir à biblioteca da FFLCH. Não gosto muito de ir lá, porque não posso entrar de bolsa e nem comendo, coisas essenciais a um marsupial guloso como eu. Eu baixei o Cidades Invisíveis do Ítalo Calvino, para reler. É um bom começo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por conta do mestrado, eu tenho que &lt;b&gt;aprender francês&lt;/b&gt;. Eu não tenho muito saco para curso de línguas, com aqueles livros cheios de desenhinhos, repetições, etc. Eu sou meio old school, preferia um ritmo mais intenso, com menos conversação e mais gramática. Vou fazer um intensivo nas férias para sair do zero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Outra aula que eu preciso fazer é alguma &lt;b&gt;atividade esportiva&lt;/b&gt;. Meu joelho anda me incomodando e eu acho que preciso perder peso e reforçar um pouco a musculatura da perna. Apesar das minhas convicções sedentárias, preciso dar um jeito nisso. Estou bem com a minha silhueta 46, mas me incomoda não conseguir correr ou subir escadas sem sentir dor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Falando em peso, eu quero aos poucos &lt;b&gt;reduzir a carne&lt;/b&gt; da minha alimentação. Eu adoro carne, adoro churrasco, não projeto sentimentos nos bois que vivem no pasto (mas acho como funciona a indústria de modo geral). Mas sei que o custo social e o impacto ambiental do fornecimento de carne é muito alto e que eu posso viver com menos. Eu adoro salada, mesmo que eu não sinta muita sustança em alfaces e brócolis. Preciso me acostumar a comer mais comida feita em casa e menos pizza também, pelo bem do meu bolso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-A promessa mais importante é ser &lt;b&gt;menos indulgente&lt;/b&gt; com as pessoas próximas. A maneira horrorosa como  a minha relação com o ex se deteriorou ao longo de 2009 e as feridas abertas me ensinaram o quanto passar a mão na cabeça pode ser ruim para os dois lados. Decidi não aceitar mais uma série de coisas, que eu engoli tentando manter a postura de entender os dois lados, bla, bla. Isso só desperta cinismo e indiferença na outra pessoa, e uma falta de senso de responsabilidade e causalidade. Às vezes é preciso admitir a derrota para sair dela. 2009 vai tarde, mas acho que foi necessário para que 2010 seja um ano melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-7555648438935883818?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/7555648438935883818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=7555648438935883818' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7555648438935883818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7555648438935883818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2010/01/grandes-esperancas.html' title='Grandes Esperanças'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-608472377429056105</id><published>2009-12-19T13:02:00.000-08:00</published><updated>2009-12-19T13:21:46.720-08:00</updated><title type='text'>Toma, seu prego!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a gente faz umas coisas estúpidas às vezes. Como eu, que agora mesmo sacudi a cabeça para tirar o cabelo da frente do rosto e acertei o cocoruto com tudo na parede. Mas, infelizmente, algumas das coisas que fazemos não resultam apenas em rir de si mesmo e alguma dorzinha de cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui em casa eu evitei sempre criar soluções provisórias para as necessidades do lar. Por um lado, a sala é um cômodo absolutamente mutante que às vezes vira salão de jogos, escritório e biblioteca, dormitório de um morador temporário ou visittante(s) ou sala de jantar, com todos se sentando em colchões, almofadas e pratos apoiados no chão. Por outro, comprei um bom sofá de madeira, em formato de bicama, tenho um rack bacana que eu mesma desenhei. Tudo com cantos arredondados e rodinhas, para evitar que alguém se arrebente caso faça alguma coisa estúpida. Ainda assim, a sala se adapta mal a algumas necessidades, especialmente ao número crescente de livros, pastas de xerox, textos e dvds que se acumulam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de muito tempo de discussões pasmacentas em que ninguém decidia nada, decidi chamar um marceneiro que um tempo atrás havia montado a minha cama, e com quem eu conversara sobre a reforma do meu guarda-roupa. Marcamos uma hora num sábado pela manhã, e ele chegou no meio da tarde. Mau sinal, eu deveria ter percebido. mas como São Paulo é São Paulo, a gente costuma relevar atrasos e imprevistos. Encomendei umas prateleiras suspensas, a tão necessária reforma do meu guarda-roupa e uma revisão nas dobradiças. Ele meteu um preço alto, mas fez um desconto para nós, pedindo um dinheiro adiantado para comprar o material. Demos para ele uma parte em dinheiro e uma parte em cheque e o cara desapareceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estúpido. Muito estúpido. Para melhorar minha situação eu perdi a nota fiscal da cama com o endereço e a razão social da loja em que ele trabalha. Lembro apenas que fica na Teodoro Sampaio. O recibo que ele me deu, eu não reparei antes, não tem os dados completos do rapaz, que se chama Leonardo. Todas as vezes que ligo para Leonardo, ele marca um novo horário para vir e não cumpre. Estou dando tratos à bola para ver como aciono a Justiça. Mas tarde demais para tentar ser inteligente e perspicaz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou ter que chamar outro marceneiro, de qualquer modo, assim que eu conseguir juntar dinheiro de novo. Agora vou pegar RG, CPF, carteirinha de vacinação, placa do carro, consultar o spf/serasa e o diabo. E sinal só depois de começar o serviço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-608472377429056105?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/608472377429056105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=608472377429056105' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/608472377429056105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/608472377429056105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/12/toma-seu-prego.html' title='Toma, seu prego!'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-9180701260226960274</id><published>2009-12-14T10:42:00.000-08:00</published><updated>2009-12-14T10:45:49.598-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>Os Sobreviventes - Caio Fernando Abreu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;SRI LANKA, quem sabe? Ela me diz, morena e ferina, e eu respondo por que não? mas inabalável continua: você pode pelo menos mandar cartões-postais de lá, para que as pessoas pensem nossa, como é que ele foi parar em Sri Lanka, que cara louco esse, hein, e morram de saudade, não é isso que te importa? uma certa saudade: em Sri Lanka, brincando de Rimbaud, que nem foi tão longe, para que todos lamentem ai como ele era bonzinho e nós não lhe demos a dose suficiente de atenção para que ficasse aqui entre nós, palmeiras e abacaxis. Sem parar, abana-se com a capa do disco de Ângela enquanto fuma sem parar e bebe sem parar sua vodka nacional sem gelo nem limão. Quanto a mim, a voz rouca, fico por aqui comparecendo a atos públicos, entre uma e outra carreira, pixando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca, um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha de centro em junco indiano que apóia vossos fatigados pés descalços ao fim de mais uma semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados. Mas tentamos tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaaro, tentamos tudo, inclusive trepar, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de vista sócio político artístico filosófico existenciais e bababá em comum só podiam dar mesmo nisso: cama. Realmente tentamos, mas foi uma bosta. Que foi que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro, e não queria lembrar mas não me saía da cabeça o teu pau murchos e os bicos do meus seios que nem sequer ficaram duros, pela primeira vez na vida, você disse, e eu acreditei, pela primeira vez na vida, eu disse, mas não sei se você acreditou. Quero dizer que sim, que acreditei, mas ela não pára, tanta tesão mental espiritual moral existencial e nenhuma física, e eu não queria aceitar que fosse isso: éramos diferentes, ai como éramos diferentes, éramos melhores, éramos mais, éramos superiores, éramos escolhidos, éramos vagamente sagrados, mas no final das contas os bicos dos meus peitos não endureceram e o teu pau não levantou, cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais, só consegui te possuir me masturbando, tinha a biblioteca de Alexandria separando nossos corpos, enfiava fundo o dedo na buceta noite após noite pedindo mete fundo, coração, explode junto comigo, depois virava de bruços e chorava no travesseiro porque naquele tempo ainda tinha culpa nojo vergonha, mas agora tudo bem, o Relatório Hite liberou a punheta. Não que fosse amor de menos, você dizia depois, ao contrário, era amor demais, você acreditava mesmo nisso? Naquele bar infecto onde costumávamos afogar nossas impotências em baldes de lirismo juvenil, imbecil, e eu disse não, o que acontece é que como bons-intelectuais-pequeno-burgueses o teu negócio é homem e o meu é mulher, podíamos até formar um casal incrível, tipo aquela amante de Virginia Woolf, como era mesmo? Vita, Vita Sackville-West e o veado do marido, não se erice, queridinho, não tenho nada contra veados, me passa a vodka, o quê? e eu lá tenho grana pra comprar wyborowas? não tenho nada contra lésbicas, não tenho nada contra decadentes em geral, não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa. Peço cigarro e ela me atira o maço na cara, com que joga um tijolo, ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, angústia, duas décadas de convívio cotidiano, mas ando, ando, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, ,veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara. Podia ter dado certo entre a gente, ou não, afinal você naquele tempo ainda não tinha se decidido a dar a bunda, nem eu a lamber buceta, ai que gracinha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castañeda, depois Laing embaixo do braço, aqueles sonhos colonizados nas cabecinhas idiotas, bolsas na Sorbonne, chás com Simone e Jean-Paul nos 50, em Paris; 60 em Londres ouvindo here comes the sun here comes the sun, little darling; 70 em Nova Iorque dançando disco-music no Studio 54; 80 a gente aqui, mastigando essa coisa porca sem conseguir engolir nem cuspir fora em esquecer esse gosto azedo na boca. Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço? Não é plágio do Pessoa, mas em cada canto do meu quarto tenho uma imagem de Buda, uma de mãe Oxum, outra de Jesuzinho, um pôster de Freud, às vezes acendo vela, faço reza, queimo incenso, tomo banho de arruda, jogo sal grosso nos cantos, não te peço solução nenhuma, você vai curtir os seus nativos de Sri Lanka depois me manda um cartão-postal contando qualquer coisa como ontem à noite, à beira do rio, deve haver um rio por lá, um rio lodoso, cheio de juncos sombrios, mas ontem na beira do rio, sem planejar nada, de repente, por acaso, encontrei um rapaz de tez azeitonada e olhos oblíquos que. Hein? claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, ,a questão é onde, ,não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? Ora não me venhas com autoconhecimentos-redentores, já sei tudo de mim, tomei mais de cinqüenta ácidos fiz seis anos de análise, já pirei de clínica, lembra? você me levava maçãs argentinas e fotonovelas italianas, Rossana Galli, Franco Andrei, Michela Roc, Sandro Moretti, eu te olhada entupida de mandrix e babava soluçando perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidário e positivo, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária, bababá bababá. As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos à minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, e cadê a causa, cadê a luta, cadê o potencial criativo? Mato, não mato, atordôo minha sede com sapatinhos do Ferro’s Bar ou encho a cara sozinha aos sábados esperando o telefone tocar, e nunca toca, ouvindo samba-canção e blues com caipira de vodka, neste apartamento que pago com o suor do potencial criativo da bunda que dou oito horas diárias pra aquela multinacional fodida. Mas eu quero dizer, e ela me corta mansa, claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca, me passa o cigarro, não estou desesperada, ,não mais do que sempre estive, não estou bêbada nem louca, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, não se preocupe, depois que você sair tomo banho frio, lente quente com mel de eucalipto e gin-seng, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a ban-chá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas do tipo preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-esta-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá, até o sol pintar atrás daqueles edifícios, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma? Passa devagar a tua mão na minha cabeça, no meu coração, eu tive tanto amor um dia, pára e pede, preciso tanto, tanto, tanto, bicho, não me permitiram, então estendo os dedos e ela fica subitamente pequenina apertada contra meu peito, perguntando se está mesmo muito feia e meio puta e muito velha e completamente bêbada, eu não tinha essas marcas em volta dos olhos, eu não tinha esses vincos em torno da boca, eu não tinha esse jeito de sapatão cansado, e eu repito que não, que está linda assim, desgrenhada e viva, ela pede que eu coloque uma música e escolho o Noturno número dois em mi bemol de Chopin, quero deixá-la assim, dormindo no escuro, sobre este sofá, ao lado das papoulas quase murchas, embalada pelo piano remoto como uma canção de ninar, mas ela se contrai violenta e peded que eu ponha Angela outra vez, então viro o disco, amor meu grande amor, caminhamos tontos até o banheiro onde sustento sua cabeça sobre a privada para que vomite, e sem querer vomito junto, ao mesmo tempo, os dois abraçados, bocas amargas, fragmentos azedos sobre as línguas, ela puxa a descarga e vai me empurrando para a porta, pedindo que me vá, e me expulsa para o corredor dizendo não esqueça então de mandar um cartão de Sri Lanka, aquele rio lodoso, aquela tez azeitonada, que aconteça alguma coisa bem bonita para você, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em todos de novo, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando. A chave gira na porta. Preciso me apoiar contra a parede para não cair. Atrás da madeira, misturada ao piano e à voz rouca de Angela, nem que eu rastejasse até o Leblon, consigo ouvi-la repetindo que tudo vai bem, tudo continua bem, tudo muito bem, tudo bem. Axé, axé, axé! eu digo e insisto, até o elevador chegar. Axé, odara&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-9180701260226960274?