domingo, 17 de julho de 2011

Começo de campanha

Tive a ideia de fazer um merchan básico para o jogo que eu quero mestrar. Então vou passar a postar aqui e no facebook uns minicontos, prelúdios de NPCs.



Ela acordou com a luz do sol ainda incomodando os olhos. Tentou se virar para um lado, para outro, e desistiu, jogando o braço por cima do rosto para garantir um pouco mais de noite na sua vida. Sua outra mão passou pelo elástico da calcinha e se pôs a masturbar-se. Todos os dias se masturbava por horas antes de se levantar. Não adiantava, quando estava sozinha acabava sempre fantasiando com cenas de violência e a agonia a fazia gozar. Era importante gozar antes de começar a noite de trabalho, seria a única gozada do dia, no sossego de seu quarto. Depois, jogou-se em cima do vaso sanitário para mijar, sentindo escorrer sua boceta molhada. No banheiro estava pendurado um mural de cortiça, com fotos de várias épocas, mostrando rostos bonitos e felizes. Todos já tinham gozado com ela de uma noite de sexo, uma garrafa de cerveja ou uma fogueira na praia. Chamava aquele mural de Albergue de Juventude. Também chamava sua boceta de Albergue da Juventude, certificada internacionalmente. Tomou banho sem molhar a mão esquerda, porque queria continuar sentindo seu cheiro durante o expediente, se vestiu para a calçada e saiu. Esqueceu o celular do lado da cafeteira ligada. Parou na esquina de sempre e ficou acompanhando o movimento dos carros, vez em quando retocando o batom. O vento frio ressecava seus lábios, e os clientes podiam reclamar.

Do outro lado da rua ele caminhava, passos ritmados, buscando os pontos iluminados pelos postes. A cidade ainda preservava na noite o aroma dos últimos raios de sol do entardecer, que ele sorvia faminto, aguçando os sentidos. Sentia também o cheiro dos trabalhadores, apinhados dentro dos ônibus, voltando para suas casas e suas famílias, para o jantar e a novela. Ele os amava a todos. Hoje não ia passar futebol na tv, as pessoas tinham menos assunto. Ele suspirou, tristonho. Ao menos encontraria seus irmãos, e poderia conversar com eles, e tocá-los com a palavra do Senhor. Teve uma enorme consciência da Bíblia que carregava nas mãos. Pensava em falar esta noite sobre Daniel na cova dos leões, uma mensagem tão cheia de esperanças. Passou pela mulher do ramo na esquina e sentiu o cheiro do seu sangue. Era doce e repleto de humanidade e pureza. Ele se deteve, olhando para o outro lado da rua. Consultou o relógio, havia tempo. Os fiéis sentiam o cheiro da humanidade, sentiam-se compelidos e confortados por ele. Aproximou-se da moça com generosidade e recebeu com paciência o olhar desconfiado que ela lhe lançara. Trocaram algumas palavras e se afastaram para o recuo escuro de um estacionamento. Gentilmente, ele a puxou pelos cabelos e mordeu seu pescoço, tomando o cuidado de não sujar a camisa social branca que escolhera para a pregação de hoje. Deixando-a caída ali, onde os moradores de rua não a roubariam, ele atravessou o Viaduto do Chá e caminhou até a Praça da Sé. Logo formou-se um quadrado de ouvintes ao seu redor, atraídos por aquele cheiro que emanava, de humanidade e pureza. Aos poucos, mais transeuntes paravam e se comoviam, sentindo que a palavra do Senhor os alcançara e que Jesus os salvaria.

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