terça-feira, 7 de julho de 2009

Para começo das conversas... sobre o julgamento em Ouro Preto

Dada a repercussão que o julgamento em Ouro Preto teve na mídia, muitas pessoas tentaram entrar em contato comigo por orkut, twitter ou e-mail. Jogadores e jornalistas, em sua maioria. Nesse sentido, acho que devo um esclarecimento a todos.

Eu estou cursando Ciências Sociais na USP e no decorrer do curso pesquisei, em uma abordagem antropológica, os jogos de RPG. Esta pesquisa de iniciação científica teve financiamento do CNPq entre 2005 e 2007, conforme consta no meu currículo Lattes. Parte dessa pesquisa consistiu em uma análise das apropriações que diferentes atores sociais (jogadores, pesquisadores, psicólogos, operadores do direito, jornalistas e segmentos evangélicos) fazem do jogo, caracterizando-o por meio de narrativas e discursos como um hobby, como ferramenta parapedagógica, como prejudicial, como satânico, etc. Por conta dessa abordagem, renunciei ao papel de "desmistificar" o jogo, um termo corrente entre os próprios jogadores. O que não quer dizer que eu também não produza um discurso a respeito do jogo, que resultou da primeira parte da minha pesquisa, uma etnografia com dos grupos de jogadores paulistanos.

Embora eu acompanhe as notícias sobre Ouro Preto desde 2001, o caso passou a me interessar especialmente ao longo da pesquisa porque eu sinto que ele exerce uma certa "força gravitacional" em relação aos discursos que falam de RPG no Brasil. Todo mundo se refere a esta história, em algum momento. Mas, quando decidi elaborar meu projeto de mestrado (minha idéia é prestar a prova no final do ano) sobre o caso, abri-me também para outras questões. Portanto, é uma pesquisa que se inicia agora, sem ainda conclusões.

Por que eu estou dizendo isso? Porque eu considero que, da minha parte, seria precipitado sair emitindo opiniões e juízos contundentes sobre o caso. Meu trabalho é diferente do de um jornalista. Além disso, a experiência de passar esses longos dias num julgamento, onde vidas são narradas e avaliadas, foi muito marcante, sinto-me muito sensibilizada por todo o sofrimento que este caso causou a tanta gente. Fui afetada e, ao fim de tudo, também estava chorando.

Minha intenção é produzir um artigo para publicação em uma revista que deve sair em novembro. Nesse meio tempo, disponho-me a conversar com quem quiser.

1 comentários:

Eneas disse...

Ana, muito interessante o seu artigo. Você teria mais detalhes sobre os aspectos jurídicos? Você pegou cópias dos autos?

Sou seu fã viu!! bjs

Eneas