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/9180701260226960274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=9180701260226960274' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/9180701260226960274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/9180701260226960274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/12/os-sobreviventes-caio-fernando-abreu.html' title='Os Sobreviventes - Caio Fernando Abreu'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-3692393842192047126</id><published>2009-12-13T20:29:00.000-08:00</published><updated>2009-12-13T20:44:59.187-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Chorando baixinho, bem baixinho baby</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SyXCtVavppI/AAAAAAAAAMY/xWSORZsk-lk/s1600-h/capa.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 312px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SyXCtVavppI/AAAAAAAAAMY/xWSORZsk-lk/s320/capa.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414948211082110610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SyXB_SGXJ4I/AAAAAAAAAMQ/NlD1myvNIRM/s1600-h/capa.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem uns discos que são realmente bons. Bons musicalmente, bons para um determinado momento, bons pra dançar, para ouvir enquanto se trabalha ou para curtir fossa. Eu curto muito rock nacional, especialmente porque consigo cantar junto. Apesar de ter um bom nível de inglês, conversar, ler e escrever fluentemente, eu nunca entendo versos de música. Só acompanhando com a letra mesmo. Rock em português eu entendo. :)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos meus discos prediletos é o &lt;i&gt;Maior Abandonado&lt;/i&gt;, do Barão, último disco com o Cazuza nos vocais, antes dele e o Frejah se estranharem. Meu irmão tinha o lp, lançado originalmente antes de eu nascer, em 1984, e eu comprei o cd na época em que saiu o filme do Cazuza. Ficou com uma amiga, infelizmente. Tem músicas fodas lá, como &lt;i&gt;Por que a gente é assim&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Bete Balanço&lt;/i&gt;. Mas a música que eu mais gosto, e que tem tudo a ver com meu momento, é &lt;i&gt;Não Amo Ninguém&lt;/i&gt;. Infelizmente não achei no Youtube um vídeo com o próprio Cazuza cantando. Posto então apenas a letra. Para ouvir e chorar, fazendo festinha em si mesmo até dormir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eu ontem fui dormir todo encolhido&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Agarrando uns quatro travesseiros&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Chorando bem baixinho, bem baixinho, baby&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Pra nem eu nem Deus ouvir&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Fazendo festinha em mim mesmo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Como um neném, até dormir&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sonhei que eu caía do vigésimo andar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E não morria&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ganhava três milhões e meio de dólares&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Na loteria&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E você me dizia com a voz terna, cheia de malícia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que me queria pra toda vida&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mal acordei, já dei de cara&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Com a tua cara no porta-retrato&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não sei por que que de manhã&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Toda manhã parece um parto&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Quem sabe, depois de um tapa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eu hoje vou matar essa charada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Se todo alguém que ama&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ama pra ser correspondido&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Se todo alguém que eu amo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;É como amar a lua inacessível&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;É que eu não amo ninguém&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não amo ninguém&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eu não amo ninguém, parece incrível&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não amo ninguém&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E é só amor que eu respiro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;(Roberto Frejat/Ezequiel Neves/Cazuza)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-3692393842192047126?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/3692393842192047126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=3692393842192047126' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3692393842192047126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3692393842192047126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/12/tem-uns-discos-que-sao-realmente-bons.html' title='Chorando baixinho, bem baixinho baby'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SyXCtVavppI/AAAAAAAAAMY/xWSORZsk-lk/s72-c/capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-2141217280535771893</id><published>2009-12-08T12:35:00.000-08:00</published><updated>2009-12-08T13:37:28.892-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>Malhação no ócio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses dias que eu estou meio à deriva, tendo muita coisa pra ler e quase sem aulas, a televisão fica ligada quase o dia todo. O resultado é que eu &lt;strike&gt;que sou horrivelmente noveleira&lt;/strike&gt; não resisti e acabei acompanhando todas as novelas da Globo. Não me entendam mal, eu assisto tv enquanto faço outras coisas. Estou aqui com meu caderno de campo aberto, textos de etnologia, o livro do Neil Gaiman que eu estou lendo (Os Filhos de Anansi), a minha lixa de unhas. E minha xícara do aquecimento global cheia de café, fazendo o desenho dos continentes desaparecer com o calor do conteúdo. hehehehe, coisa mórbida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reparei que Malhação, por exemplo, agora chama Malhação ID. Malhação nos últimos dez anos, ou qualquer coisa assim, sempre foi a história da menina boa e talentosa, da menina má e invejosa, do anti-mocinho que será consertado pela mocinha, de uns sidekicks engraçadinhos, de alguém que fica muito doente e supera as dificuldades, e de alguém que engravida, mas consegue continuar estudando sem ter que cumprir jornada de 40 horas de trabalho e sem passar necessidades. Alguém devia fazer uma análise estrutural das variações do mito Malhação. Por isso, quando mudou o nome, achei que ia ser daquelas reformas que mudavam tudo pra não mudar nada, a começar pelo visual supostamente contestador, com referências a cultura pop devidamente domesticadas ao padrão Globo. Em Malhação ID o colégio mudou, é um visual mais cimentado, lembra meu antigo colégio, mas sem a falta de manutenção, o excesso de alunos por sala, os professores maltratados que de fato caracterizariam um colégio público. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que eu achei interessante são esses novos personagens, que são quase iguais aos anteriores. Quase. Tenho a impressão de que eles saíram dos estereótipos para virarem caricaturas. E isso sim é interessante. Em uma cena duas meninas, Valentina e Maria Cláudia, conversavam sobre como abordar um menino, Lucca. Maria Cláudia é obcecada por casamento e o tempo todo delimita o que é coisa de menino ou menina. Parece a garota propaganda da TFP, com seu cabelo chanel loirinho, roupas de jovem Amélia e sorriso de propaganda de margarina. Valentina é mais inibida, meio tomboy, tem a aparência menos milimetricamente acertada e não se conforma às convenções de gênero, mas por insegurança, decide seguir os conselhos sábios da Amélia-mirim. A situação pastelão gerada tem um efeito de expôr ao ridículo esses papéis prontos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; white-space: pre; "&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8_kIYFNouKs&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8_kIYFNouKs&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 10px; white-space: pre;"&gt;Tá a partir de 4:15&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um outro diálogo os meninos conversavam sobre quem seria o maior pegador do colégio, discutindo estratégias quase sem conseguir construir uma frase para além de fórmulas e gírias. Não parece se tratar mais de falar a linguagem (sic) dos jovens, mas talvez estranhar essa reprodução de comportamento. Um dos garotos, um cara de black power, chama a atenção para o machismo. É uma pena que ele não tenha tido espaço para elaborar melhor essa crítica. Enunciar não resolve, tem que ser o começo para uma reflexão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; white-space: pre; "&gt;&lt;object width="560" height="340"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/nK0z5xhySiA&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/nK0z5xhySiA&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Tá a partir de 3:10&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O casal principal dessa vez é uma garota engajada socialmente e meio estressada e um garoto playboy que faz sucesso na escola. Ah, sim, provavelmente eles vão se estranhar, se apaixonar e ela irá transformá-lo em um homem melhor. Talvez um deles fique doente. A personagem é bastante antipática, mesmo quando ela está em cenas altruístas. Mas Malhação nunca primou pelo carisma das heroínas, sempre tentou torná-las interessantes pelas atividades paralelas ao colégio e aos namorados, com maior ou menor grau de sucesso. Acho válido o exercício de mostrar ao povo adolescente que acompanha diariamente a novela de que há mais na vida do que esses relacionamentos estabelecidos na escola. Mas até agora Malhação sempre pecou por não revelar o processo de transformação dos personagens, do desenvolvimento de algum tipo de reflexividade. quando alguém muda, é sempre instantâneo, a partir de um grande choque biográfico, ou então no momento de ênfase de alguma subtrama, no qual as transformações parecem que sempre estiveram lá, mas ninguém percebera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa atual constelação de personagens, não parece haver uma grande vilã. Há duas garotas que fazem tudo o que o anti-mocinho pede, e não parecem ter maiores objetivos do que ser manipuladas por ele. Acho que a crítica teria força se partisse delas,não em forma de vingança, mas na descoberta de novas formas de sociabilidade e de atividades formadoras de novos mundos vividos. Não é para ser uma novela sobre construção de identidades?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;---&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;PS: Eu estou querendo a tempos escrever um post sobre Viver a Vida, aquela novela odiosa do Manoel Carlos, que é uma violência contra a população. Mas vou esperar um dia mais inspirado para descer a lenha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-2141217280535771893?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/2141217280535771893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=2141217280535771893' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2141217280535771893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/2141217280535771893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/12/malhacao-no-ocio.html' title='Malhação no ócio'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-8770835503934432578</id><published>2009-11-27T06:35:00.001-08:00</published><updated>2009-11-27T07:09:49.715-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desastre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos pseudo-biográficos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><title type='text'>O Cuidado de Si</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vi em um episódio de House uma vez que há cinco passos na dor da morte: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. é claro que isto é uma grande bobagem pois, embora estes sentimentos possam surgir num contexto ruim, não é dado que surgirão todos e em sequência. Mas às vezes, quando alguma coisa me frustra, eu lembro dos 5 passos e faço piada, pensando em qual deles eu estou. Foi assim quando, por um erro de cálculo, eu descobri que não teria créditos suficientes para me formar no meio do ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante esta semana será feita uma blogagem coletiva pelo fim da violência contra a mulher. Eu tentei colar o banner da campanha aqui no Novos Palimpsestos,  mas por algum motivo a blogagem não abre. Vou ter que escrever sem o rótulo. Já vi por aí todo tipo de post, desde comentários jurídicos sobre os efeitos práticos da lei Maria da Penha, até relatos diários de violência contra a mulher no contexto doméstico, sobre propaganda machista, sobre impunidade. A Mary W contou de sua palestra falando sobre imaginário. Tentarei fazer algo complementar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tema que escolhi é esse constante processo de desconstrução que temos que realizar diariamente sobre nós mesmas. é um esforço diário, cansativo, e muitas vezes pouco recompensador. Especialmente porque de alguma forma nossas matrizes de prazer e recompensa estão vinculadas a pensamentos, atitudes e práticas que ainda nos violentam. A superação desse tipo de comportamento não é algo que acontece num estalo, mas um processo ético contínuo, um cuidado de si como prática de liberdade, como diria Foucault em um de seus momentos mais iluminados. Eu acredito que embora as mulheres não sejam culpadas pelas violências que sofrem, que são estruturalmente apresentadas e então operacionalizadas pelos agressores, cabe a nós nos defender de todas as maneiras possíveis, e também de nós mesmas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todas nós crescemos assistindo as mulheres de nossas famílias se submetendo a diferentes tipos de violência. Maridos que batem em esposas, ou as traem, ou as diminuem em diferentes esferas. Pais que dão prioridade aos filhos homens e colocam uma série de restrições às mulheres, etc. Quando não há grandes crises e tudo fica dentro do tolerável, muitas vezes há pouca consciência disso. Hoje eu percebo os machismos do meu pai, por exemplo. Eu não me dei conta disso quando era criança, porque não era muito o alvo. Eu e meus irmãos até que tivemos uma criação muito semelhante. Os  preconceitos se escondiam em piadinhas, comentários, e na relação com a minha mãe, ainda que de modo muito velado. Por isso hoje eu fico pensando nessas mulheres que ficam magoadas com seus parceiros, achando que é falha delas ou da situação, e não se revoltam contra a violência machista por trás disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma amiga da facul, A, terminou com o namorado, que a traiu. A nova ficante dele, B,  passou a cumprimentar de maneira efusiva A cada vez que se encontravam na facul ou nas baladas. Até que B foi largada também. E A achou super legal passar a cumprimentar B, que subitamente ficou esquiva e antipática, para o deleite de A, que se sentiu vingada. "Mas A" - eu falei - "foi o ex que foi um cretino com vocês duas. E é ele quem está saindo por cima, como o pegador. Depois, quando ele te quiser de volta, vai vir com o papinho mole de que não significou nada e ainda te ama e você vai cair. Se você ficar mirando sua raiva em B, vai acreditar de fato no que o ex disser, e ele vai aprontar com você de novo, de novo e de novo". A concordou comigo, mas optou por ser receptiva as reaproximações do ex. Muitas lágrimas virão ainda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um trabalho constante. Somos treinadas para nos fazer vulneráveis diante dos homens. Isso também se passa entre mim e meu ex. Eu tenho todos os motivos do universo para querer a cabeça dele numa bandeja, mas esses dias eu estava deprimida por causa da insônia e ele apareceu, para ter uma conversa e me deixar por baixo de novo. Fazia mais de um ano que eu não me cortava. E ele passou a noite em minha casa, fazendo o papel de meu salvador. Só me deixou pior, mas eu não consegui reagir e mandá-lo embora. Agora meu braço está todo riscado de novo, e o esforço para controlar a vontade terá que ser reconstruído. Este meu ex-namoro já passou por várias das 5 fases enumeradas lá em cima. Mas pela primeira vez está na fase que deveria estar, para poder me livrar dele. A raiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-8770835503934432578?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/8770835503934432578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=8770835503934432578' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8770835503934432578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/8770835503934432578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/11/o-cuidado-de-si.html' title='O Cuidado de Si'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-5726004805040890872</id><published>2009-11-21T08:01:00.001-08:00</published><updated>2009-11-22T14:46:07.626-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos pseudo-biográficos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='usp'/><title type='text'>Mais um rito de passagem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A esta altura do campeonato, todos os meus 2d6 leitores já devem saber que eu passei na seleção de mestrado, que é provavelmente a mudança mais importante da minha vida em anos. Eu fiquei alguns dias bem aérea, pensando na vida, filosofando, tentando digerir esta notícia. Mas no fundo eu sou uma pessoa muito dialógica mesmo, só consigo me resolver na conversa. Por isso, nada melhor que postar no blog e obrigar meus amigos que estão longe a ler. Hehehe...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A seleção do PPGAS/USP é cruel, é uma prova de fogo como a FUVEST, mas de certa forma bem menos atomizada. Lá na sala onde se sentavam cerca de 160 pessoas (dessas, 112 candidatos ao mestrado), eu via rostos preocupados de amigos cuja trajetória eu conheço ha anos, pessoas que se apaixonaram por esta ciência estranha que é a antropologia, que conduziram suas pesquisas e interesses pela graduação. Amigos que viveram os dilemas da pouca perspectiva de empregabilidade; da indiferença da instituição em relação às dificuldades dos alunos, tão desgastadas que estão as relações;  do próprio processo de amadurecimento que os muitos ritos de passagem que vivemos durante a graduação geram, ritos que já não produzem mais uma narrativa inteira, geradora de sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A prova teórica em si não trouxe muitas surpresas. A bibliografia é enorme, mas as perguntas eram gerais, relacionando os autores. A avaliação torna-se em certa medida uma avaliação da capacidade de concisão e síntese, porque não havia espaço para o aprofundamento das questões ou muita contextualização dos autores. História e cultura para Sahlins e Manuela Carneiro da Cunha. Corpo para Hertz, Mauss e Mary Douglas. Não respondi a pergunta sobre magia, religião e sociologia do conhecimento, porque achei responsabilidade demais falar sobre Lévi-Strauss récem falecido. Fiz bem. Vários amigos caíram na peneira daquela quinta feira. Esperando o resultado da prova, ficamos no NAU jogando Stop e outras coisas de criança. Eu fazia caixinhas de dobradura. Enfim, sobraram 40 para a prova de língua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase todo mundo que faz mestrado opta por inglês, deixa o francês pros doutorandos. Terça de manhã, uma sala já menor. Todos com grandes dicionários. Um autor comenta a polêmica entre Sahlins e um antropólogo pós colonial, Obeyesekere, sobre a história do Capitão Cook. Cinco perguntas para responder três, mas as perguntas são muito parecidas. O espaço para as respostas é agora bem maior, bizarro.Terminei a prova com relativa rapidez, porque estou acostumada a ler em inglês. alguns amigos saem aos 47 do segundo tempo. O resultado sai na mesma noite. Sobraram 31. Minha entrevista é no dia seguinte, ao meio dia e meio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passo a manhã no NAU, com outros candidatos. Alguns deles ainda tem que apresentar no SIICUSP. Tento não pensar no meu pai, é aniversário de morte dele. Só consigo pensar na falta que ele me faz, mas fico quieta para não apavorar minhas amigas. Na sala do conselho, os três professores da banca me recebem com sorrisos e uma cordialidade maior do que a de outras bancas (ouvi falar). Depois, cumprem a sua função ritual de massacrar o meu projeto. Eu fico desapontada com as críticas, sinto que deixaram de enxergar as coisas importantes do projeto e as falhas contra as quais eu estou lutando, para sentir falta de coisas que absolutamente não tem a ver com a pesquisa. Acho pouco construtivo e pouco pedagógico, mas de qualquer modo sempre temos que testar nosso texto com alguém que não faz idéia do que estamos falando. Só não achei que seria assim na banca. Fui bastante exortada a mudar um monte de coisas. Saio da entrevista triste e pessimista. Fico em casa recolhida até o dia do resultado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sexta feira a reunião do NAU ajuda a passar o tempo, saber do campo dos outros, da revista. O resultado atrasa e ficamos vigiando o departamento da janela, apreensivos, tentando nos distrair. De tempos em tempos alguém vai verificar o mural e a cada minuto damos f5 no site. Quando finalmente colocam a lista, corremos como loucos e procuramos os nomes nossos e de nossos amigos. Além do alívio e alegria pela metade, como disse a Jacque, porque nem todo mundo passou. Os braços mais familiares que encontro são os de João, fiel amigo. Dou um longo abraço nele, tentando não chorar, mas não consigo. Choro enquanto meus amigos se abraçam e comemoram, ligam para os pais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso naquele momento que talvez a primeira coisa que deveria fazer era ligar para um psiquiatra com quem me tratei por um mês em 2007 para dizer que, apesar dos seus esforços em arruinar a minha vida e me tornar dependente de sua medicina frouxa, sem rigor e sem método; apesar de ele ter dito que eu era uma pessoa doente que se escondia atrás da racionalização; apesar do mundo biopolitizado estar cada vez mais ao lado de pessoas como ele e contra qualquer autopoiesis de liberdade; apesar de tudo lá estava eu, bem, estudando, qualificada para fazer o mestrado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao invés disso, liguei para quem realmente importa. Dei a boa notícia para minha vó, que ficou contente e respondeu com um certo laconismo "Nào esperávamos outra coisa de você". Adoro. Sem drama e sem frescura. Depois, fomos comemorar no bar e pelas festas de sexta-feira da USP, onde pelo jeito eu ficarei mais um tempo. Para a noite ficar perfeita só faltou achar alguém pra dar uns beijos. hehehe...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos dias que se seguiram eu alternei entre a euforia e a inércia, sem grandes novidades. Tinha que recuperar ainda as matérias que estou fazendo este semestre e foram negligenciadas. Para variar, fiquei tempo demais em casa, o que me desanima. Mas ontem até que diverti bastante em um samba na casa de amigos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, parece cretino dizer isso, mas eu estou ainda me sentindo bastante confusa. Quando eu prestei vestibular, não me imaginava como cientista social. Parecia um curso interessante, mas meu sonho desde quando era um zigoto sempre foi escrever. E ao longo do curso a literatura foi sendo varrida da minha vida. Hoje eu escrevo pouco e quase não leio literatura, o que é um grande pecado. Mas eu me movimento bem pelo meio acadêmico, acabei seguindo seu curso até agora. Só não sei se era isso o que eu queria. Enquanto a resposta não vem, vou tocando o barco...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-5726004805040890872?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/5726004805040890872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=5726004805040890872' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5726004805040890872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5726004805040890872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/11/mais-um-rito-de-passagem.html' title='Mais um rito de passagem'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-5542523551283175983</id><published>2009-11-08T10:52:00.000-08:00</published><updated>2009-11-08T10:55:08.502-08:00</updated><title type='text'>Minissaias</title><content type='html'>Lindo poema, raduzido por Raphael Neves e publicado, entre outros lugares, no &lt;a href="http://newyorkibe.blogspot.com/2009/11/caso-uniban-to-muito-p.html"&gt;New York Kibe&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos "Monólogos da Vagina"&lt;br /&gt;por Eve Ensler&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha minissaia não é um convite&lt;br /&gt;uma provocação&lt;br /&gt;uma indicação&lt;br /&gt;do que eu quero&lt;br /&gt;ou dou&lt;br /&gt;ou que eu flerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha minissaia&lt;br /&gt;não está implorando por isso&lt;br /&gt;não está querendo que você&lt;br /&gt;a arranque de mim&lt;br /&gt;ou a abaixe até o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha minissaia&lt;br /&gt;não é um argumento jurídico&lt;br /&gt;para você me violentar&lt;br /&gt;ainda que já tenha sido&lt;br /&gt;e não vai servir de prova&lt;br /&gt;em nenhum tribunal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha minissaia, acredite ou não&lt;br /&gt;não tem nada a ver com você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha minissaia&lt;br /&gt;tem a ver com a descoberta&lt;br /&gt;do poder das minhas pernas&lt;br /&gt;e do ar frio do outono passeando&lt;br /&gt;pelo interior das minhas coxas&lt;br /&gt;tem a ver com tudo o que eu vejo&lt;br /&gt;ou passo ou sinto viver dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha minissaia não é prova&lt;br /&gt;de que eu seja estúpida&lt;br /&gt;ou indecisa&lt;br /&gt;ou uma menininha maleável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha minissaia é meu desafio&lt;br /&gt;e você não vai me amedrontar&lt;br /&gt;Minha minissaia não está se exibindo&lt;br /&gt;é esta que eu sou&lt;br /&gt;antes que você me faça cobri-la&lt;br /&gt;ou disfarçá-la.&lt;br /&gt;Acostume-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha minissaia é felicidade&lt;br /&gt;Eu posso me sentir no chão.&lt;br /&gt;Sou eu qui. E eu sou gostosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha minissaia é liberação&lt;br /&gt;bandeira no exército das mulheres&lt;br /&gt;Eu declaro estas ruas, quaisquer ruas&lt;br /&gt;o país da minha vagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha minissaia&lt;br /&gt;é água azul turquesa&lt;br /&gt;onde nadam peixes coloridos&lt;br /&gt;um festival de verão&lt;br /&gt;na escuridão estrelada&lt;br /&gt;um pássaro cantando&lt;br /&gt;um trem chegando em uma cidade estrangeira&lt;br /&gt;minha minissaia é um rodopio&lt;br /&gt;um suspiro profundo&lt;br /&gt;um passo de tango&lt;br /&gt;minha minissaia é&lt;br /&gt;iniciação&lt;br /&gt;apreciação&lt;br /&gt;excitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acima de tudo minha minissaia&lt;br /&gt;e tudo que ela cobre&lt;br /&gt;é Meu.&lt;br /&gt;Meu.&lt;br /&gt;Meu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-5542523551283175983?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/5542523551283175983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=5542523551283175983' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5542523551283175983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5542523551283175983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/11/minissaias.html' title='Minissaias'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-5542622720472566892</id><published>2009-11-07T19:16:00.000-08:00</published><updated>2009-11-07T19:43:46.743-08:00</updated><title type='text'>Da segurança que faz mal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SvY8f66gpqI/AAAAAAAAALw/EkDQ7BB7LCo/s1600-h/geyse.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 284px; height: 245px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SvY8f66gpqI/AAAAAAAAALw/EkDQ7BB7LCo/s320/geyse.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401571322165765794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo reportagem do Estadão os alunos da UNIBAN aguardavam o retorno da garota que eles agrediram no dia 22 usando narizes de palhaço, para defender mais uma vez seu "ambiente escolar", conforme a própria instituição definiu o linchamento moral bárbaro que ocorreu. Ela não voltou e não voltará mais, pois a UNIBAN concluiu que era ela a culpada e tratou de expulsá-la. Os outros alunos podem se sentir mais uma vez seguros. Seguros de que sua formação pessoal e profissional será marcada pela intolerância e pelo autoritarismo. Seguros de que serão tratados como materiais em uma linha de montagem que passa por apostilas pobres, professores mal pagos e cerceados e currículos enxugados. Seguros de que toda a violência e opressão diariamente praticada contra eles continuará a ser legitimada pelo senso comum e toda a contestação e resistência serão devidamente esterelizadas. Seguros de que suas colegas ainda serão suspeitas de se prostituírem para pagar as mensalidades, como é o mito corrente, mas jamais poderão alimentar esse mito com qualquer expressão não sancionada de sexualidade. Seguros de que enfrentarão uma competição desleal no mercado de trabalho e que os milhares de cursos de pós-graduação lato senso que farão com muito custo não serão &lt;i&gt;diferenciais&lt;/i&gt; o suficiente em seus currículos, tristes mapas de suas trajetórias de vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais uma vez deixo aqui (e &lt;a href="http://www.petitiononline.com/unitalib/petition.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;) o meu total repudio aos eventos ocorridos na UNIBAN e à instituição. O que ocorreu é uma ofensa aos direitos individuais mais básicos dos cidadãos brasileiros. Espero que o MP ou algum órgão responsável tome providências.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Geisy, estou com você!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-5542622720472566892?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/5542622720472566892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=5542622720472566892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5542622720472566892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5542622720472566892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/11/da-seguranca-que-faz-mal.html' title='Da segurança que faz mal'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SvY8f66gpqI/AAAAAAAAALw/EkDQ7BB7LCo/s72-c/geyse.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-6098515828032732872</id><published>2009-11-04T04:58:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T05:16:32.681-08:00</updated><title type='text'>Adeus ao mestre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O primeiro texto que eu li de Lévi-Strauss foi &lt;strong&gt;Raça e História&lt;/strong&gt;, criado para a UNESCO, no primeiro semestre da faculdade. E até hoje eu acho um dos textos mais belos que já li. A mais contundente aula sobre o valor da diversidade cultural já escrito. Eu ficava ansiosa para chegar logo Antropologia 3, que era um semestre inteirinho dedicado a ele. E minha professora foi a Dominique, que é uma pessoa incrível. No final a gente sempre passa meio correndo pelas &lt;strong&gt;Mitológicas&lt;/strong&gt;, por conta das greves anuais da USP. Mas lê integralmente o &lt;strong&gt;Estruturas Elementares do Parentesco&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;o Totemismo Hoje&lt;/strong&gt;, parte de &lt;strong&gt;O Pensamento Selvagem&lt;/strong&gt; (fundamental para a minha pesquisa sobre RPG, ainda que eu não o cite!) e textos essenciais do &lt;strong&gt;Antropologia Estrutural&lt;/strong&gt;, como o "A eficácia simbólica" e "O feiticeiro e sua magia" .&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lévi-Strauss era, como todo bom francês, um universalista. Estava interessado no intelecto humano, nas formas estruturantes que a tudo organizam, a linguagem, os mitos, o parentesco. ele elevou as ciências humanas a um novo patamar, dialogando com a história, a linguística, a psicologia. Espezinhou e foi espezinhado por seus pares. E persistiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fazendo piada com a idade dele, eu sempre dizia que ele era um lich, um vampiro que sugava os outros antropólogos para se manter, utilizando algum ritual que ele descobriu nas monografias que leu. Mas na verdade, Lévi-Strauss foi quem doou uma imensa energia para todos nós. Fica aqui a pequena homenagem de alguém que acha que entendeu um pouquinho do que Lévi-Strauss tentou nos ensinar e que o terá sempre em mente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-6098515828032732872?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/6098515828032732872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=6098515828032732872' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6098515828032732872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/6098515828032732872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/11/o-primeiro-texto-que-eu-li-de-levi.html' title='Adeus ao mestre'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1300803257307803877</id><published>2009-11-03T08:44:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T09:46:59.922-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De todas as piadas sobre o caso da aluna da UNIBAN que eu li por aí, só teve uma que eu realmente achei engraçada, embora igualmente trágica. Foi na comunidade da USP no orkut: "Se tivesse a UNIBAN virtual, nada disso teria acontecido".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É engraçado, mas não é verdade. A &lt;a href="http://beauvoriana2.zip.net/"&gt;Mary W&lt;/a&gt; falou belamente sobre a perda da experiência de liberdade que a comunidade universitária proporciona, quando os alunos são vistos como clientes e o administrativo é mais importante que o pedagógico. Eu concordo com ela que não é apenas isso que torna os alunos uma horda, e é claro que tem toda uma estrutura machista e autoritária que é acionada por quem incita, tocando numas cordas emotivas. Por outro lado o Ensino à Distância tal como vem sendo implementado parece ser o auge da perda da experiência, porque não há muito contato presencial e não há aquela experiência de corredor, de conversas misturadas naquilo que parece ser a idéia original de uma universidade. Agora, linchamentos morais acontecem online de modo tão eficaz quanto offline, como mostram inúmeras histórias de vídeos e fotos "comprometedoras" que ex-amantes colocam no ar, cyberbullying entre alunos de escolas particulares, etc. A própria história da UNIBAN só ganhou toda essa repercussão por causa do vídeo colocado no ar com  um título violento, que foi linkado na denúncia do blog Boteco Sujo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O linchamento moral online é talvez ainda mais grave, porque ele se propaga no tempo e por vezes se apresenta como novidade repetidamente. Estou pensando no caso de Ouro Preto, claro. Os acusados foram ameaçados por seus próprios colegas (de uma universidade FEDERAL!) e linchados pela mídia e pela internet por pelo menos 08 anos, em meio a desinformações e descontextualizações. Talvez se a aluna da UNIBAN cursasse EaD, ninguém poderia perceber o tamanho do seu vestido (e alguém ainda acha que o que aconteceu tem alguma coisa a ver com o vestido?), mas alguma coisa de seu "jeitinho" poderia igualmente servir para colocá-la como objeto de ódio comum e suscitar o mesmo tipo de barbárie.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;----------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mudando de assunto. Gente, o &lt;a href="http://tinyurl.com/ya4brvx"&gt;Lévi-Strauss morreu&lt;/a&gt;. Eu estou bege! O Lévi-Strauss não era um mortal, ele faz parte de um desses panteões fora do tempo linear. Eu estou sentindo o mundo tão frágil...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1300803257307803877?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1300803257307803877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1300803257307803877' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1300803257307803877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1300803257307803877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/11/de-todas-as-piadas-sobre-o-caso-da.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1128726846413262871</id><published>2009-10-29T15:11:00.000-07:00</published><updated>2009-10-29T19:00:53.081-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violência'/><title type='text'>Sobre o caso da UNIBAN</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas pessoas estavam passando links no twitter sobre o que parecia ser um caso de estupro. Entrando em alguns deles, achei dois vídeos no Youtube (que não vou linkar) e o do blog Boteco Sujo, que eu já visitei algumas vezes. No blog um post chamado "Polanskis do ABC" narrava a história de uma menina que foi com uma roupa curta pra faculdade, foi cercada e ameaçada pelos colegas e só conseguiu sair com escolta policial, enquanto os colegas a xingavam. Depois de ler os sites e ver os vídeos, eu fiquei muito assustada. Mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil até saber por onde começar. Estou lendo para a matéria de metodologia uma parte de uma dissertação de mestrado que fala sobre a violência entre meninas no contexto escolar. Não avancei muito, mas a idéia é problematizar tanto a idéia de escola, quanto a de violência e de gênero. Defende-se que a escola tem o papel de natalidade, de fazer nascer o indivíduo para a vida pública, numa apropriação dos conceitos da Hannah Arendt. E aí eu fiquei pensando, que em uma universidade, é um pouco disso que se trata. Da esfera pública. De política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma conversa, um amigo disse que achava estranho qualquer pessoa sair de seu caminho para ir pentelhar a menina. Também acho, respondi, e ainda mais estranho que seus colegas não a tenham defendido (depois eu li sua &lt;a href="http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/news/2009/10/29/226703-aluna-da-uniban-garante-vou-voltar-nem-que-seja-com-escolta"&gt;entrevista&lt;/a&gt;, em que ela diz que foi ajudada por sua classe). Isso meu amigo não achou estranho. Na concepção dele, ninguém tinha nada a ver com isso. Mas é a turba, respondi, e é ela que me assusta. Porque aí não há ação, não há diálogo e convencimento. É o autoritarismo em sua forma mais pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu é fruto de um machismo ubíquo, presente nos alunos e alunas da UNIBAN (mas poderia ser qualquer outro lugar, poderia ter sido a USP!). Da microfísica do poder que regula o corpo feminino, que culpabiliza a mulher pela lascívia, pelo pecado, por ser estuprada, por ter sexualidade, por ser bonita, por ser feia. Mas é também outra coisa. É a massa em um movimento destrutivo, irrefletido. Esse coro de "puta, puta" não é apenas um linchamento moral (e não estou minimizando os danos desse linchamento), é a barbárie, é o aniquilamento da esfera pública arendtiana. Os comentários de apoio ao coro que vieram depois, são só os ecos desse processo de desumanização pelo qual todos passaram.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1128726846413262871?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1128726846413262871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1128726846413262871' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1128726846413262871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1128726846413262871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/10/sobre-o-caso-da-uniban.html' title='Sobre o caso da UNIBAN'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-3462180847602685198</id><published>2009-10-28T07:05:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T08:30:58.287-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='usp'/><title type='text'>Licenciaturas e licenciosidades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como todos sabem, fazer licenciatura é o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;sonho&lt;/span&gt; de todo aluno da facul. Ter mais matérias para fazer; uma bibliografia nova; frequentar o prédio da faculdade de educação; ter contato com professores diferentes e engajados; estar em turmas mistas, onde há uma rica integração entre alunos das exatas, humanas e biológicas; e preparar-se para a nobre carreira docente, trabalhando para a formação das futuras gerações e o progresso da nação. Não é lindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz ou infelizmente as coisas não são bem assim. Pelo menos no meu curso. O meu curso é cheio de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;clivagens&lt;/span&gt;. Começa por quem vai para a Antropologia, para a Sociologia ou para a Ciência Política, sendo que a sociologia é bem meio termo. Futuros antropólogos quase não fazem matérias de política e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;politicólogos fingem que a antropologia não existe&lt;/span&gt;. O curso é todo feito para preparar os alunos para o mestrado e doutorado, para virarem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;professores pesquisadores universitários&lt;/span&gt;, mas todos sabem que esta é uma realidade para poucos. Os politicólogos vão trabalhar com todo tipo de consultoria depois, ou viram economistas por fora. Alguns fazem mestrado e prestam Rio Branco. Os sociólogos vão trabalham em órgãos públicos, ou ongs, ou institutos de pesquisa. Os antropólogos também, mas em áreas um pouco diferentes. Vários vão pras artes. Quando sociólogos e antropólogos defendem o doutorado, são demitidos das universidades particulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto a licenciatura entra por três vias: aqueles que passaram a acreditar que &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não tem capacidade&lt;/span&gt; (e saco) de virar professores doutores, fazem licenciatura para ter uma alternativa de emprego; aqueles que estão na pós, fazem a licenciatura para trabalhar &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;enquanto a bolsa não vem&lt;/span&gt;; e tem um ou outro que acha que tem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;vocação&lt;/span&gt; para ensino, e entra na licenciatura com o ideário escrito aí em cima. Eu pessoalmente, que sou uma pessoa indecisa mesmo, já passei pelos três tipos, embora ainda não esteja na pós. Tirando este último grupo e parte do segundo, todos os alunos tendem a pensar a licenciatura como algo de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;valor menor&lt;/span&gt;, quer optem por fazê-la, quer não. Politicólogos não fazem licenciatura de jeito nenhum. Licenciatura é vista como algo para quem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não deu muito certo&lt;/span&gt; no curso. Aposto que o pessoal da filosofia é meio assim também. O povo das exatas tem idéias ainda mais estranhas, alguns vão fazer licenciatura porque querem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;matérias de "humanas" para relaxar&lt;/span&gt;, enquanto não arrumam trainees na indústria ou qualquer coisa assim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anyway, o que não contam pra gente é que a licenciatura é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;loteria&lt;/span&gt;. Você nunca sabe o que o/a espera, porque cada professor dá o curso como quer. A princípio isto é ótimo, porque dá espaço para a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;poiesis&lt;/span&gt; do professor, para a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pluralidade &lt;/span&gt;pedagógia, etc. Por outro lado, não parece haver muita preocupação com a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;coesão&lt;/span&gt; do curso. Correndo o risco de cair num pragmatismo bobo, eu tive que engolir cada assunto bobo e inútil. A primeira matéria que eu fiz era de chorar. Tenho duas pastar entupidas de textos (não sei quantas páginas, mas foi uns 100 reais em xerox) que eu li e que não servirão &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;nem para diletantismo intelectual&lt;/span&gt;, quanto mais para me tornar uma boa professora. Um outro professor deu uma excelente bibliografia (embora eu tenha ficado com Foucault saindo pelos poros) mas nas aulas ele se comportava como um chato &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ególatra&lt;/span&gt; meio fascista. Agora eu tenho um professor com &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pinta de sindicalista&lt;/span&gt; que faz umas análises muito rasas de legislação e as apresenta como a revelação da teoria da conspiração, criando aquele clima de "ah, agora nós sabemos a verdade. Como somos espertos..." entre os alunos. A aula que eu aproveito mesmo é a de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;metodologia&lt;/span&gt;, que tem uma bibliografia interessante e algumas boas discussões em sala, e que no fim das contas só tem alunos e ex-alunos do meu curso. Fica até parecendo bairrismo. Mas não é, acho que eu sou &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;azarada&lt;/span&gt;. Tem gente com melhores histórias pra contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho muitos colegas que nem vão às aulas. Assim como tenho colegas que não cumprem as horas de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;estágio obrigatório não remunerado&lt;/span&gt;. E colegas que abandonam a licenciatura por falta de motivação. E colegas que usam a licenciatura apenas para manter o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;vínculo com a universidade&lt;/span&gt;, ter carteirinha e bilhete único, e poder fazer estágio remunerado em empresas. Cumprir o estágio da licenciatura é difícil, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;as escolas são bem refratárias&lt;/span&gt; a receber estagiários, e o tempo é curto para cumpir as 200 horas. Eu juro que não sei se 200 horas é muito ou pouco, especialmente porque no meu curso quase não há regência, é só &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;observação&lt;/span&gt;, e a maioria das escolas não permite muita interferência do estagiário. Em uma escola que eu cumpri 60 horas, eu ficava "etnografando" as aulas, mas às vezes o sono era maior, e às vezes eu usava o tempo de estágio para estudar para outras disciplinas. Tem coisas muito erradas aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todo esse esforço para ganhar cerca de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;R$5,00 a hora&lt;/span&gt; no Estado? Haja vocação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-3462180847602685198?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/3462180847602685198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=3462180847602685198' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3462180847602685198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3462180847602685198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/10/licenciaturas-e-licenciosidades.html' title='Licenciaturas e licenciosidades'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-3483128699167307533</id><published>2009-10-19T06:37:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T07:16:33.445-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos pseudo-biográficos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>O Anticristo - com spoilers</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu deveria estar estudando para a &lt;a href="http://www.fflch.usp.br/da/index.php/posgraduacao/processo-de-selecao-2010"&gt;prova de mestrado&lt;/a&gt;, mas não estou. Eu poderia até me sentir culpada pela falta de sistematização dos meus esforços, ou por meu pessimismo de achar mesmo que eu não vou passar, ou de passados vários meses ainda não ter conseguido resolver a minha vida afetiva com o ex(ou não) de modo que isto interfere nas minhas decisões, mas a verdade mesmo é que eu sei mesmo que estou no &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;canto do cisne da minha vida estudantil&lt;/span&gt;. Ano que vem, a pensão acaba, eu tenho que arrumar um emprego, a falta de um currículo profissional me apavora um pouco mas a idéia de uma rotina automatizada num trampo qualquer me seduz de uma maneira perversa. Acho que por isso quero chafurdar um pouco na irresponsabilidade, acordar às 9 horas da manhã e ficar ouvindo meus heavy metal adolescentes, entrando e saindo de blogs e twitters, lendo artigos que não são bibliografia de nenhuma disciplina, pensando na aventura de RPG que eu quero mestrar a noite...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de viajar para a Holanda eu fui com o ex ver &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O Anticristo&lt;/span&gt;. Na verdade eu trapaceei, ele queria ver &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Se Beber, Não Case&lt;/span&gt;, mas eu não tava a fim de ver um filme sobre um bando de marmanjos se comportando como ogros. Esse tipo de filme tem que ser visto nas nossas repúblicas com a galera, porque a jocosidade é a base da nossa sociabilidade e nesse contexto não se torna ofensiva. Então, na hora de comprar os ingressos, comprei para O Anticristo. Só sabia que era um filme de terror do Lars von Trier, que eu amava por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dogville&lt;/span&gt; e odiava por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dançando no Escuro&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo filmes tensos. Cinema para mim tem que ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tenso&lt;/span&gt;. Quando eu assisti O&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;nde os Fracos não Tem Vez&lt;/span&gt;, que eu evitava respirar no cinema de tanta tensão. Ou quando eu assisti C&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;enas de um Casamento&lt;/span&gt;, do Bergman, em casa com a Carol, que a gente ficou horas assistindo, entontecidas, não perdendo uma nota do diálogo. O Anticristo é tenso, de um jeito inebriante. A primeira cena é tão linda que dá vontade de chorar. O casal transando com tanta voracidade, que você vê melhor as cores do sexo deles por estar em preto e branco e o sente no próprio corpo. Enquanto isso o bebê deles abre a janela e cai, e você vê, mas o casal não (parece). A música é linda. É desesperador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, pensamos, é um filme sobre luto. Mas no fundo acho que o luto é um pano de fundo para outros assuntos que o filme trata. O Anticristo é um filme sobre &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Natureza X Cultura&lt;/span&gt;, e as homologias dessa dicotomia fundante. A mãe pesquisa feminicídio, está escrevendo sua tese. O pai (putz, que tesão pelo Defoe, nunca imaginaria!) é um psi-algo. Ele é maior que ela, ele a está guiando pelo seu luto natural de fêmea que perdeu a cria. O luto não diz respeito a ele, ele quer trazer ordem ao caos. O luto é o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;caos&lt;/span&gt;. A mulher é o caos. Porque a mulher é sempre colocada do lado da natureza, e o homem da cultura. O marido assume o papel liminar de marido e terapeuta, enquanto ela manifesta toda a intensidade e a volúpia da dor. E é pela dor que ele quer guiá-la de volta à ordem, quer colonizar a natureza e as emoções, com a civilização e a razão de homem culto esclarecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eles vão para a cabana na floresta, e a natureza emerge em todo o seu potencial de fagocitose. A natureza que ele quer domar mentalmente e ela quer se entregar em uma celebração autodestrutiva. São cenas fortes, no eixo luto-culpa-sexo. O sexo é o mediador entre natureza e cultura. Ele usa o sexo para domá-la, controlá-la, ela reage com o sexo autofágico. Nessas cenas, quando ela paralisa, e depois sai tresloucada, quando ela tenta aprender a andar (que metáfora rica, gente, quero ser o Lars von Trier quando crescer!), todo o nosso corpo está com o corpo dela. Nesses momentos, eu desgrudei por um momento do filme para perceber se eu tinha vontade de me cortar, como eu fazia antigamente. Porque não é todo mundo que é capaz de entender a pulsão da dor, da morte, culpa e êxtase. O interessante é que não, que essa poesia corporal toda eu podia sentir sem ter o comportamento mimético, e isso me deixou profundamente satisfeita comigo mesma. Estranho também. Não consegui até hoje fazer o balanço do papel da automutilação na minha vida. Passou, mas está lá. Sobrevive a coisa das intensidades. Quando eu queria pesquisar isso, fui procurar em &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Artaud&lt;/span&gt;, mas não aprofundei. Precisava tirar um tempo e ler o Deleuze, o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mil Platôs&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim, uma sutileza do filme é que o marido, que tenta salvá-la o tempo todo está de fato matando-a o tempo todo. Ele a mata para poder sobreviver, porque ele não pode viver no caos. Desde o começo ele se apropria dela, quando exige que ela se entregue a ele, ele a está matando para que ele sobreviva. E eu assistindo isso com o ex ao meu lado, vendo na tela cenas que a gente passou juntos em 2007. E é supercomplicado de entender, porque ela estuda o feminicídio mas passa a aceitá-lo e a desejá-lo, a assumir a culpa coletiva das mulheres pelo mal. Por isso, ela deve encarnar o mal, concretizá-lo, desempanhar o seu papel. Ela mutila o filho, como um aviso do poder devastador da fêmea. Ela também reconhece a matança das mulheres como processo civilizador. E é uma puta crítica da razão, porque conduz à barbárie. O caos reina, no final.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-3483128699167307533?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/3483128699167307533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=3483128699167307533' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3483128699167307533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3483128699167307533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/10/o-anticristo-com-spoilers.html' title='O Anticristo - com spoilers'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-263608413188510142</id><published>2009-10-12T03:07:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T03:44:46.762-07:00</updated><title type='text'>Como minha mãe poderia ter ido pro espaço</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu tenho o hábito de acessar o conteúdo online do Estadão, que é mais aberto que o da Folha. Aliás, minha república tem a assinatura da Folha, que eu prefiro destrinchar em papel mesmo &lt;strike&gt;para ter o prazer de inocular o meu desprezo em algo físico&lt;/strike&gt;. Vi hoje no blog do &lt;a href="http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/?title=o_primeiro_passo_na_lua_podia_ser_de_uma&amp;amp;more=1&amp;amp;c=1&amp;amp;tb=1&amp;amp;pb=1"&gt;jornalista Marcos Gutemberg&lt;/a&gt; o link para uma reportagem da Wired falando sobre as &lt;a href="http://www.wired.com/wiredscience/2009/10/mercury-13/"&gt;mulheres candidatas no programa espacial americano &lt;/a&gt;no começo dos anos 50. Segundo a reportagem, nos testes preparatórios elas teriam sido submetidas a situações mais extremas que os candidatos homens, mas tendo o mesmo sucesso, mas foram barradas por não terem experiência militar de vôo, porque não podiam pertencer às Forças Armadas, e porque menstruavam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ser astronauta é o sonho de muitas crianças, pirando com seus foguetes de brinquedo e bonequinhos, ou com todo o tipo de jogo eletrônico. Nunca foi o meu, apesar de toda minha nerdice e paixão por sci-fi porque eu tinha plena consciência de que ir para o espaço é coisa para gente do primeiro mundo, não para &lt;a href="mailto:brasileir@s"&gt;brasileir@s&lt;/a&gt;. Marcos Pontes me desmentiu, mas até onde eu sei ele foi mediante pagamento do governo brasileiro. Acho que eu não teria tanta mercê. Mas ser uma astronauta foi também o sonho da minha mãe, igualmente nerd, que o levou mais adiante, até a faculdade de física, quando ela decidiu ser analista de sistemas e conheceu o meu pai. Por isso, chamei minha mãe, li a reportagem para ela e falei "viu, mãe, o seu sonho de criança não era assim tão maluco. No ano em que você nasceu estavam testando mulheres astronautas! Elas só não foram porque acharam que era um problema elas menstruarem, mas claro que não era isso".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mamãe respondeu "Bom, seria um problema para mim". Sei o que ela quis dizer, porque como ela tinha, eu também tenho cólica e enxaqueca na minha tpm. Mas é uma medida realista também, porque tenho uma alimentação caótica, sou absolutamente sedentária, entre outras coisas. Mas no maravilhoso mundo dos anticoncepcionais e Buscopan, isso não chega a ser um problema. Ora, menstruação é um saco, mas não é doença. Mas ainda me espanta que minha mãe, que trabalhou com a maior raça anos a fio, fazendo hora extra todos os dias, e que ainda tinha fôlego pra brincar com a gente de noite e levar a gente pra passear no fim de semana (e a gente somos eu, meu irmão e X amigos), seja tão rapidamente convencida de que, por menstruar, as mulheres dos anos 50 não poderiam ser astronautas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei com vontade de responder a ela que nesse sentido nós somos como os quenianos, temos muito mais resistência e não menos. Mas também não é por aí. Queria que ela entendesse o quanto isso é uma questão política, mas não dá pra ficar dando lição de moral na mãe, né? Mesmo porque, eu ando numa filosofia &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=USpI6Jzl3No"&gt;Up&lt;/a&gt;. A gente pode ter uma vida plena sem realizar os projetos malucos que a gente imaginou... e quem sabe eles ainda não nos encontrem. Hoje, depois dessa viagem pra Holanda, eu sei que a maior dificuldade para minha mãe ser astronauta não seria o teste físico, nem operar os instrumentos, nem o isolamento, nem nada. Seria conseguir arrumar as malas. hehehe&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-263608413188510142?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/263608413188510142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=263608413188510142' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/263608413188510142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/263608413188510142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/10/como-minha-mae-poderia-ter-ido-pro.html' title='Como minha mãe poderia ter ido pro espaço'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-3018230440153052851</id><published>2009-10-08T09:00:00.000-07:00</published><updated>2009-10-08T10:22:32.063-07:00</updated><title type='text'>Perdição em Amsterdam</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje me perdi de novo no centro de Amsterdam. A princípio eu fui comprar um box do Monty Phyton para o Jão, que eu tinha visto numa vitrine por 17 Euros, mas infelizmente ele já fora vendido. Então, aproveitando os últimos dias de sol do ano na Zoropa, decidi não ir ao Van Gogh Museum, e sim andar por aí. Sem mapa. Sem senso de direção. Com o joelho podre que eu tenho. Joinha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390279035467051378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/Ss4eOU0_sXI/AAAAAAAAALg/UT2ZZ6aFsw8/s320/OgAAAGyyG6LX6lQI41OK7uHo7EOidKaAmyJhH6Ex-VgX2QKetsl3CtdilAU_Rn-IQs-GvxXpxybD6Qz4DbrdxcrHYrsAm1T1UBvSvTiRPTVwWPIQ7PoLrCN_yh_D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu, perdida?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos primeiros dias que eu andei por aqui, pensei: ah, estou em Goiânia. Hein?!? Cuma?!? Na ABA de 2006 eu fui pra Goiânia, comprei um mapa no aeroporto e andei a cidade inteira a pé, com a mochila nas costas. Cidade plana, planejada, fácil de se localizar, sem outros problemas que as bolhas nos meus pés. Mas assim se conhece uma cidade, ao menos segundo Baudelaire &lt;strike&gt;e outros picaretas&lt;/strike&gt;. Amsterdam, apesar de ser uma cidade de origens medievais, também é assim, porque suas ruas se irradiam em círculos concêntricos a partir da estação central. Se você consegue manter sua noção de norte-sul, é pouco provável que você se perca, ao menos nos pontos mais centrais. Mas como norte-sul já é muito para um mamífero inferior como eu, eu estava andando com um mapa que tem também as linhas dos bondes e do metrô. Hoje eu esqueci o mapa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390277902791053954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/Ss4dMZR_koI/AAAAAAAAALY/AWKdQfn0XvM/s400/map_of_amsterdam.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tipo, assim, eu andei tudo isso aí. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E só tava procurando um lugar pra tomar uma cerveja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Maaas, tudo bem. Porque hoje eu fui para partes da cidade que eu não tinha ido, e aproveitei para comprar uns presentes. Agora, o achado mesmo foi uma loja de "denkensports", ou traduzindo do gringolês, "esportes mentais", um jeito chique de chamar xadrez, carteado, jogos de tabuleiro, etc. Babei numa lousa para ensinar xadrez para crianças, 35 euros. Quase comprei, por puro impulso, para doar pro centro comunitário. Uma mala chiquetosa com baralho e fichas de poker por menos de 20 euros. ai, ai, ai. Então eu vi as expansões de Munchkin que tinham lá, e que eu nunca vejo na &lt;a href="http://www.devir.com.br/"&gt;Devir&lt;/a&gt;, não me aguentei. Comprei uma. Só não sei se fico com ela ou dou de presente. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;#degladiem-se&lt;/span&gt; . Cara, se eu vier estudar aqui vou passar fome e viver com um kebab por semana só pra torrar meu dinheiro com aqueles joguinhos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390280013969887602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 221px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/Ss4fHSCQEXI/AAAAAAAAALo/exyaXkVa8uQ/s320/munchkin.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sinta o poder da minha &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Motosserra do Desmembramento Sanguinolento &lt;span style="font-size:78%;"&gt;TM&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-3018230440153052851?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/3018230440153052851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=3018230440153052851' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3018230440153052851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3018230440153052851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/10/perdicao-em-amsterdam.html' title='Perdição em Amsterdam'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/Ss4eOU0_sXI/AAAAAAAAALg/UT2ZZ6aFsw8/s72-c/OgAAAGyyG6LX6lQI41OK7uHo7EOidKaAmyJhH6Ex-VgX2QKetsl3CtdilAU_Rn-IQs-GvxXpxybD6Qz4DbrdxcrHYrsAm1T1UBvSvTiRPTVwWPIQ7PoLrCN_yh_D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-3109147220561461055</id><published>2009-09-30T08:45:00.000-07:00</published><updated>2009-09-30T09:26:55.170-07:00</updated><title type='text'>Polanski preso? Yeah!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu ia escrever hoje sobre &lt;strong&gt;como tomei uma cerveja na conta do Museu do Louvre em Paris&lt;/strong&gt;, mas ainda não achei as punch lines certas.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto isso, resolvi escrever sobre o caso &lt;strong&gt;Roman Polanski&lt;/strong&gt;, uma história que eu ouvi falar pela primeira vez na época que &lt;strong&gt;O Pianista&lt;/strong&gt; concorreu ao Oscar e todo mundo dizia que Polanski não poderia vir à cerimônia porque tinha problemas com a Justiça. Na época eu pensei "o que que tem? Esse cara deve ter sido pego na saída de uma festa fumando maconha ou qualquer coisa assim...". Só um tempo depois eu soube que a acusação era ter feito sexo com uma menina de 13 anos, o que em qualquer país sensato é considerado estupro.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelo pouco da cobertura midiática que eu acompanhei aqui na Zoropa, Polanski foi preso meio abruptamente na Suiça, o que deixou meio mundo indignado. A sua vítima, hoje uma mulher feita, disse que esta é uma história antiga e que deveria ser esquecida, pois ela já o perdoou.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desculpe-me, senhora, mas não posso concordar. Estupro, e principalmente contra crianças, não é um crime cuja única vítima seja a criança que foi alvo. Este ato é uma violência contra todas as crianças, todas as mulheres e toda a sociedade, devendo portanto passar pelo julgamento, perdão ou compensação por meio dos órgãos que representam toda esta sociedade, no caso a Justiça norte-americana. E a senhora não tem o poder de perdoá-lo sozinha, ainda que em sua intimidade o tenha feito. Que a menina que Polanski estuprou tenha sobrevivido a isto sem maiores problemas é uma sorte, mas não redime ninguém. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tampouco redime o trabalho, as criações ou a caridade que Polanski porventura tenha feito. Não haveria um sinal de arrependimento sincero por parte do diretor que não envolvesse &lt;strong&gt;&lt;em&gt;necessariamente mas não apenas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; sua entrega voluntária às autoridades. &lt;strong&gt;O Bebê de Rosemary&lt;/strong&gt; é ótimo, &lt;strong&gt;O Pianista&lt;/strong&gt; é belíssimo, mas nenhum é imprescindível, e mesmo se fossem, o respeito à integridade de uma criança é &lt;strong&gt;muito mais imprescindível&lt;/strong&gt;. E, vamos voltar à razão, não são seus filmes que estão sendo julgados. São seus atos.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Terem permitido que Polanski circulasse todo este tempo, até em tom de bravata, é uma forma de legitimar que pessoas importantes ou poderosas cometam este tipo de crime contra pessoas menos importantes e poderosas. Polanski sem ser julgado é uma defesa de todo e qualquer estupro ou assédio, o que é menos uma responsabilidade do Polanski em si e mais das autoridades que até hoje não tinham se mobilizado.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah, gente, peloamordedeus. Que a menina já tivesse posado nua, que fosse em troca de trabalho e etc, só torna tudo ainda mais deplorável, pois escancara quantas outras meninas que tiveram que se submeter em silêncio às mesmas violências, mesmo que achassem que estavam usando de seus atributos livremente para negociar. No livro de &lt;strong&gt;O Poderoso Chefão&lt;/strong&gt; tem uma cena assim, um pouco antes da cabeça de cavalo. Ouvi aqui na Zoropa a história de uma menina que veio trabalhar de Au Pair na casa de um homem com um filho e, quando se negou a ir para a cama com o patrão, passou a sofrer humilhações sutis e por fim foi demitida. Ele também não a ameaçou ou a forçou fisicamente, mas a relação de hierarquia prévia, os riscos de ser demitida e perder o visto e a casa fazem com que o suposto "convite" seja uma forma de agressão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-3109147220561461055?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/3109147220561461055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=3109147220561461055' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3109147220561461055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/3109147220561461055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/09/polanski-preso-yeah.html' title='Polanski preso? Yeah!'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-5135142457520872522</id><published>2009-09-19T13:37:00.000-07:00</published><updated>2009-09-19T14:21:32.858-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><title type='text'>Cosmologias do café</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estava relendo o &lt;strong&gt;Cosmologias do Capitalismo&lt;/strong&gt;, do &lt;em&gt;Marshall Sahlins&lt;/em&gt;. É um dos textos que eu mais gosto do Sahlins, que eu considero um "antropólogo otimista". Neste texto, que faz parte da coletânea &lt;strong&gt;Cultura na Prática,&lt;/strong&gt; ele explora as diferentes concepções de mundo e modos de produção cultural com as quais povos diferentes - chineses, havaianos, kwakiutl e ingleses - englobavam as práticas comerciais promovidas por navios mercantes ingleses e americanos nos séculos XVIII e XIX. É engraçada e verdadeira a síntese que ele faz do desenvolvimento da moderna "civilização" ocidental dependente de uma "imensa cultura de drogas leves" consumidas cotidianamente para tornar a vida mais tolerável, aumentar o prazer e reduzir a dor, dada nossa condição imperfeita e incompleta sobre a terra. &lt;em&gt;Falar de drogas enquanto eu estou em Amsterdam tem um tom jocoso, claro.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sahlins fala da "deusa Chá" a quem os ingleses se dispunham a fazer enormes sacrifícios. Deusa, no feminino, porque o chá servia a rituais domesticadores, não embriagantes, ao contrário de bebidas "masculinas" como a cerveja e o gim. Segundo Sahlins, chá, café e chocolate, ao serem adoçados para o paladar ocidental, representavam a transformação que exerciam na existência moral do indivíduo. Desse modo, mesmo tendo sido originalmente introduzidos como e tendo efeitos bioquímicos estimulantes, esses três produtos são utilizados para acalmar os nervos. Lembro-me da propaganda da garota que chega em casa e se joga no sofá com uma barra de chocolate, com um grau de satisfação que ultrapassa qualquer orgasmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É engraçado, já li em mais de um lugar o café sendo descrito como "a bebida do capitalismo", tanto por suas propriedades estimulantes que poderiam fazer o proletariado render mais quanto por suas propriedades domesticadoras, que os manteriam satisfeitos. Corpos dóceis, anyway. Para pessoas que vivem entre dores de cabeça e doses de cafeína, como boa parte da minha família brasileira e holandesa, o café é simultaneamente um prazer e algo que alivia a dor. Além disso, é o que contém aqueles "cinco minutos guardados", como eu sempre digo parafraseando os Titãs, que fazem com que minha mãe e minha vó se desafobem nas suas trabalhadas e acalmem a todos nós.&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 291px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383290942593030482" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SrVKlyPV2VI/AAAAAAAAALI/rm2yT2jEz7M/s320/coffee.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E é também uma das bases da nossa sociabilidade. Hoje eu, brasileira com cidadania holandesa e sobrenome italiano, passei a tarde com minha vó indonésia/holandesa, minha mãe brasileira/holandesa, a prima de minha mãe holandesa com cara de indonésia, sua filha holandesa vagamente indonésia e genro holandês branquelo batendo papo numa mistureba de holandês, inglês e português - com um monte de neologismos, anacolutos e risadas - a base de café e salgadinhos indische. O café é o combustível das deliciosas histórias que minha vó conta, nessas tardes ensolaradas no fim do verão europeu. É uma das coisas que faz a viagem valer a pena de fato.&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 132px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383291185396129058" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SrVKz6wHHSI/AAAAAAAAALQ/RLzfUAF6qT8/s200/Small_coffee_beans_map.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-5135142457520872522?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/5135142457520872522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=5135142457520872522' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5135142457520872522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/5135142457520872522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/09/cosmologias-do-cafe.html' title='Cosmologias do café'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SrVKlyPV2VI/AAAAAAAAALI/rm2yT2jEz7M/s72-c/coffee.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-7916013787893606564</id><published>2009-09-04T08:38:00.000-07:00</published><updated>2011-01-23T06:52:25.769-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mestrado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='usp'/><title type='text'>Tele-antropologia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem depois da reunião com a minha orientadora a respeito do projeto de mestrado, eu dei um pulinho em meu antigo serviço, para papear e ver como andam os últimos preparativos do evento. Em um dado momento, toca o telefone: é um jornalista escrevendo uma matéria sobre "atropelamentos" querendo saber a opinião de um antropólogo urbano. Usando a tática por mim consagrada, minha colega pediu que o jornalista nos enviasse um e-mail e o encaminhou para algum outro núcleo de pesquisa, onde &lt;span style="font-style: italic;"&gt;certamente&lt;/span&gt; alguém poderia ajudá-lo mais especificamente. hehehe&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Jornalistas são engraçados. Eles &lt;span style="font-style: italic;"&gt;juram&lt;/span&gt; que a gente pode opinar "com propriedade "sobre qualquer assunto, porque afinal de contas é o que eles fazem todos os dias. E quando eles precisam de um parecer pseudo-técnico-científico ligam para nós, sem a menor preocupação em se informar sobre o que fazemos, porque obviamente somos todos pesquisadores ansiosos por ganhar visibilidade midiática. Os caras tentam nos pressionar em função de seus prazos  e pedem comentários como se nós fôssemos um tele-marketing de saberes antropológicos. Ou algo como "mande um torpedo com a palavra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estranhamento&lt;/span&gt; para 55555 e receba em seu celular análises diárias sobre todas as atualidades". Uau, eu quero um serviço desses! Além de parecer superinformada eu poderei "demonstrar" toda a minha sagacidade analítica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SqFHMQ_LPhI/AAAAAAAAAKw/q9Z4tipj4ww/s1600-h/malinowskitlmktg.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 238px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SqFHMQ_LPhI/AAAAAAAAAKw/q9Z4tipj4ww/s320/malinowskitlmktg.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377657706101030418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Kula&lt;/span&gt; de aforismos antropológicos - idéias boas para "comer", ahn, ahn.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, sei que estou pegando pesado graças à minha antipatia crônica por jornalistas. Simplesmente não aguento a quantidade de falácias, generalizações grosseiras, juízos de valor e preconceitos por caractere quadrado. Testemunhei coisas escandalosas em Ouro Preto, que não são simplesmente resultado de má formação profissional (por exemplo um jornalista da Rede Plim Plim formado na ECA disse que achava que um dos réus era culpado porque tinha "cara de serial killer"). Mas também, sinto a falta do conhecimento de nossas categorias analíticas, que são usadas de modo "selvagem" para justificar o senso comum, não para superá-lo. Compartilho a preocupação das exatas no que diz respeito à divulgação científica, que deveria receber mais atenção do pessoal de humanas. Este é um dos principais motivos pelos quais eu defendo tão ardorosamente o ensino de Sociologia (de qualidade, não como matéria tapa burcado dada por  professor de qualquer disciplina que tem janela na grade) no Ensino Médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SqFHkBwpntI/AAAAAAAAAK4/frI9gDeB3TU/s1600-h/l%C3%A9vi-strausstlmktg.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 242px; height: 301px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SqFHkBwpntI/AAAAAAAAAK4/frI9gDeB3TU/s320/l%C3%A9vi-strausstlmktg.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377658114330435282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O pensamento selvagem e a eficácia simbólica das citações jornalísticas.&lt;br /&gt;São as estruturas inconscientes da ignorância&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como então aumentar e melhorar nosso diálogo com os jornalistas? Como superar nossa empáfia e sua prepotência e enriquecer a maneira como assuntos sociais são abordados e entendidos pela mídia, a despeito dos viéses interesseiros das linhas editoriais às quais os jornalistas tem que se submeter? É complicado. No fundo, nós não queremos responder aos jornalistas que perguntam sobre "atropelamentos", "câmeras no centro de Santo André", ou qualquer assunto aleatório que jogam no nosso colo porque não consideramos válidos palpites sem saber o contexto dos eventos, ainda que tenhamos acumulado um cabedal de estudos sobre a dinâmica espacial da cidade, a "fala do crime", &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gentrification&lt;/span&gt;, etc. A especificidade de nossos conhecimentos é baseada na etnografia, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cogito&lt;/span&gt; que é meio&lt;span style="font-style: italic;"&gt; veni, vidi, vinci &lt;/span&gt;(como diz o dr. House, "uso Latim porque sou idiota, huahauhau"). Talvez tenhamos que começar a ser mais ousados, abandonando a segurança de nosso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mise en scène&lt;/span&gt; antropológico, como diria George Marcus. Talvez não. Eu penso muito no assunto, mas não chego a grandes conclusões. Enquanto isso, fico discutindo com o jornal e a televisão, cada vez que um jornalista comete alguma atrocidade, na minha rabugice crítica.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SqFIJSV6J6I/AAAAAAAAALA/IGf8-g7LrrY/s1600-h/boastlmktg.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 254px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SqFIJSV6J6I/AAAAAAAAALA/IGf8-g7LrrY/s320/boastlmktg.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377658754436835234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O trânsito em São Paulo é um problema de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bildung&lt;/span&gt; - da malha viária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-7916013787893606564?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/7916013787893606564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=7916013787893606564' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7916013787893606564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/7916013787893606564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/09/tele-antropologia.html' title='Tele-antropologia'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SqFHMQ_LPhI/AAAAAAAAAKw/q9Z4tipj4ww/s72-c/malinowskitlmktg.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-4442071644671263660</id><published>2009-08-20T09:53:00.000-07:00</published><updated>2009-08-26T16:41:33.273-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos pseudo-biográficos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><title type='text'>Declaração de amor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve um tempo em que eu me orgulhava de minha influência sobre o destino das pessoas (ohh). Sentia-me como uma espécie de musa trickster, em eterno brainstorm jorrando idéias estapafúrdias sobre assuntos variados que as pessoas ao meu redor podiam apanhar com suas redes de borboleta e transformar suas vidas. é claro que esta imagem pretensiosa não era levada muito a sério, mas era bom sentir o calorzinho otimista quando alguém tinha um estalo por minha causa. Hoje, quando algum assunto ou projeto me atiça, às vezes ainda me encontro nesse estado de consciência alterado, de &lt;i&gt;tommy gun&lt;/i&gt; de insights e tiradinhas, mas são raros. A faculdade me tornou mais comedida e certamente mais modesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos de colégio, o meu interlocutor mais querido e c&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SpWOPQqJodI/AAAAAAAAAKo/VEj-Ef0HS54/s1600-h/chicoanaschucki.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SpWOPQqJodI/AAAAAAAAAKo/VEj-Ef0HS54/s320/chicoanaschucki.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374358123157496274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;onstante era o &lt;a href="http://twitter.com/schucki87"&gt;@schucki87&lt;/a&gt;. Nas conversas em sala de aula, nos intervalos e nos nossos cinemas semanais podíamos conversar sobre qualquer coisa: piadas, fofocas, idéias, TV, filmes, livros. Nosso gosto musical não podia ser mais diferentes, eu gostava de MPB e heavy metal, ele de música de balada e coisas meio lounge. Eu era desbocada, ácida e estourada, ele era a calma e a simpatia em pessoa, e adorava rir dos meus xiliques. aos poucos nossas diferenças foram se encontrando e ele se tornou o meu melhor amigo. Ao seu lado o interesse por cinema foi crescendo, e com ele nossas idéias loucas de produzir vídeos, que infelizmente nunca se realizaram. Eu acreditava que a porta de entrada para esse mercado cinematográfico era a publicidade, que por anos foi a minha escolha para a faculdade vindoura. O &lt;a href="http://twitter.com/schucki87"&gt;@schucki87&lt;/a&gt; passou em Comunicação Social na &lt;a href="http://www.blogger.com/www.ufrgs.br"&gt;UFRGS&lt;/a&gt; e foi se aventurar nos labirintos da &lt;a href="http://www.blogger.com/www.ufrgs.br/fabico/"&gt;FABICO&lt;/a&gt;. Eu acabei vindo fazer Ciências Sociais em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses quase seis anos de graduação, o &lt;a href="http://twitter.com/schucki87"&gt;@schucki87&lt;/a&gt; continuou sendo minha companhia quase diária, mesmo que apenas para um "oi" rápido via MSN, &lt;a href="http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=tr&amp;amp;uid=14270355251363209413"&gt;orkut&lt;/a&gt;, e-mail. Na graduação ele continuou sendo para mim uma lição de vida, de bom humor e serenidade. Enquanto eu me estrupiava nos núcleos de pesquisa, iniciações científicas, casos, namoros e depressões, o &lt;a href="http://twitter.com/schucki87"&gt;@schucki87&lt;/a&gt; levou sua faculdade e seus estágios de um jeito leve, sem supervalorizar suas angústias, e é a única pessoal da história mundial que não passou nervoso com o seu TCC, sobre merchandising no programa CQC, e que foi aprovado com nota máxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SpWModNPleI/AAAAAAAAAKg/aVRXLdNOnXs/s1600-h/Imagem+375.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SpWModNPleI/AAAAAAAAAKg/aVRXLdNOnXs/s200/Imagem+375.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374356356999386594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ver o &lt;a href="http://twitter.com/schucki87"&gt;@schucki87&lt;/a&gt; de canudo na mão me deu novamente um calorzinho de orgulho, mas não por ter plantado a idéia de fazer publicidade na cabeça dele, mas por ser sua amiga e interlocutora privilegiada e tanto tempo e para toda a vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-4442071644671263660?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/4442071644671263660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=4442071644671263660' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4442071644671263660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4442071644671263660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/08/declaracao-de-amor.html' title='Declaração de amor'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_aWRt3x2KRWo/SpWOPQqJodI/AAAAAAAAAKo/VEj-Ef0HS54/s72-c/chicoanaschucki.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-407754021823072746</id><published>2009-08-14T14:53:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T15:55:01.465-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><title type='text'>Corpos mutatis mutandis</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha cunhada há cerca de um mês fez uma cirurgia plástica para dar um jeito numas cicatrizes que tinham ficado de outra cirurgia e também uma lipo aqui outra acolá. Corajosa, porque a cirurgia cobriu uma área grande, e o pós operatório deve ter sido bem dolorido. Sortuda, porque além de ter corrido tudo bem meu irmão foi infinitamente bonzinho e paciente, apoiando o processo e tomando conta da casa (bom, ela teve que comer a comida dele, mas no pain, no gain...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso disso tudo é que minha mãe, que faz mais de ano está embaçando para liberar minha cirurgia de correção de miopia - cirurgia que eu estou pagando e que foi autorizada pelo médico já que eu tenho mais de 21 anos; veio me perguntar se eu não queria também fazer uma plástica para reduzir a minha papada, herança genética dos Rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que não, né, mãe?!? Embora eu não goste muito desse meu traço, não iria eliminá-lo a faca desse jeito, assim como eu nunca quis "consertar" minhas orelhas de abano. Que coisa! Uma vez, um amigo do RPG disse que colocar o cabelo atrás da orelha, como eu faço para tirá-lo da frente do rosto, só pioraria o "problema" das minhas orelhas. Respondi que eu não tinha problema nenhum e que minha orelha era muito mais útil que uma tiara, que me aperta e me dá dor de cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho nada contra cirurgias plásticas em si, acho que são uma forma de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;body modification&lt;/span&gt; tão válida quanto tatuagens, piercings ou cortes de cabelo. Como nossa identidade é corporeificada de diversas formas, além de etnia e gênero, acho fascinantes essas possibilidades de autopoesis. O ruim é quando esses instrumentos tornam-se inextricavelmente unidos a estas normatividades estúpidas, que nos apontam defeitos e incompletudes. Camuflam-se como cuidados e proteção, mascarando a estética única a que se quer nos sujeitar e que obviamente é inatingível (para isso serve o photoshop então).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora pois, sou uma mulher alta e não sou magra. 1,75, 73 kg. Uso manequim feminino 44 ou 46, tamanho GG. Odeio comprar roupas porque vi nos últimos cinco anos minha numeração mudar sem que meu peso ou minha altura se alterassem bruscamente, pura tirania da magreza nas confecções. E os chamados "tamanhos grandes" são roupas para vovós, vamos combinar. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Plus size&lt;/span&gt; bonitos são carésimos. Se eu vou fuçar na moda masculina, acho um monte de coisas 42 ou M que me servem. Meu rosto é arredondado, tem um queixo saliente que meu ex(ou não)namorado apelidou de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bobíceps&lt;/span&gt; e orelhas de abano potencialmente erógenas (&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;#ficadica&lt;/span&gt;) que amparam meus óculos. Apesar das muitas gozações e baixarias que eu ouvi na vida, de Dumbo, Lester, Quatro Olhos, Lombriga, etc. e de ter convivido no sul com muitas garotas padrão modelo, acho que nunca tive problemas com a aparência. Reclamo um pouco do peso, como todo mundo, mas não esquento a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu até respondi uma vez um survey de psiquiatra (um desses que querem provar que jogadores de RPG não são doidos) dizendo que eu faria plástica. Faria, claro. Depois de viajar o mundo todo, defender meu doutorado, pagar os estudos da minha afilhada até o fim da faculdade, promover algum centro ou cooperativa de desenvolvimento regional em Rio Pardinho, RS e na comunidade São Remo, em frente de casa, etc &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;/modo megalomania off&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não seguir a estética normativa para as mulheres é uma opção consciente, mas não dá trabalho e não é fruto de ressentimento. É até uma liberdade, porque facilita perceber homens e mulheres interessantes de diferentes tipos físicos. Acho meu ex(ou não)namorado bonito, baixinho, gordinho e com um cabelão sarará comprido, que infelizmente ele mantém sempre preso. Acho a Carol que mora comigo linda, magrela, morena, olhos puxados e seu estilo fflch comunista. Ela é um charme fumando na varanda (e está solteira, rapazes!!). Quanto a mim,  feminista iniciante, mezzo vaidosa, mezzo preguiçosa, fiz as minhas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;body modifications&lt;/span&gt; da semana: arranquei 3 dentes do ciso e me dei um novo corte de cabelo. Estou mais bonita e com muuuuita dor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-407754021823072746?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/407754021823072746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=407754021823072746' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/407754021823072746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/407754021823072746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/08/corpos-mutatis-mutandis.html' title='Corpos mutatis mutandis'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-4028462992304115802</id><published>2009-07-27T15:01:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T16:08:07.633-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rpg'/><title type='text'>Mundo das Trevas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, segue a aventura de &lt;b&gt;Mundo das Trevas&lt;/b&gt;. O jogo é o seguinte: os jogadores escolhem uma música, e a aventura é baseada na letra ou no título da música. Mas, regras da casa, tem que ser um bom rock and roll. Não que eu não considere clássicos como "Asa Branca"  (que o Everton propôs) bons temas para um RPG, mas já que é uma campanha Supernatural vibe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira escolha, de Chicó, é &lt;b&gt;Gimme Shelter&lt;/b&gt;, dos &lt;i&gt;Stones&lt;/i&gt;. Não vou contar o jogo antes, só deixar aqui uma amostra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LJMnES7WoT4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/LJMnES7WoT4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-4028462992304115802?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/4028462992304115802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=4028462992304115802' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4028462992304115802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4028462992304115802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/07/mundo-das-trevas.html' title='Mundo das Trevas'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-1676084100297713631</id><published>2009-07-22T08:04:00.000-07:00</published><updated>2009-07-22T10:28:19.127-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rpg'/><title type='text'>Mundo das Trevas one shot</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ontem a noite eu mestrei pela primeira vez o novo Mundo das Trevas, que consta aí da coluna lateral como um dos livros que eu estou lendo no momento. Isso é uma inverdade, é claro, porque fazia meses que eu não abria o livro. O fato é que eu leio e esqueço livros de regras de RPG, só memorizo regras enquanto estou jogando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Como estamos assistindo alucinadamente Supernatural, e já chegamos na terceira temporada, senti que poderíamos fazer um jogo de Caçadores, um jogo de horror, para contrabalencear um pouco o D&amp;amp;D. Perguntei ao Everton, ao Chicó e a meu irmão se queriam fazer caçadores experientes, como Sam e Dean, ou se queriam fazer pessoas que nunca tiveram contato com o sobrenatural. Optaram pela alternativa 2 e, como eu fiquei sacaneando o Everton porque ele só faz personagens gangsters wannabe, dessa vez ele criou  Jean, um jovem mecânico que quer comprar um caminhão. Meu irmão, que está de visita, fez Viriato, um analista político. Chicó resolveu jogar com ele mesmo, no primeiro ano da faculdade, época em que o curso ainda não tinha destruído sua auto-estima (huahuahauhauahua) e ele vivia sem dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história era mais ou menos simples. Uma escola abandonada em São Miguel, palco de algumas lendas urbanas sobre assombrações, estava ruindo. Chicó era o estagiário de Viriato e eles tinham que sondar o bairro para ver se os moradores queriam que a prefeitura reformasse e reabrisse a escola ou transformasse o prédio em algum outro aparelho, como um posto de saúde, uma biblioteca ou uma praça. Diante da escola ficava a oficina do patrão de Jean. A maior parte dos moradores do bairro acharam que reabrir a escola era uma idéia ruim porque a escola tinha sido desativada quando um surto de cólera matou 20 crianças. Além disso, o índice de doenças mentais das redondezas era bem acima da média, de modo que a demanda por uma unidade de saúde mental era maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coisa começa a ficar estranha quando, vistoriando o prédio semi-inundado da escola, Viriato encontra a seguinte inscrição: "Lasciate ogni speranza, voi che entrate", que, para um bom entendedor de italiano, significa: "Deixai, o vós, que entrais, toda a esperança!", o aviso no portão do Inferno descrito por Dante. Ah é, o nome da escola é EMPG Dante Alighieri. Viriato pede então que a polícia vistorie o prédio à noite, procurando por traficantes ou adolescentes góticos. Uma viatura vai ao local e o policial morre caindo da janela do terceiro andar. Jean vê tudo. No dia seguinte, Viriato enrola o jornalista da Globo e a turba de curiosos. Engenheiros serão mandados para analisar a estrutura do prédio, fazer orçamentos da reforma, abrir licitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aí começa a DR. Porque o Chicó, o político e o mecânico continuariam envolvidos no caso? No idea, man. Sempre o mesmo problema... como fazer personagens diferentes se conhecerem, cooperarem e se envolverem na trama, especialmente quando são pessoas comuns, cujo bom senso avisa sempre para não se meterem em encrenca? Resolver esse problema normalmente quebra o ritmo de uma aventura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anyway, Jean e Chicó, após o misterioso sumiço dos engenheiros, decidem invadir a escola. O chefe do PC de Everton conta a história de um menino chamado Caco que morreu antes da cólera, alguma confusão com remédios. Ao entrar os dois descobrem as inscrições nas escadas, sobem até a sala de aula em que o pobre policial morreu. Encontram um crucifixo caído. e o apanham Acham um jeito de se comunicar, escrevendo na lousa. É Caco, e ele conta que foi morto pela sua professora de literatura.  Jean e Chicó vão então até a casa da professora, que está imobilizada em uma cadeira depois de um derrame e mal fala. Aos poucos, e sendo "persuadida", a pobre mulher conta que acidentalmente deu uma overdose de remédios a Caco. Depois de sua morte, ficou com medo de ir pro inferno e fez um pacto, sua alma pela de outras crianças, então envenenou a água da escola. Mas algo deu errado, porque Caco estava lá segurando as almas e impedindo a troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Investigando, Jean e Chicó descobrem que se um pacto foi feito, pode ser quebrado se destruírem o contrato. Acham o contrato dentro do crucifixo, queimam-no. A escola rui. A professora morre. Meu irmão está dormindo no chão da sala há uma boa meia hora, portanto Viriato está ocupado fazendo qualquer outra coisa. Conto a Chicó e Everton que, se eles tivessem destruído o grilhão de Caco, as almas das outras crianças teriam ido direto para o inferno, passando pelos portões. Que minha intenção inicial era essa, mas eu fiquei com pena dos personagens, e não ia fazê-los virar caçadores só por remorso. Afinal, é para ser um jogo "heróico".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Foi curioso ver o Chicó jogando com ele mesmo, ele ficou bem mais zeloso com o personagem. Honesto com suas reações também, em alguma medida. Só não demonstrou o coração de manteiga que tem, mas por falta de oportunidade. Alfred Gell tem razão, sobre a questão das pessoas distribuídas, e da agência que atribuímos às coisas. Everton me acusou de imitar todas as pessoas do mesmo jeito. Enfim, a aventura parece mais legal contando do que jogando. E olha que estávamos ouvindo Black Sabbath jogando. Mas talvez meu desempenho  de mestre melhore quando eu melhorar da gripe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não usamos muito do sistema, algumas rolagens de Percepção, que agora não é mais um atributo, mas a combinação de Raciocínio e Autocontrole. Sem combate, como é do meu estilo, e de qualquer modo nenhum dos personagens tinha grandes aptidões em combate. Estou estranhando ainda esses novos atributos e habilidades, quer dizer, como &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;dissimulação&lt;/span&gt; virou uma habilidade física??? E qual é de fato a grande diferença entre &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;empatia&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;astúcia&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;persuasão&lt;/span&gt; em termos práticos? Mas gostei do novo sistema de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;vitalidade&lt;/span&gt;... e que finalmente o sistema assumiu que não é para bônus que as &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;desvantagens&lt;/span&gt; são feitas, mas que, como disse um sábio, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;desvantagens são ruins!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-1676084100297713631?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/1676084100297713631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=1676084100297713631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1676084100297713631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/1676084100297713631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/07/mundo-das-trevas-one-shot.html' title='Mundo das Trevas one shot'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-671962722317804822.post-4038677741164022292</id><published>2009-07-07T08:16:00.000-07:00</published><updated>2009-07-07T10:58:18.118-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mestrado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rpg'/><title type='text'>Para começo das conversas...  sobre o julgamento em Ouro Preto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dada a repercussão que o julgamento em Ouro Preto teve na mídia, muitas pessoas tentaram entrar em contato comigo por orkut, twitter ou e-mail. Jogadores e jornalistas, em sua maioria. Nesse sentido, acho que devo um esclarecimento a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou cursando Ciências Sociais na USP e no decorrer do curso pesquisei, em uma abordagem antropológica, os jogos de RPG. Esta pesquisa de iniciação científica teve financiamento do CNPq entre 2005 e 2007, conforme consta no meu currículo &lt;a href="http://sistemas.usp.br/atena/atnCurriculoLattesMostrar?codpes=5163401"&gt;Lattes&lt;/a&gt;. Parte dessa pesquisa consistiu em uma análise das apropriações que diferentes atores sociais (jogadores, pesquisadores, psicólogos, operadores do direito, jornalistas e segmentos evangélicos) fazem do jogo, caracterizando-o por meio de narrativas e discursos como um hobby, como ferramenta parapedagógica, como prejudicial, como satânico, etc. Por conta dessa abordagem, renunciei ao papel de "desmistificar" o jogo, um termo corrente entre os próprios jogadores. O que não quer dizer que eu também não produza um discurso a respeito do jogo, que resultou da primeira parte da minha pesquisa, uma etnografia com dos grupos de jogadores paulistanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora eu acompanhe as notícias sobre Ouro Preto desde 2001, o caso passou a me interessar especialmente ao longo da pesquisa porque eu sinto que ele exerce uma certa "força gravitacional" em relação aos discursos que falam de RPG no Brasil. Todo mundo se refere a esta história, em algum momento. Mas, quando decidi elaborar meu projeto de mestrado (minha idéia é prestar a prova no final do ano) sobre o caso, abri-me também para outras questões. Portanto, é uma pesquisa que se&lt;span style="font-style: italic;"&gt; inicia&lt;/span&gt; agora, sem ainda conclusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que eu estou dizendo isso? Porque eu considero que, da minha parte, seria precipitado sair emitindo opiniões e juízos contundentes sobre o caso. Meu trabalho é diferente do de um jornalista. Além disso, a experiência de passar esses longos dias num julgamento, onde vidas são narradas e avaliadas, foi muito marcante, sinto-me muito sensibilizada por todo o sofrimento que este caso causou a tanta gente. Fui afetada e, ao fim de tudo, também estava chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha intenção é produzir um artigo para publicação em uma revista que deve sair em novembro. Nesse meio tempo, disponho-me a conversar com quem quiser.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/671962722317804822-4038677741164022292?l=novospalimpsestos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/feeds/4038677741164022292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=671962722317804822&amp;postID=4038677741164022292' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4038677741164022292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/671962722317804822/posts/default/4038677741164022292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novospalimpsestos.blogspot.com/2009/07/dada-repercussao-que-o-julgamento-em.html' title='Para começo das conversas...  sobre o julgamento em Ouro Preto'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06091525159678500216</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://sche
